<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<?xml-stylesheet href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/xml/atom.xsl" type="text/xsl" media="screen"?>
<?xml-stylesheet href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/xml/atom.css" type="text/css" media="screen"?>
<feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom"  xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:photo="http://www.pheed.com/pheed/">
 <title>COMUNICACION/ES: Jesús Timoteo</title>
 <subtitle><![CDATA[Blog sobre comunicación, contenidos y redes de Tendencias21]]></subtitle>
 <link rel="alternate" type="text/html" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion" />
 <link rel="self" type="text/xml" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/xml/atom.xml" />
 <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/</id>
 <updated>2012-02-10T03:45:21+01:00</updated>
  <entry>
   <title>Democracia pos-electoral - una paradoja</title>
   <updated>2011-03-15T10:52:00+01:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/Democracia-pos-electoral-una-paradoja_a20.html</id>
   <category term="Bitácora" />
   <published>2011-03-14T11:59:00+01:00</published>
   <author><name>João de Almeida Santos </name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
En este ensayo intento hacer una crítica de los que, con demasiada frecuencia y ligereza, intentan sepultar, sin funeral, a la democracia representativa en nombre de ideas que, de tan viejas, nos hacen remontar a los tiempos de las corporaciones o de las visiones organicistas de la sociedad. ¿Qué es una democracia pos-electoral? ¿Qué son formas no electivas de representación? ¿Qué instrumentos tiene el ciudadano para hacerse representar por los que no puede escoger libremente? !Sobre todo hoy que el ciudadano tiene a su disposición miles de medios para protagonizarse públicamente y para tomar racionalmente sus decisiones! Claro, la ciudadanía no es directo resultado del principio electivo, porque es más amplia y más compleja. Pero nadie conoce ningún modo más eficaz de actuarla que el ejercicio del voto para escoger a sus representantes o para decidir sobre cuestiones de conciencia (referéndum). En realidad, la historia nos enseña que hay que tener siempre muchas dudas sobre las concepciones de la sociedad que se fundan en visiones científicas de la sociedad, donde la legitimación de los procesos sociales ya no es narrativa, pero, sí, científica. Y tampoco parece muy ajustado a la naturaleza de la democracia que sean los independientes o los representantes de las corporaciones los que mejor interpretan la voluntad general. Todos sabemos que las dictaduras de izquierda han siempre encontrado sus fundamentos en el materialismo histórico, la ciencia de la historia de matriz marxista, que conocía con rigor las leyes del devenir histórico hacia la sociedad sin clases ni Estado. Sabemos también que lugar han ocupado en la historia del poder político las representaciones corporativas y los anti-políticos. Más que reinventar el pasado, parece oportuno potenciar y proyectar en el futuro los principios fundamentales de la democracia representativa.     <div>
      <b>Uma «agorá» electrónica       <br />
       </b>       <br />
       Este título - «democracia pós-eleitoral» (Rosanvallon) - vem juntar-se a outros igualmente sugestivos, como «democracia pós-representativa» ou «democracia do público», num momento em que a ideia de «público» já está, ela própria, em profunda mutação no interior do novo paradigma comunicacional inaugurado pela Rede. Ou seja, a ideia de «público» como «espectador» (ouvinte ou leitor) – que era o referente do velho modelo mediático de comunicação e, por homologia, da própria política - parece estar a tornar-se residual perante a crescente generalização da comunicação em rede, onde os receptores já são também emissores, mas onde sobretudo esta relação emissor-receptor foi superada pela ideia de «rede de comunicação», de sistema comunicacional onde as relações são horizontais, sem centro nem periferias, e onde os sujeitos deram lugar a variáveis em relações múltiplas e não hierarquizadas entre si. A ideia de «público» confunde-se, pois, agora, com um imenso «espaço intermédio» universal, uma espécie de «agorá» electrónica sem lugar nem fronteiras, onde decorre o processo discursivo e deliberativo e para onde convergem todos os actores sociais. Um espaço com a sua própria lógica, mas com a imensa capacidade de albergar internamente lógicas diferentes.       <br />
              <br />
       <b>Rosanvallon e a democracia pós-eleitoral</b>       <br />
              <br />
       Pierre Rosanvallon, num ensaio intitulado «Reinventar a democracia», publicado há cerca de dois anos no «Le Monde» (8/10.05.2009), por outras palavras, acabou por se fazer também intérprete das novas exigências que se põem hoje à democracia. O que Rosanvallon diz é que temos de fazer três operações no interior do universo democrático, se quisermos responder aos novos desafios. Em primeiro lugar, alargar procedimentos e instituições para além do sistema eleitoral maioritário. Ou seja, é preciso «inventar formas não eleitorais de representação», diz ele. Depois, é necessário assumir a democracia como uma «forma social», uma «forma de sociedade», ou seja, como algo mais do que um simples regime. Em terceiro lugar, há que dar lugar a uma «democracia-mundo», sobretudo através de um relançamento da cidadania para além da sua expressão eleitoral.       <br />
       O que vejo nestas teses de Rosanvallon é uma tentativa de captar o que já flui no interior dos sistemas democráticos e que parece já não caber no interior dos módulos da democracia clássica. Designadamente no interior do modelo representativo de gestão do chamado «interesse geral». Mas, na verdade, para interpretar e reorientar o novo que flui não é possível fazê-lo, como quer Rosanvallon, através da subalternização do «princípio electivo» e da «representação», da ulterior extensão do conceito de democracia para além das larguíssimas fronteiras que ela conquistou (até à própria democracia social) ou sequer da dissociação da ideia de cidadania relativamente ao princípio electivo, uma vez que é através deste princípio que a cidadania melhor se operacionaliza, determinando a própria constituição institucional da democracia. Esta pressa em sepultar o que faz da democracia representativa o menos mau dos sistemas políticos, designadamente através da glorificação das entidades independentes ou das representações mais ou menos corporativas, não tem certamente em consideração que a sua história só poderá ser contada em plenitude a partir da segunda metade do Século XX, descontada a sua fase censitária (Séc. XIX), as duas guerras mundiais (1914-1945), os totalitarismos do Século XX (1922-1945) e todos os efeitos que estes factos produziram sobre um sistema tão delicado como é o sistema democrático representativo. Até mesmo na segunda metade do Século XX o bipolarismo político, ideológico e estratégico-militar representou um violento espartilho que impediu a democracia representativa de se exprimir em toda a sua plenitude! E, por isso, diria até que, ao contrário de Rosanvallon, do que se trata, cada vez mais, é de retomar a sua matriz originária interrompida ou nunca plenamente cumprida: 1) a centralidade do indivíduo no sistema; 2) o revigoramento da representação (do mandato-não imperativo) e 3) o aperfeiçoamento de sistemas electivos e de representações supranacionais (com a velha ideia iluminista de cidadania universal) que já existem (por exemplo, o Parlamento Europeu) e que até têm dado boas provas.       <br />
              <br />
       <b>Discrasia da representação       <br />
       </b>       <br />
       Em boa verdade, o que se passa – mas era disso que Rosanvallon devia falar - é que a sociedade moderna produziu canais e formas de participação e de expressão política que transbordam, de facto, as margens do sistema representativo, agindo, depois, sobre ele, com uma tal «pressão ambiental» que acabam por gerar aquilo a que eu chamo «discrasia da representação» ou, mais simplesmente, «anemia democrática». E por várias razões:       <br />
       1. porque a política democrática foi forçada a deslocar o seu centro geométrico das clássicas estruturas de participação e de expressão política para o espaço público mediatizado, sobretudo o electrónico, ou seja, para um não-lugar, anulando totalmente as fronteiras do tradicional espaço deliberativo, que eram espaciais e físicas;       <br />
       2. ao fazê-lo, deslocou também o centro do poder deliberativo para a instância mediática, em perfeita e total homologia discursiva;       <br />
       3. e ao retirar o seu centro geométrico das estruturas de participação e de expressão política tradicionais, comunitárias, associativas, localmente enraizadas e estruturadas, que eram também estruturas de natureza representativa, deslocando-o para o novo espaço público mediático, a política subtraiu, ipso facto, poder ao cidadão, porque induziu um processo de «partilha da soberania delegada» entre a representação institucional e instâncias não electivas, resultando daqui também uma evidente «confusão de géneros» e uma maior «discrasia da representação política». Não se tratou, evidentemente, de uma livre opção voluntária ou conjuntural, mas de uma profunda mutação estrutural na própria natureza da política: da «política de matriz orgânica» passou-se para a «política de matriz comunicacional». Só que esta mudança estrutural acabou por gerar - devido ao poder dos «media», em particular da televisão - um fenómeno de total homologação do discurso político ao discurso mediático que viria a afectar o próprio mecanismo da representação e da delegação de soberania. São, de resto, muito bem conhecidos os efeitos da irrupção da televisão na comunicação política, a partir dos anos sessenta do Século passado.       <br />
              <br />
       <b>Reapropriação da soberania confiscada</b>       <br />
              <br />
       Ora, a verdade é que a ideia de relançamento da cidadania só será compreensível e aceitável se ela representar, em primeiro lugar, uma reapropriação, pelo cidadão, da «soberania confiscada», antes, pelos directórios partidários («partidocracia») e, agora, pelos directórios mediáticos («mediocracia»), e, em segundo lugar, uma revalorização do« valor de uso do voto», designadamente através de um reforço da «cidadania activa» a montante e a jusante dos processos eleitorais, mas sempre em função deles. Porque se alguma vantagem poderia haver na deslocação do centro da deliberação política para esse não-lugar do novo espaço público (que, afinal, acabou por, na era mediática, se confundir com as redacções das rádios, dos jornais e dos telejornais) ela só poderia acontecer se se verificasse uma efectiva emergência do cidadão individual como protagonista político directo, dotado de autonomia discursiva pública e com capacidade efectiva de condicionar as próprias «agendas» pública e política. O que de todo não foi possível na era mediática por falta de meios autónomos de acesso ao espaço público – que foi sempre um espaço mais ou menos condicionado - e por força da lógica dominante das grandes organizações – dos «media» aos partidos políticos. É claro que os «media» permitiram um alargamento da intervenção política para além da esfera das elites políticas tradicionais (do parlamentarismo à «democracia de partidos»), mas nem por isso deixaram de agir no interior de uma lógica que era equivalente à das grandes organizações partidárias («catch all parties« versus «catch all media»). Lógicas que, de resto, se replicavam. Ora é este panorama que hoje começa a estar superado, tantos são os canais disponíveis de acesso a um espaço público que está a convergir cada vez mais para esse «espaço intermédio» universal que designamos por Rede. O que aconteceu foi que com o espaço público mediático o indivíduo singular estava mais identificado funcionalmente com o espectador, o leitor ou o ouvinte do que com o «cidadão activo», não dispondo, por isso, de virtuais capacidades operativas de livre estruturação do espaço público. Isto só viria a acontecer com a Rede. E, aqui, sim, passou a ser possível construir uma «democracia participativa» plenamente compatível com a democracia representativa, praticável a partir desse não-lugar que é a Rede e centrada num cidadão não dependente nem dos «gatekeepers» mediáticos nem dos velhos comunitarismos militantes. Ou seja, aqui passou a ser possível superar os problemas que resultaram da emergência dos «media» como directos protagonistas políticos e como espaço público de acesso condicionado, sem transgredir aquelas que são as bases essenciais da democracia representativa, o princípio electivo e o indivíduo enquanto seu suporte ontológico decisivo. Além disso, o exercício democrático, nesse plano superior da comunicação em rede, poderá constituir sem dúvida um enorme «upgrade» naquele que continua a ser o menos mau dos sistemas políticos disponíveis. E a verdade é que nunca como hoje os cidadãos tiveram tantos meios de livre acesso ao espaço público, embora reconheça que também nunca como hoje os poderes fortes organizados tiveram tantos meios para agir instrumental e eficazmente sobre as consciências.       <br />
       <b>       <br />
       O sistema representativo e o «discurso do impolítico»</b>       <br />
              <br />
       Uma coisa é certa: a «democracia permanente», ou seja, como «forma de sociedade», como pretende Rosanvallon, tenderá sempre a abafar o «discurso do impolítico», do politicamente irredutível, que vale socialmente muito, mas que nunca deve ser convertido numa função do poder, mesmo que seja o democrático. Ora eu creio que a democracia representativa ainda continua a ser aquela «forma política» que melhor garante a expressividade e a autonomia do impolítico socialmente útil e relevante. Como alguém diria, há mais vida para além da política. E a política tem mesmo o dever de a preservar. E que melhor sistema do que o sistema representativo para garantir a autonomia da esfera do não político? O velho e lúcido Benjamin Constant, no seu discurso de 1819, no Real Ateneu de Paris, sobre a liberdade dos antigos comparada com a dos modernos, formulou esta distinção de forma admirável: ao contrário dos antigos gregos, a representação política existe para que os cidadãos possam perseguir os seus fins privados em total liberdade, sem que, com isso, deixem de cuidar convenientemente do interesse público comum (através dos representantes). É certo que cada vez mais se fala de «aldeia global», mas não é preciso exagerar, procurando restaurar a velha democracia directa de ateniense memória, mesmo que os novos meios pareçam torná-la possível! Não nos esqueçamos que na Grécia antiga escravos, estrangeiros e mulheres não participavam na gestão da polis, porque não eram considerados cidadãos.       <br />
       
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/Democracia-pos-electoral-una-paradoja_a20.html" />
  </entry>
  <entry>
   <title>Política y Comunicación en el Portugal de Hoy</title>
   <updated>2011-02-14T14:08:00+01:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/Politica-y-Comunicacion-en-el-Portugal-de-Hoy_a19.html</id>
   <category term="Bitácora" />
   <published>2011-02-14T14:08:00+01:00</published>
   <author><name>João de Almeida Santos</name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
En este ensayo intento describir críticamente el panorama de la comunicación política en Portugal, sus modelos dominantes, posición y función de la prensa, de la televisión y de la Red en la comunicación política, paralelismo político-mediático, cambios y perspectivas hacia un futuro que se vuelve cada vez más inminente, sobretodo porque un nuevo modelo de comunicación reticular ya está poniendo nuevas y urgentes exigencias a la política democrática. En Portugal, la prensa escrita está perdiendo cada vez más lectores, siguiendo una tendencia general, mientras la televisión mantiene altos niveles de audiencia y los usuarios de la Red son cada vez más numerosos, poniéndose esta como espacio intermedio para donde todos los actores están convergiendo, disputando la dominancia al viejo modelo mediático de comunicación. La política en Portugal no sigue siendo muy diferente respecto a otros países occidentales. Sus modelos equivalen a los de las otras democracias occidentales y sus índices son también equivalentes. Es por eso que esta reflexión concluye que las soluciones para la política en Portugal son las mismas que hay que proponer para las otras democracias. Claro que nuestro modelo es un poco diferente del modelo liberal porque las relaciones y las intensidades internas del modelo que Hallin y Mancini llaman «pluralista polarizado» (relaciones Estado-medios, profesionalismo, niveles de información ciudadana, códigos éticos, etc.), en el que Portugal se incluye, son algo diferentes de las que ocurren en el «modelo liberal» o en el «modelo democrático corporativo» de Norte Europa. Además, trátase de una joven democracia, con menos de cuarenta años de vida, con una tradición institucional, política y administrativa muy joven, pero también muy compleja y difícil, que hay que seguir reformando con alguna profundidad en muchos de sus aspectos.     <div>
      
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
     <div>
      <b>I.       <br />
              <br />
       A.</b> O tema «Poder político e comunicação» convoca a uma inovação profunda na teoria política: a simbiose entre a teoria política clássica e a teoria de comunicação. Sobretudo hoje que o paradigma comunicacional está a mudar radicalmente, com o modelo reticular de comunicação a fagocitar progressivamente o velho e poderoso modelo mediático, num território onde a disputa pelas audiências continua a determinar os ritmos de afirmação quer do poder mediático quer do poder político. Uma evolução que também está – como veremos - a acontecer em Portugal.       <br />
              <br />
       <b>B.</b> Portugal não constitui, de facto, uma excepção nas relações entre «política e comunicação», relativamente às outras democracias ocidentais. Tem uma democracia estabilizada, um sistema de partidos estabilizado, um nível de participação política razoável, com uma abstenção média durante os anos da democracia de 27,83% (de 1975 a 2009, embora tenha vindo a aumentar ao longo do tempo), vários grupos económicos de comunicação, ou com presença na comunicação, com alguma dimensão e, portanto, um subsistema comunicacional estruturado e relativamente robusto, bem entroncado no sistema político democrático.        <br />
              <br />
       Os  principais Grupos económicos com presença na comunicação social são os seguintes:        <br />
              <br />
       Controlinvest (Sport/TV, «Diário de Notícias», «Jornal de Notícias», TSF), RTP, serviço público de rádio e televisão (RTP1, RTP2, RTPN, RDP e parte da Agência de Notícias LUSA), Impresa (SIC, «Expresso», «Visão»), Media Capital/Prisa (TVI, Rádio Comercial), Cofina («Correio da Manhã», Jornal de Negócios), Sonae («Público»), Ongoing («Diário Económico», ETV), Estado/Privados (Agência de Notícias «Lusa») etc..  Do «Sol», semanário com uma venda média de cerca de 51 mil exemplares no 1º Semestre de 2010, o accionista maioritário é um Grupo luso-angolano (Newshold). Quanto a partidos, temos cinco com representação parlamentar (230 Deputados): PS (36,56%, 97 Dep.), PSD (29,11%, 81 Dep.), CDS/PP (10,43%, 21 Dep.), BE (9,81%, 16 Dep), PCP/PEV (7,8%, 15 Dep.). Existe também um partido ecologista «Os verdes» (PEV), que, aliás, tem Grupo Parlamentar. Todavia, como nunca se apresentou autonomamente a votos, não se sabe exactamente o que vale ou se, sequer, existe, visto o limitado score eleitoral do PCP, com o qual está aliado. Na verdade, o que se diz é que é verde por fora e vermelho por dentro… ou seja, que é um desdobramento parlamentar do PCP, o único partido que, através deste artifício, consegue ter dois grupos parlamentares na Assembleia da República. Curiosidades lusas!!        <br />
              <br />
       O sistema eleitoral é proporcional (Método d’Hondt) e tem até produzido várias (três) maiorias absolutas (equivalente a 12 anos de governo), o que é algo contraditório com a sua própria natureza. O que, todavia, prova a sabedoria dos eleitores… o seu desejo de estabilidade política.       <br />
              <br />
       <b>C.</b> Daniel Hallin e Paolo Mancini, no seu excelente livro «Comparing Media Systems. Three Models of Media and Politics (Cambridge University Press, 2004; edição italiana da Laterza, Roma-Bari, 2009, a partir da qual passarei a citar»), colocam o subsistema mediático português num modelo que eles designam como «pluralista polarizado» e  no qual se incluem também a Espanha, a França, a Itália e a Grécia. Neste modelo, a política sobredetermina o sistema mediático de forma mais intensa do que nos outros dois modelos - que são o liberal (América, Canadá, Reino Unido) e o democrático-corporativo (sobretudo na Europa do Norte, mas também na Áustria e na Suíça) -, a presença e a influência do Estado nos media é mais significativa, o profissionalismo jornalístico é menor, a instrumentalização e o clientelismo maiores, os índices de acesso à informação analítica (imprensa) pelos cidadãos são inferiores, ao mesmo tempo que o diferencial entre  consumidores de TV/jornais é muito mais elevado. Por exemplo:  comparando os três modelos, do ponto de vista da difusão de jornais por 1000 habitantes (dados de 2000, World Association of Newspapers), o que se verifica é que no modelo pluralista-polarizado a difusão corresponde, em média, a menos de metade do modelo liberal e é cerca de três vezes e meia inferior ao modelo democrático-corporativo. Por outro lado, o diferencial entre o consumo de televisão e o consumo de imprensa escrita é também muito maior do que nos outros dois. É que naquele modelo a tradição liberal é muito mais recente e muito menos intensa.       <br />
              <br />
       <b>II.</b>       <br />
              <br />
       E eu creio que esta visão, no essencial, está correcta. Mesmo assim, eu diria que em Portugal se verificam as seguintes características:         <br />
              <br />
       <b>1.</b> Os media, enquanto tais, intervêm de forma muito intensa na política, procurando - e, de certo modo, conseguindo – determinar a agenda política. Mas não creio que se trate daquilo que vulgarmente designamos por processo público deliberativo, porque, na verdade, do que se trata é mais da intervenção do poderoso establishment mediático do que de uma irrupção difusa da cidadania activa. Temos, de facto, um sistema mediático vasto e forte (e diria mesmo desproporcionado, relativamente à robustez da sociedade civil), com um conjunto muito amplo de comentadores e editorialistas (da imprensa à televisão generalista e por cabo) que não só desenvolvem permanente e sistematicamente uma monitorização da situação política como determinam em boa parte a própria agenda política. A situação é tão curiosa que se verifica uma autêntica corrida dos políticos mais ou menos profissionais à própria condição de comentadores, se possível residentes.  O comentário político – dominante, neste modelo, segundo Hallin e Mancini – é, pois, muito intenso e vasto em Portugal. Diria mesmo que é invasivo, porque filtrado pelo próprio poder mediático, que pode dar voz a quem quer e quando quer, designadamente aos protagonistas políticos, promovendo uns e silenciando outros, consoante os ciclos e a posição relativa que ocupam no sistema de poder. Por outro lado, o modelo de jornalismo dominante em Portugal ao mesmo tempo que (a) age sob uma forte influência do conceito de «liberdade negativa», que era apanágio dos velhos liberais (liberdade relativa ao Estado), mas também, por um lado, fruto de uma radicada tradição de combate ao autoritarismo salazarista e, por outro, de um muito recente exercício democrático, desenvolve também, (b) uma cultura de jornalismo militante, «advocacy», expressamente como discurso ético-político militante e mesmo castigador, mas também, como explícito exercício de poder, promovendo a agenda política dos escolhidos de circunstância (partidos ou candidatos à Presidência: os exemplos abundam). Trata-se, em Portugal, de um grupo social muito poderoso que exibe regularmente sinais exteriores de poder, designadamente através de uma não contida agressividade e arrogância relativamente ao eleitos. Muitas vezes agindo como se o regime não fosse democrático.       <br />
              <br />
       <b>2.</b> A televisão é, de longe, o meio mais poderoso, em termos de comunicação política, e os telejornais em prime time são os principais alvos de cobiça dos gabinetes de comunicação dos partidos e dos governos, visto o universo gigantesco de espectadores que atingem, ou seja, em média, cerca de 4, 5 milhões, em prime time (RTP1, SIC, TVI – que, em média, exibem um universo de cerca de 3,5 milhões de espectadores por telejornal -, RTP2, RTPN, SIC Notícias e TVI24H), para uma população de cerca de 10 milhões e setecentos mil habitantes.       <br />
              <br />
       <b>3.</b> O fenómeno da personalização da política (próprio da era televisiva) é, por isso mesmo, em Portugal, muito intenso, resultante do domínio incontestado da televisão como meio de comunicação política e informativa. É claro que em Portugal, a par desta tendência, se verifica uma forte estabilidade no sistema de partidos, podendo dizer-se que estes mantêm sólidos núcleos duros eleitorais que lhes garantem uma determinada estabilidade para além das concretas lideranças. Por exemplo, o PS e o PSD mantêm uma base eleitoral ao longo dos tempos – entre 1975 e 2009 - praticamente equivalente (com cerca de +1.5 a favor do PS, ou seja, com 35,98% para o PS e 34,53 para o PSD, excluídas as eleições de 1979 e de 1980, onde houve coligações). Isto é, os partidos mantêm uma base orgânica muito estável, devendo-se as alterações nas maiorias sobretudo a dois factores: por um lado, (a) ao desgaste dos governos em funções; por outro lado, (b) à imagem das lideranças, num processo onde a personalização da política pode fazer, de facto, a diferença. As últimas eleições legislativas de Setembro de 2009 foram um claro exemplo disso.       <br />
              <br />
       <b>4. </b>Se o sistema partidário português é, como na maior parte das democracias ocidentais, um sistema de alternância entre dois grandes partidos (do tipo «catch all parties»), PS e PSD, o sistema comunicacional é mais complexo, uma vez que (a) no plano televisivo, tem três grandes canais generalistas em sinal aberto («catch all media») – RTP 1, SIC e TVI -  que se equivalem (mais a RTP2, que tem um alcance substancialmente inferior), exibindo, ao mesmo tempo, por satélite e/ou cabo, mais três canais com algum impacto nacional (RTPN, SIC Notícias e TVI24Horas); e (b) no plano da imprensa escrita, exibe um panorama algo mais complexo, uma vez que os dois diários de referência alternativos («Público» e «Diário de Notícias») têm uma expansão pouco superior a 30 mil exemplares (respectivamente, 33.039 e 30.440, como média de circulação em 2010, 1º semestre), ou seja, um número absolutamente insignificante, ao mesmo tempo que um diário com vocação omnibus, mas de tendência vincadamente tablóide, o «Correio da Manhã», se apresenta como o maior jornal português, com 126 mil exemplares diários (dados dos 10 primeiros meses de 2010). Nem um  semanário como o «Expresso» (110.420 exemplares, no mesmo período) se aproxima dele, estando a ficar, aliás, cada vez mais distante.        <br />
              <br />
       Se fizermos um pequeno exercício, somando os principais sete jornais diários em circulação («CM», «JN», «P.», «DN», «DE», «I.», «JNeg»), e que interessam para a comunicação política, concluímos que, no total, a circulação média paga destes jornais é de cerca de 29 jornais por mil habitantes. De resto, a soma global  (dados de 2010), não sendo muito superior ao «Jornal 2», da RTP 2 (cerca de 309.000 contra 216.000 – este, dado médio entre 2002 e 2006), é muito inferior ao número de telespectadores de um único Telejornal da RTP1 (1.050.000 - dado médio de 2002-2006): quase  3 vezes e meia. O que acontece é que os diários de referência, normalmente, conseguem influenciar a agenda dos próprios telejornais, sendo, portanto, a sua influência indirecta, mas qualitativamente relevante. Devo também acrescentar que a TSF, também ela influenciada pelos jornais, parece manter um razoável nível de influência em toda a agenda informativa da manhã.       <br />
              <br />
       Como se vê, o panorama mediático é mais complexo do que o panorama político, sendo certo que a imprensa escrita tem uma expressão muito reduzida, cedendo todo o poder de influência à televisão. Isto confirma uma outra tendência do modelo de Hallin e de Mancini, chamado «pluralista polarizado», no sentido em que se verifica  um diferencial mais elevado, neste modelo, entre a TV e a imprensa escrita. Um só exemplo, referido por Hallin e Mancini: na relação televisão/jornais diários, Portugal apresentava, em 2001 (dados da Comissão Europeia), numa lista de 14 importantes países europeus, o segundo mais alto diferencial (3,2), logo a seguir à Grécia (5,0), ou seja, por cada 64 telespectadores só vinte é que liam jornais diários. Mas, como vimos, e na relação que aqui nos interessa - a que diz respeito à informação - este diferencial já é de quase 3,5 na relação entre os 7 jornais diários que contam e um só telejornal, o da RTP1.        <br />
              <br />
       <b>5.</b> Fruto desta situação, ou seja, porque a conquista do espaço televisivo dos telejornais se revela decisiva em Portugal, nas campanhas eleitorais o trabalho principal ainda continua a ser feito pelos partidos, sendo a intervenção de empresas especializadas (que, naturalmente – ou não! -, é exclusiva, por exemplo, no caso das sondagens ou dos estudos de opinião) confinada à prestação de serviços específicos (por exemplo, de tratamento de imagem – Outdoors, por exemplo - ou de organização técnica de alguns eventos). De resto, sendo os telejornais o principal destinatário dos eventos de campanha, muito do trabalho de comunicação cabe às assessorias dos partidos ou dos governos, ficando a mobilização no terreno a cargo das estruturas regionais dos partidos. De certo modo, esta importância das estruturas deixa ainda uma grande margem à intervenção de tipo orgânico. Diria mesmo que esta opção decisiva pelos telejornais (componente comunicacional) encontra no trabalho de mobilização orgânica o seu contraponto necessário, reduzindo-se assim a margem de manobra das empresas especializadas em comunicação. Os próprios partidos portugueses não dispõem de sólidos Gabinetes de Comunicação, uma vez que está instalada uma cultura de assessoria, no fundamental integrada por jornalistas desempenhando essas funções.        <br />
              <br />
       Esta tendência está também muito condicionada por uma visão instrumental da comunicação política, particularmente centrada nas relações pessoais entre os assessores/jornalistas e as redacções dos jornais e dos telejornais. Também aqui entra em grande a componente orgânica da política.        <br />
              <br />
       <b>6.</b> Em Portugal, sendo a televisão o principal veículo de comunicação política, aquele meio que os partidos políticos procuram condicionar através de influência (neste caso, o papel dos assessores junto da corporação dos jornalistas é decisivo) e de iniciativas que os coloquem no topo da agenda mediática, para condicionarem decisivamente o alinhamento dos telejornais, a verdade é que, como os estudos disponíveis têm demonstrado (veja-se, por exemplo, Nuno Goulart Brandão, 2002, O espectáculo das Notícias, Lisboa, Editorial Notícias; e , 2006, Prime Time. Do que falam as notícias dos telejornais, Lisboa, Casa das Letras), a informação dos telejornais tende cada vez mais a ser de natureza tablóide, lá onde a categoria do negativo surge transversalmente em todos os géneros informativos. É por isso que, em Portugal, temos vindo a assistir a um crescendo na intensa exploração mediática de casos/escândalos. Durante os últimos seis anos – desde a campanha eleitoral até hoje - a vida do actual Primeiro Ministro tem servido de pasto infindável à voracidade tablóide dos telejornais. O caso da TVI e do «Jornal Nacional» de Sexta-Feira é o mais notável dos exemplos e viria, até, a provocar uma Comissão de Inquérito para averiguar acerca da eventual compra deste canal pela «Portugal Telecom», supostamente ao serviço da estratégia do Governo português para silenciar uma voz incómoda. Mas a exploração mediática de casos ou escândalos tem sido uma constante ao longo da última década e meia: caso «Freeport», Escândalo da «Casa Pia», «Caso Maddie», «Queda da Ponte Entre-Rios», «Fundação para a Prevenção e Segurança», «Apito Dourado» e, agora, «Face Oculta». O que está em questão é a exploração até à náusea de casos que muitas vezes nem sequer têm grande consistência, mas que servem para alimentar grande parte das infindáveis emissões dos telejornais com o único objectivo de garantir audiências em prime time – e, portanto, publicidade - em regra durante mais de uma hora. No caso da criança inglesa Madeleine McCann, durante 13 dias, um canal nacional de grande audiência (a SIC) dedicou-lhe 42% do tempo médio do telejornal, tendo chegado a ocupar quase uma hora de um telejornal de 79 minutos. A recente morte de um cronista da imprensa cor-de-rosa em circunstâncias dramáticas, em New York, foi noticiada até à exaustão, enquanto a morte de um dos principais obreiros da Revolução Democrática de Abril, Vítor Alves, foi quase silenciada! Os  exemplos valem pelo excesso, pelos critérios informativos e pela noção de serviço público que subjaz a estas decisões editoriais, lá onde as funções de cidadania são transformadas em espectacularidade para conquista de audiências. Ou seja, a ideia de serviço público surge cada vez mais como categoria residual na estratégia informativa.       <br />
              <br />
       <b>7.</b> Um outro aspecto muito importante diz respeito à emergência da Rede. Segundo dados da www.internetworldstats.com Portugal já conta com cerca de 5.168.800 usuários, que correspondem a 48,1% da população, registando-se no «Facebook» 2.688.820 usuários, que correspondem a uma penetração de 25% (dados de 2010). São números que nos devem pôr a pensar sobretudo quando comparados com os números disponíveis no universo mediático. Como vimos, dois diários de referência como o «Público» e o «Diário de Notícias» registaram, em conjunto,  no primeiro semestre do ano passado, uma circulação média de cerca de 63.500 exemplares (sendo, nos primeiros 10 meses, um pouco superior: cerca de 64.000 exemplares, segundo dados da APCT). Num universo mais amplo, mas agora relativamente a dados de 2000 (WAN -Hallin e Mancini, 2009: 24), Portugal apresentava 82,7 jornais por cada 1000 habitantes, o que representava um número extremamente baixo quando comparado com países como a Noruega (719,7), o Reino Unido (408,5), os Estados Unidos (263,6), a França (190) ou a Espanha (186). Na relação televisão/jornais diários, no modelo pluralista-polarizado, em que Portugal se inclui, o diferencial entre consumidores de TV e de jornais é, em média, cerca de duas vezes e meia maior do que no «modelo democrático-corporativo», enquanto na comparação com a relação verificada no Reino Unido («modelo liberal») a média daquele modelo é superior em cerca de 61% (2004: 27).        <br />
              <br />
       <b>8.</b> Ora o que é interessante notar é que, constatando-se, em geral, em relação a estes países, uma correspondência genérica na hierarquização dos níveis de penetração dos jornais e da Rede, comparativamente, os índices de penetração da Rede são, em Portugal, muito superiores aos dos jornais. Vejamos: enquanto Portugal representava, em 2000 (e note-se que a tendência tem sido de queda progressiva: nos dez primeiros meses de 2010, o «DN» e o «Público» sofreram, respectivamente, quebras da ordem de 13% e de 10,72% relativamente ao período homólogo anterior – com 30.040 e 33.923, respectivamente, - sendo certo que o «Público» ainda podia exibir em 2003 e 2004, respectivamente, 56.239 e 52.976 exemplares de circulação total por edição, ao mesmo tempo que o «DN» apresentava uma média de 50.794 e de 42.699, no mesmo período), proporcionalmente, em leitores de jornais, somente 11,5% dos leitores noruegueses, já em relação à Rede a penetração portuguesa corresponde (em 2010) a 50,7% da penetração norueguesa. Algo equivalente se passa em relação aos USA: 31,37% dos leitores americanos de jornais, mas já 62,2% da penetração da Rede americana (em 2010). Em relação a Espanha,  a 44,4% dos leitores espanhóis de jornais (dados de 2000) corresponde 76,8% da penetração da Rede espanhola (dados de 2010). Em relação ao Facebook, Portugal supera a Espanha (23,7%) e a Alemanha (13,2%). A verdade é que o crescimento tendencial da Rede é manifestamente superior ao crescimento da imprensa escrita, se é que não se revela, de facto, inversamente proporcional: caem os media tradicionais (neste caso, a imprensa escrita), relativamente a paupérrimos índices de que dispunham, e aumenta exponencialmente a Rede. É por isso que não poderia estar mais de acordo com o que diz Jesús Timoteo: na Rede, e em especial nos terminais móveis, o espaço dos «nativos digitales» e dos «inmigrantes digitales», em breve se jogará o destino das eleições, uma vez que nela já se encontra cerca de 50% dos eleitores. Lembro o caso de Portugal: 48,1% de usuários da Rede, com um Facebook com 25% de penetração.       <br />
              <br />
       <b>9.</b> O que é que pretendo significar com estes números? Simplesmente que a) temos um nível de informação analítica, via imprensa escrita, demasiado baixo e, mesmo assim, com forte tendência a decrescer, como se verificou no 1.º semestre de 2010; b) que a nossa informação é excessivamente dependente da televisão e que, não só pelas características intrínsecas desta informação (não analítica, curta, centrada na imagem e na emoção), mas sobretudo pela sua clara evolução tablóide, onde a categoria do negativo impera, não pode, por tudo isto, desempenhar cabalmente as funções de cidadania que estão implícitas na noção serviço público de informação; c) mas que a comunicação via Rede tem vindo a crescer exponencialmente, exibindo um diferencial em relação aos outros países muito inferior ao que podem exibir os media. Ou seja, o nível de penetração da Rede, as suas características e o modelo de comunicação envolvido permitem-nos pensar que, em linha de princípio, estamos perante um novo modelo de comunicação que nos poderá ajudar a superar o limitado (em quantidade e em qualidade) panorama mediático-informativo que temos em Portugal, melhorando a qualidade da nossa democracia.       <br />
              <br />
       <b>10.</b> É certo que os níveis de penetração da Rede, em Portugal, nos permitem afirmar que os canais de intervenção na política aumentaram exponencialmente - desde os e-mails aos blogs, às chamadas redes sociais, Facebook, MySpace, Twitter, ou à importante rede móvel, SMS, que tão decisiva já revelou ser, por exemplo, em Espanha, em 2004, etc., - rompendo, estes canais, definitivamente com o monopólio dos chamados «Gatekeepers» mediáticos. Todos os partidos com assento parlamentar possuem «Sites» e a maior parte já está nas redes sociais, sobretudo no Facebook, no Youtube ou no Twitter. O que indicia uma atenção especial dos partidos ao novo modelo comunicacional. E, todavia, esta atenção não deve ser interpretada como o início de uma viragem substantiva, uma vez que a TV continua a ser o meio que domina a atenção da comunicação política dos partidos. É o domínio da chamada «lógica do sofá»: enquanto houver um sofá, a televisão tenderá a impor-se como o meio de comunicação de massas mais potente. Até mesmo na campanha presidencial americana, onde a Rede foi decisiva, por exemplo na recolha dos fundos da campanha, onde obteve 67% do total (contra 20% de Hillary Clinton, nas primárias, e os 17% de John McCain), Obama não deixou de fora os suportes tradicionais de comunicação: por um «spot» televisivo de meia hora, transmitido pelas CBS, NBC e FOX, o actual Presidente USA terá gasto 5 milhões de dólares, na parte final da campanha. Certamente. Até porque os partidos políticos nasceram e continuam a  mover-se no interior da lógica inscrita na relação emissor-receptor, que é exactamente a mesma do chamado modelo mediático de comunicação. Ou seja, a comunicação através da Rede, pelos agentes políticos tradicionais, continua a obedecer ao código da comunicação vertical ou instrumental, inscrita na relação sujeito-objecto, obedecendo, portanto, a sua migração para a Rede sobretudo a uma lógica dominante de colonização do espaço reticular. Colonização que se desenvolve através da importação para este espaço da lógica do emissor-receptor própria das grandes organizações, sejam elas políticas ou mediáticas (Catch all parties/Catch all media). A verdade é que os partidos, configurados também eles, como os media, a partir do paradigma do emissor-receptor, têm inscrito no seu ADN um registo matricial vertical, top-down, que, sendo compatível com o espaço reticular, nem por isso se identifica, necessariamente, com a sua lógica interna, que é de tipo horizontal e down-top, porque este espaço exprime algo de tão novo que já não cabe nesse paradigma tradicional.        <br />
       <b>       <br />
       11.</b> Esta talvez seja a razão pela qual os agentes políticos convencionais ainda continuam a dar, pelo menos em Portugal, a maior importância ao suporte televisivo de comunicação. Mas, em boa verdade, é o próprio «modelo reticular» que, de algum modo, a isso os obriga, porque a sua deixou de ser – no plano estrutural do novo paradigma – uma lógica top-down para passar a ser uma lógica down-top, que tende a favorecer a emergência daquilo a que Jesús Timoteo chama «poder diluído», ou seja, a emergência do indivíduo singular no chamado espaço público deliberativo, sem filtros ou sem pedidos de autorização ao establishment mediático ou ao establishment político para aceder ao espaço público.  O recente caso do Wikileaks mostra bem como a lógica do emissor-receptor, com o inerente «gatekeeping», que faz parte da sua natureza, acaba de ser ultrapassada, envolvendo media que, em condições normais, talvez acabassem por não publicar os materiais que estão a agitar a cena política mundial.       <br />
              <br />
       Ou seja, a Rede inaugura um tempo novo que é mais amigo dos indivíduos singulares do que das grandes organizações, por mais que estas estejam a colonizar este espaço, transpondo para o seu interior as relações de força que já se verificam cá fora.        <br />
              <br />
       Mas se tudo isto é certo, também é certo que não será a natureza do novo meio – espaço intermédio ou espaço reticular – a constituí-lo como motor da história se não for a própria história a fazer dele o seu motor principal.       <br />
              <br />
       <b>III.</b>       <br />
              <br />
       <b>12.</b> Finalmente, termino como comecei: Portugal não escapa às tendências que se verificam nas outras democracias, mantendo a comunicação política no plano do modelo mediático de comunicação, mas utilizando o espaço reticular para reforço de uma comunicação centralizada e unidireccional. Porque este ainda é o mesmo modelo dominante de funcionamento da democracia representativa, com todos os seus agentes/sujeitos tradicionais bem conjugados com os «gatekeepers» de mediática memória. É por isso que a atenção central da comunicação política ainda continua virada para os telejornais em prime time, assumindo-se implicitamente como dominante a ideia de que continuamos a viver numa sociedade de massas, pouco activa naquilo que o Castells designa por «mass-self communication», ou seja comunicação individual de massas. Mas certamente não tardará muito que a política tenha que incorporar, de facto, na sua própria matriz esse novo modelo de comunicação em Rede, até porque já estamos num novo modelo horizontal de construção do consenso,  onde é o próprio user/eleitor a decidir os canais, as modalidades e as formas de acesso e de participação nesse imenso espaço intermédio que é a Rede, a partir de um único terminal de convergência multimédia. De resto, este user/eleitor individual tanto pode entrar numa lógica horizontal de «solidão múltipla» ou de «multidão/massas solitária» (Virilio), de tipo «broadcasting», como pode entrar numa lógica de rede social (relacional) ou, ainda, de protagonismo/virtuosismo solitário nesse novo espaço intermédio, universal, sem centro e sem fronteiras. O que é facto é que a lógica das grandes organizações deixou de ocupar, em regime de monopólio, o espaço público para passar a ter de o partilhar com a lógica do «poder diluído» (Jesús Timoteo) ou do micropoder (Javier Cremades) ou, para o dizer com Castells, a lógica da comunicação de massas (mass communication) passou a ter de conviver com a lógica da comunicação individual de massas (mass self communication). O que tem implicações políticas de alguma radicalidade.       <br />
       
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/Politica-y-Comunicacion-en-el-Portugal-de-Hoy_a19.html" />
  </entry>
  <entry>
   <title>La Red y la Democracia: ¿una simetría perfecta?</title>
   <updated>2010-12-13T12:39:00+01:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/La-Red-y-la-Democracia-una-simetria-perfecta_a18.html</id>
   <category term="Bitácora" />
   <published>2010-12-13T10:14:00+01:00</published>
   <author><name>João de Almeida Santos</name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
En este ensayo intento descubrir la simetría perfecta entre el modelo de comunicación de la Red, que es pos-mediático, y el sistema democrático representativo, poniendo en el centro de mi análisis el concepto de individuo. La tradición de los estudios de comunicación conoce dos tentativas de establecimiento de paralelismo entre sistemas sociales y políticos y sistemas mediáticos. El primero fue de Siebert, Peterson y Schramm, «Four Theories of the Press», de 1956. El segundo de Daniel Hallin y Paolo Mancini, «Comparing Media Systems. Three Models of Media and Politics», de 2004. Estas investigaciones, han trabajado, sin embargo, con el viejo modelo de comunicación emisor-receptor (one-to-many, diría Castells) o sujeto-objeto. Por eso, la simetría que los autores han encontrado era, todavía, una simetría imperfecta porque se verificaba solamente entre los emisores (comunicacional y político), por ejemplo, entre los media y los partidos (Hallin y Mancini hablan de «Catch all media» al lado de los «Catch all parties). Pero la simetría no se verificaba entre los receptores, o sea entre, por ejemplo, espectadores y ciudadanos, muy diferentes entre sí. Lo que yo propongo es una nueva simetría – perfecta - entre el modelo comunicacional de la red y el modelo de la democracia representativa, donde el modelo de internauta corresponde al modelo de ciudadano, o sea donde red y sistema representativo están en una simetría perfecta. Esta simetría corresponde a un nuevo tipo de poder, el poder diluido, de que habla Jesús Timoteo.     <div>
      
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
     <div>
      <b>1. A simetria imperfeita</b>       <br />
              <br />
       Na segunda metade do século XX, o processo de expansão e de afirmação dos grandes media, a concorrência, a procura de grandes audiências, geradoras de receitas publicitárias, de capacidade persuasiva e de influência em todos os sectores da sociedade, correu paralelo ao processo de afirmação daqueles grandes partidos de alternância governativa que viriam a ser designados como «Catch all Parties». Este processo desenvolveu-se em simultâneo com a corrida dos grandes partidos ao centro sociológico do eleitorado, à «middle class», exigindo (1) uma crescente quebra de tensão ideológica, (2) uma renúncia progressiva ao «enquadramento intelectual e moral das massas», característico dos grandes partidos-igreja tradicionais, como, por exemplo, a velha Democracia Cristã italiana («La Balena Bianca»), o PCI («L’Elefante Rosso») ou os tradicionais partidos Sociais-Democratas (veja-se Peter Mair em «La trasformazione del partito di massa in Europa», in Calise, Mauro, 1992, Come cambiano i partiti, Bologna, Il Mulino, pp. 99-120); (3) o abandono da classe de referência (a «classe gardée») a favor de um crescente interclassimo; (4) a profissionalização progressiva da decisão política; (5) um modelo estratégico mais ofensivo do que defensivo (este último sendo mais próprio dos partidos-igreja); (6) o reforço dos dirigentes de topo; (7) a passagem da fase orgânica à fase comunicacional da política, etc., etc. O processo de transformação do Labour Party em New Labour, de Neil Kinnock a Tony Blair (de 1985 a 1994), poderia ser dado como excelente exemplo desta transformação (veja-se Calloni, Marina, Org., 1997, Il nuovo Labour. Tony Blair, Milano, Reset).       <br />
              <br />
       Do ponto de vista dos media, este processo resulta, no essencial, da tendência crescente para a privatização, para a empresarialização e para a crescente comercialização, passando estes a adoptar também uma comunicação <b>menos intensa ideologicamente</b>, menos militante e mais asséptica, ou seja, mais próxima daquele que é designado por modelo liberal de informação e que, segundo Daniel Hallin e Paolo Mancini, tende a tornar-se o modelo dominante de informação: «o modelo liberal tornou-se claramente dominante na Europa tal como na América do Norte e, sem dúvida, em grande parte do mundo» (veja-se Hallin, D., e Mancini, P., 2004, Comparing media systems. Three Models of Media and Politics, Cambridge University Press). Modelo que, por isso, também poderíamos designar, à semelhança dos partidos, como <b>«catch all media»</b>, «media agarra-tudo». Em termos de audiências, claro. Nas televisões, nos anos oitenta e noventa, foi notória a passagem de um modelo de serviço público – favorecido pelo controlo estatal – para um modelo comercial em alta concorrência pelas audiências.       <br />
              <br />
       Ora, a <b>tendência simbiótica</b> que, neste período, acabou por se verificar <b>entre os grandes meios de comunicação de massas e a política</b> foi sem dúvida devida a esta comum exigência de luta pelas audiências e de luta pelo consenso – que era também uma luta pela sobrevivência - em ambiente altamente concorrencial. Tendência de tal modo tão forte que há quem afirme que a verdadeira competição deixou de ocorrer exclusivamente entre partidos políticos para passar a ocorrer também entre os media e os partidos políticos. O exemplo mais exuberante desta radicalização verificou-se em Itália, com Berlusconi, a partir de 1994, onde a política passou a poder ser definida, clausewitzianamente, como a «continuação do audiovisual por outros meios». Na transição do velho «bipartidarismo imperfeito» italiano para a era berlusconiana muitos foram aqueles que, de facto, consideraram que os protagonistas centrais da competição política tinham passado a ser os media, colonizando um espaço que até então tinha sido propriedade exclusiva dos partidos.       <br />
              <br />
       Neste período, dominava ainda um <b>modelo mediático de comunicação</b> que não podia exibir uma verdadeira simetria com o modelo político representativo, já que se a <b>simetria</b> se verificava no plano da relação entre <b>media e partidos</b>, ou seja, no plano do <b>emissor</b>, o mesmo não se verificava, como veremos mais à frente, no plano da relação entre <b>espectador/ouvinte/leitor e cidadão</b>, ou seja, no plano do <b>receptor</b>. De qualquer modo, o paralelismo entre sistemas mediáticos e sistemas políticos foi clara e brilhantemente demonstrado, no terreno concreto, mediante análise comparativas, por Daniel Hallin e Paolo Mancini na excelente obra «Comparing media systems» - que prolonga e actualiza a famosa obra de Siebert, Peterson e Schramm, Four Theories of the Press, de 1956 -, onde definem três grandes modelos de jornalismo: o liberal (norte-atlântico), o democrático-corporativo (norte-europeu) e o pluralista-polarizado (sul-europeu). Mas a verdade é que o fazem no interior de um modelo que hoje não só é obrigado a conviver com um outro modelo radicalmente diferente, mas também para o qual aquele acabou por ter de migrar. Trata-se, como é evidente, do <b>modelo reticular de comunicação</b>, um modelo claramente pós-mediático. Ou seja, a simetria que Hallin e Mancini fundamentam é ainda, e tão-só, <b>uma simetria imperfeita, porquanto apoiada numa estrutura básica (a relação emissor-receptor) onde o paralelismo com o sistema político só se verifica plenamente ao nível do primeiro termo</b>, como veremos.       <br />
              <br />
       <b>2. O indivíduo como fundamento ontológico da Rede e da representação política       <br />
       </b>       <br />
       A verdade é que o verdadeiro <b>fundamento ontológico do sistema democrático representativo reside no indivíduo singular</b>, ou seja, no plano político, reside no «cidadão». É este o significado da fórmula clássica «um homem, um voto». Mas ele resulta da própria ideia de sufrágio universal e do exercício individual e secreto do voto, correspondendo a democracia representativa precisamente ao fim da organização da sociedade por ordens ou por corporações e à sua reorganização abstracta através do Estado moderno – o <b>uno</b> dessa <b>multiplicidade caótica</b> constituída pelos indivíduos singulares, como diria Hegel –, com o reconhecimento dos direitos do homem e do cidadão, imputáveis a esse indivíduo singular portador de direitos subjectivos (tal é o sentido da «Declaração dos direitos do homem e do cidadão», de Agosto de 1789). Mas também é verdade que o modelo de Estado representativo, tal como foi teorizado pelos contratualistas, também pressupõe uma sociedade civil constituída por indivíduos singulares. De resto, toda a estrutura da democracia representativa e do próprio ordenamento jurídico está assente nessa ideia moderna de um cidadão que é, ao mesmo tempo, um indivíduo singular e uma função do próprio Estado. O mesmo se poderá dizer relativamente aos media? No essencial, não. Porque neles não encontramos a mesma relação funcional interactiva que encontramos no subsistema político. O leitor, o ouvinte ou o espectador não ocupam um lugar funcional no <b>modelo mediático de comunicação equivalente ao que o cidadão ocupa no sistema político representativo</b>. A sua <b>função constituinte</b> é praticamente nula - trata-se de um receptor, ocupando o lugar do «objecto» na relação sujeito-objecto, o lugar do «P» na predicação «S é P» - ao passo que <b>a do cidadão é estruturalmente constituinte – ocupa o lugar do «S» -, seja no contrato social originário seja, sobretudo, na função recorrente de delegação de soberania</b>. A natureza da respectiva representação é, como se compreende, completamente diferente, na medida em que a do Estado é dominantemente interactiva e a dos media é dominantemente estática. Ou seja, enquanto na representação política a delegação confere poder decisional autónomo e universal ao representante, na representação mediática verifica-se tão-só uma autonomia funcional de narrativa (por parte do emissor) quer em relação ao real representado quer em relação ao receptor. O espectador não é constituinte e a <b>representação, sendo para o espectador, não é do espectador</b>. Isto é, <b>a representação é para o espectador, mas tem origem fora dele</b>. Exactamente <b>o contrário da representação política: ela tem origem no cidadão e é para o cidadão</b>. E essa nova forma televisiva que é a digital não vem alterar, no essencial, a natureza do modelo, uma vez que a sua interactividade  ocorre ainda dentro do modelo mediático de comunicação, embora constitua uma sua função avançada.       <br />
              <br />
       Ora, a verdade é que <b>o ambiente em que se move o cidadão, enquanto função do subsistema político, é muito mais parecido com o ambiente da Rede do que com o ambiente do subsistema mediático</b>. E compreende-se:<b> o internauta possui uma natureza constituinte relativamente à Rede</b>, sendo, a sua, uma relação totalmente interactiva no interior de um modelo cuja natureza é, por definição, ela  própria interactiva. Ou seja, altera-se radicalmente o modelo da relação e o modelo da comunicação.       <br />
              <br />
       <b>3. Televisão: uma prótese cognitiva</b>       <br />
              <br />
       Com efeito, com a emergência da Rede, algo de muito profundo começou a acontecer, e a grande velocidade, no próprio modo de organização das sociedades modernas. Mantendo-se, naturalmente, o modelo democrático representativo como modelo de excelência (ou, pelo menos, como o menos mau dos modelos), a verdade é que no seu interior começaram a desenvolver-se mutações muito profundas. Essas mutações já estavam, de algum modo, a acontecer quando o <b>modelo mediático de comunicação</b> (da imprensa escrita, à rádio, à televisão) <b>ainda detinha o monopólio da comunicação nas nossas sociedades. Quando o «gatekeeping» ainda dominava o processo comunicativo (informativo), sob forma de monopólio do acesso ao espaço público</b>. Mutações induzidas sobretudo pela <b>irrupção da televisão no campo da comunicação e no campo político</b>, logo a partir dos anos ’50. Joshua Meyrowitz fez, no seu excelente «No sense of place. The impact of electronic media on the social behavior», de 1985 (New York, Oxford University Press), uma eficaz descrição do que mudou com a televisão na nossa relação sensorial, perceptiva e cognitiva com o mundo social. Ao mesmo tempo que a representação do mundo, toda ela, convergia para o monitor, convertendo as «mundividências» (Weltanschauungen) em «tele-visão», a política personalizava-se ao máximo, centrando-se em imagens ao alcance de todos, ao mesmo tempo que ruía, na nossa representação do real, a velha compartimentação geracional (crianças/adultos), de género (mulheres/homens) ou política (palco/bastidores), fruto dessa convergência para aquele espaço electrónico único, onde tudo fluía sem barreiras, sem tempo e sem lugar. Mas não só. A mediação televisiva trazia consigo outras consequências ainda mais profundas, ou seja, o mecanismo cognitivo de captação televisiva do real passava a funcionar como uma espécie de <b>prótese cognitiva do espectador</b> que, assim, alargava o campo de conhecimento até uma dimensão universal, ao mesmo tempo que via alterar-se a própria dimensão do real. Na verdade, a televisão, ao mesmo tempo que passava a aumentar exponencialmente a dimensão do real e do simbólico, também passava a transformar o espaço e o tempo em dimensões sem fronteiras e sem profundidade, configurando, o primeiro, como uma espécie de ausência de lugar e, o segundo, como um presente iminente, como um absoluto instantâneo. Mas, mais surpreendente, é que essa prótese cognitiva externa do espectador acabou por se transformar em prótese interna, internalizando-se. Isto verificava-se na relação perceptiva com as dimensões do real (<b>efeito de dilatação do rea</b>l), na relação perceptiva com as conexões espácio-temporais (<b>efeito de proximidade e de banalização</b>) e na relação perceptiva com a própria natureza única e irrepetível dos processos histórico-sociais (<b>efeito de repetição/replay</b>)  (veja-se Santos, J. A., 2000, Homo Zappiens. O feitiço da televisão, Lisboa, Editorial Notícias, pp. 62-65). Por outro lado, a avaliação dos fenómenos reais processados em imagens televisivas podia passar a ser feita através dos mesmos mecanismos cognitivos que o espectador já usava no seu quotidiano. O que viria a ser bem visível na apreciação política dos candidatos a representantes: «read my lips», dizia Bush-pai para dizer que estava a falar a verdade (na televisão); este rosto inspira-me confiança: «comprava-lhe um carro em segunda mão»; Nixon perdeu a confiança de muitos eleitores porque apresentou um aspecto físico debilitado (e mal maquilhado) no debate com Kennedy, que apresentava um aspecto mais saudável (bronzeado).       <br />
              <br />
       Ou seja, ao trazer a política à boca-de-cena, anulando a diferença entre palco e bastidores, a televisão personalizou-a ao extremo, tornando possíveis a avaliação e a decisão político-eleitorais através da imagem e dos mesmos mecanismos cognitivos que o cidadão/espectador usava na sua vida quotidiana. Ou seja, a televisão veio simplificar o processo de decisão política do eleitor, personalizando ao máximo a escolha e transformando o complexo processo de decisão política (com variáveis que vão dos princípios aos programas e aos personagens) num simples acto de delegação de confiança num rosto formatado televisivamente. É interessante observar que o processo de «media training» começou com John Kennedy e evoluiu a um ponto tal que o Partido «Forza Italia», de Berlusconi, seleccionava, nos inícios dos anos ’90, os candidatos a candidatos a deputados através de sessões onde a performance televisiva era decisiva para a sua inclusão ou exclusão nas listas.       <br />
              <br />
       Mas, apesar de tudo isto, a verdade é que o modelo comunicacional dos media, e, por isso, também da televisão, continuava a assentar estruturalmente numa relação lógica extremamente simples: a <b>relação emissor-receptor</b>. Centros de recolha, edição e difusão (redacções) produziam informação que, depois, era distribuída a milhões de indivíduos (leitores, ouvintes, espectadores). O modelo poderia ser traduzido, seguindo Manuel Castells, na seguinte fórmula: «one-to-many», «de um para muitos». Mas, como dizia, já com este modelo as mutações que estavam a acontecer no interior do sistema democrático representativo eram absolutamente disruptivas: o poder electivo tornava-se cada vez mais anémico perante a <b>colonização cada vez mais intensa do espaço político pelo poder mediático</b>. A este estado de coisas já uma vez chamei «anemia democrática». Esta anemia resultava da crescente confiscação da representação política pelo poder mediático e da <b> colonização do sistema operativo da política pelo sistema operativo dos media</b>, anulando aquelas características estruturais do subsistema político que, segundo Niklas Luhmann, são próprias de todos os sistemas - «fechamento operativo», «diferenciação» e «autonomia autopoiética» (La realtà dei mass-media, [1996] 2000, Milano, FrancoAngeli). <b>É claro que esta tendência simbiótica, ou mesmo colonizadora, acontecia sobretudo no plano do emissor (político e mediático)</b>: com a televisão, a informação política podia assumir a <b>forma de narrativa global</b> (por imagens) e dotar-se de todas as técnicas possíveis e imagináveis de <b>spinning</b>. O <b>modelo mediático de comunicação</b>, de resto, é o modelo mais facilmente compaginável com a <b>racionalidade instrumental ao serviço da persuasão e da influência, própria de um certo modo de conceber e praticar a política e a comunicação</b>. A propaganda e o marketing são-lhe congeniais. As «massas» ou as «audiências» funcionam, neste registo, como mero «campo de manobra», como mero objecto de uma intencionalidade instrumental totalmente autocentrada. É por isso que a simetria ou o paralelismo entre política e comunicação, neste <b>registo instrumental e de exclusiva procura técnica de influência e de sucesso, só se verifica no plano do emissor. Não no plano do receptor.</b>       <br />
              <br />
       <b>4. O modelo reticular ou pós-mediático de comunicação: a lógica relacional       <br />
       </b>       <br />
       Ora, o que hoje se está a verificar, com o <b>crescimento exponencial da Rede, com o modelo de comunicação que ela inaugura, com a laicização integral do espaço público que ela provoca e com a sua força centrífuga em direcção a um poder diluído</b>, é que a <b>anemia</b> – resultado de uma autêntica transfusão permanente do fluxo mediático para o fluxo político - deixou de afectar exclusivamente o poder electivo para passar a afectar também, de certo modo, o próprio poder mediático, <b>já que este modelo de comunicação acabou por ceder o lugar a um modelo pós-mediático ou reticular de comunicação</b>. Ou seja, o que se verifica é que a emergência do novo modelo reticular de comunicação não só veio subalternizar o modelo mediático como também acabou por lhe retirar o monopólio do acesso ao novo espaço público, perdendo este, por consequência, para a Rede, uma grande fatia daquele poder que entretanto havia conquistado. Em primeiro lugar, porque os próprios media tiveram que migrar para ela, não só para ocupar novos espaços de poder disponíveis como também para falar novas linguagens. Em segundo lugar, porque com esta transformação da natureza do espaço público – um espaço intermédio, como alguns já lhe chamam – <b>o modelo global de comunicação se alterou radicalmente, passando do «um-para-muitos» (broadcasting) para o «muitos-para-muitos» («many-to-many»), ou seja, passando da clássica lógica substancialista própria da relação sujeito-objecto (emissor-receptor), para uma lógica de tipo relacional, onde os sujeitos e os objectos deram lugar a variáveis independentes em relações múltiplas, autónomas e diferenciadas entre si. Relações comunicativas que se passaram a processar num imenso espaço universal sem centro e onde a «comunicação de massas» deu lugar, como diz Castells, a uma «mass self communication», a uma «comunicação individual de massas»</b>. Em terceiro lugar, este espaço intermédio é um espaço livre e universal ao qual acede quem quiser, sem condicionamentos quer para obter informação quer para produzir e difundir informação, mas, sobretudo, ao qual pode aceder para se protagonizar no espaço público universal sem ter de pedir licença aos senhores da informação, os famosos «gatekeepers».       <br />
              <br />
       É claro que para este <b>espaço intermédio</b> - porque é um espaço de convergência universal -, acabaram, inevitavelmente, por <b>migrar as próprias relações de força que hoje se verificam no exterior, tendendo inevitavelmente a colonizá-lo com a sua lógica, a sua linguagem e sua gramática e a comprimir a liberdade que o próprio modelo de comunicação reticular induz</b>. E até sabemos que a alavanca administrativa também existe na Rede, tendo já sido, de facto, usada. Mas uma coisa é certa: para se aceder ao espaço público universal já não é necessário passar pelo controlo apertado dos «gatekeepers», dos guardiões do espaço público, uma vez que o modelo dominante de comunicação sofreu uma verdadeira mudança de paradigma. Ou seja, <b>foi esta mudança estrutural de paradigma que gerou o novo modelo de acesso ao espaço público e que fez implodir o monopólio mediático</b>. E é aqui que reside a grande diferença.       <br />
              <br />
       <b>5. Simetria perfeita</b>       <br />
              <br />
       Na verdade, nunca o <b>indivíduo singular</b> teve ao seu alcance uma tão grande possibilidade de afirmação, de participação, de expressão e de difusão, numa palavra, de <b>protagonismo</b>, como o que hoje a Rede lhe permite. E isso pode constituir uma <b>revolução no próprio tecido democrático das nossas sociedades</b>. Porquê? Como já disse, o verdadeiro referente ontológico da Rede é este mesmo indivíduo singular. <b>A universalidade da Rede tem o seu efectivo contraponto no indivíduo singular, que está para ela como a alavanca de Arquimedes estava para o mundo</b>. Ora o mesmo se passa com a democracia. Ou seja, é no indivíduo singular (aqui designado por «cidadão») que reside a verdadeira função vital da democracia («um homem, um voto»). Assim, pela primeira vez, podemos encontrar <b>um paralelismo perfeito ou uma simetria perfeita entre um sistema político (neste caso, o sistema democrático representativo) e um modelo de comunicação (neste caso, o novo modelo de comunicação inscrito na rede: o modelo reticular e relacional)</b>. Simetria a que corresponde um novo tipo de poder, o poder diluído, de que fala Jesús Timoteo, no seu excelente «Gestión del poder diluido» (Madrid, Pearson, 2005). E, por isso, a questão que se pode pôr é a seguinte: não teremos chegado a um estádio em que a democracia representativa, ao contrário do que muitos pensam, pode finalmente concretizar aquela que era a sua <b>utopia originária</b> e que sempre pode ser traduzida nos termos ideais do imperativo categórico kantiano: b[age como se a máxima da tua vontade [individual] pudesse valer ao mesmo tempo, e sempre, como princípio de uma legislação universal]b? De resto, que melhor modelo para uma <b>auto-regulação perfeita da Rede</b> do que este postulado kantiano?        <br />
              <br />
       João de Almeida Santos
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/La-Red-y-la-Democracia-una-simetria-perfecta_a18.html" />
  </entry>
  <entry>
   <title>De Cádiz, el Fondo</title>
   <updated>2010-12-13T12:39:00+01:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/De-Cadiz-el-Fondo_a17.html</id>
   <category term="Bitácora" />
   <published>2010-12-13T10:09:00+01:00</published>
   <author><name>Jesús Timoteo</name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
10 de noviembre: 200 años de libertad de prensa en España     <div>
      <b>Cádiz ES fundamento</b>.        <br />
              <br />
       Los hechos son conocidos. Las Cortes de Cádiz reconocieron por primera vez en la historia de España la libertad de imprenta mediante el decreto de 10 de noviembre de 1810.  Los liberales basaron la defensa del decreto de libertad de imprenta en cuatro grandes argumentos: se trata de un derecho del ciudadano, constituye un vehículo esencial para la ilustración del pueblo, es una garantía para atajar el mal gobierno y, por último, resulta necesaria en las circunstancias del momento. Estas ideas, propuestas por Flórez Estrada, se hallan de forma ordenada en un famoso discurso pronunciado por Muñoz Torrero el 21 de octubre y  fueron desarrolladas, siempre en el mismo sentido, por los diputados que intervinieron en favor del decreto. Argüelles formuló la idea, luego muy repetida, de que debido a la censura de la imprenta «se estancaron los conocimientos, enmudecieron los sabios y caímos en la tiranía».         <br />
              <br />
       
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
     <div>
      En la práctica, varios periódicos llevaron a efecto esa libertad desde las primeras sesiones parlamentarias: el Semanario Patriótico, El Conciso y El Observador informaron con apreciable amplitud y precisión de las actividades de las Cortes dando de esta manera un vuelco al periodismo español: si hasta ahora la prensa periódica había sido fundamentalmente literaria, en estos momentos se convertía en primordialmente política.        <br />
              <br />
       Esa decisión de las Cortes, sin embargo,  no fue producto de la voluntad de un grupo de diputados sino, fundamentalmente, una exigencia de las condiciones históricas del momento. La prensa política quedó definida en la revolución inglesa del siglo XVIII cuando todos los partidos y facciones enfrentadas recurrieron a periodistas como el frente de choque de sus posiciones. Paine, Wilkes, “Junius”, Cave, mezclan su actividad política con la del periodismo y marcan las características que hoy son de manual para la prensa política en la misma forma en que lo hicieron los reunidos en Cádiz para delimitar los derechos y deberes de una nueva nación (España) con una doctrina que en pocos años dio lugar no a una sola nación sino a una pléyade de naciones libres en toda América guiadas normativamente por los mismos principios.  No ha existido en el siglo XIX y primera mitad del XX ningún político que no haya creado su propio periódico para la implantación de sus proyectos. No es posible entender la acción política de Jefferson o Washington, de  Cánovas o Disraeli, de Zapata, Lenin o Mussolini sin utilizar sus respectivos periódicos.       <br />
              <br />
       Estas funciones eran entonces claras y fáciles de comprender. Un diario político cumplía básicamente tres objetivos y misiones. Por una parte era el portavoz oficial de una corriente política. Por otra parte eran los diarios políticos el banderín de enganche y herramienta básica de promoción y propaganda del partido y las oficinas de los periódicos el lugar concreto donde los interesados podían encontrar acceso a la afiliación, explicación de sus dudas, recepción de sus aportaciones e ideas. Y en tercer lugar, la sede de la periódicos políticos eran el centro de agitación y organización de las huestes partidarias, el lugar donde, cuando fue necesario, se cuidaron, almacenaron y prepararon las armas para la revolución. Todo el siglo XIX y XX están llenos de ejemplos al respecto. La revolución inglesa se mueve entre la “licensing act” de finales del XVII a la “libel act” de 1792 en un siglo que ellos mismos definieron como “the century of the strugles for the freedom of the press” y a lo largo de ese siglo establecieron el modelo de referencia de la prensa política liberal. En Norteamerica y en torno a Franklin y los padres fundadores la situación fue una copia y desde las sedes de los periódicos salieron los patriotas disfrazados de indios que dieron el asalto a los barcos ingleses (“tea party”) e iniciaron la guerra de independencia. En Francia lo mismo hicieron Robespierre con su “Carta a mis electores”, Marat definiendo el quehacer de los jacobinos en su “L´Amie du Peuple”, Hebert con los “sans-culotte” en su “Le Père Duchesne” y sobre todo Napoleón desarrollando un sistema piramidal de prensa controlada desde el poder (agencia estatal, diarios oficiales, policía política) que marcará el intervencionismo como regla en ese definido modelo liberal. Entre la fórmula inglesa de “ley del libelo” y la jacobino-napoleónica de intervencionismo  legal se movieron los liberales de Cádiz.        <br />
              <br />
       Porque la libertad de prensa o de expresión o de imprenta es la bandera de las libertades liberales. Pero como tal tiene dos caras. Una expansiva, libertaria, que soporta el pensamiento libre, el derecho a imprimir, el asociacionismo, el expresarse libremente, la libertad de distribución, de empresa y de venta. La otra intervencionista (napoleónica), de censura, limitaciones indirectas (impuestos sobre el papel, la tinta, la distribución) o directas (leyes protectoras del libelo, de la infancia, contra la anarquía), de seguimiento y control, policía política y hasta de terror. Sobre esas dos alternativas ha avanzado el Estado Liberal en los últimos 200 años, marcada formalmente por principios fundadores (1810 en España), por leyes de normalización en la década de 1880 y por intervalos importantes de dictadura y abusos a lo largo sobre todo del siglo XX.  Sobre esa dicotomía se han construido los Estados y las Naciones occidentales hasta hoy.        <br />
              <br />
       <b>Cádiz ES Símbolo. </b>       <br />
              <br />
       Doscientos años se cumplen de la primera ley básica liberal en español, firmada en Cádiz  y celebrada en medio mundo, desde Sicilia y Nápoles a California y Santiago de Chile. Cádiz es, basta visitarlo, el mausoleo  y memoria de todo un ideario de hombres libres a ambos lados del Atlántico y del Mediterráneo. Es un símbolo y la más pura representación del liberalismo, de la independencia y de la libertad,  el corazón y motor simbólico de una era que termina, de una forma de entender y realizar la libertad perteneciente a una cultura que hoy tiende a ser minoritaria, la cultura de los hombres de letras, la cultura del pensar con la lectura y la escritura. Cádiz es sobradamente reconocida como símbolo del liberalismo.       <br />
              <br />
       La más llamativa cualidad, referida a los padres constitucionalistas en concreto y al modelo de periodismo liberal  en su conjunto es la de grandeza. Eran personajes, auténticos padres fundadores, que se movían en torno a enormes ilusiones: una sociedad nueva, libre, de iguales, sujeta por ello a leyes claras y justas, de gentes activas, productivas, educadas y letradas. El poder era un instrumento necesario para tales fines. No para enriquecerse ni para implantar otra religión. Eran todas cosas que se contaban en los periódicos y que cualquiera que supiera leer o que escuchase podía entender. Eran hombres grandes que proponían proyectos e ideas de ilusión y calidad. El temple de los padres fundadores, de los constitucionalistas de Cádiz se manifestaba en la calidad de sus actitudes vitales.  La calidad aplicada a todo, al comportamiento,  a la expresión, a la cultura como actitud, a la nobleza. La calidad es hacer las cosas bien en un marco de moral aristocrática, como la de los padres fundadores, que piensa y proyecta en el bien común, en el medio plazo, en la libertad como el más preciado de los dones del hombre, en Cádiz de 1812 como modelo y referencia.       <br />
              <br />
       <b>De Cádiz queda Poco.</b>        <br />
              <br />
       El lenguaje de los periódicos de hoy no es inteligible para un ciudadano de cultura media como era el periodismo liberal. Un periódico propone cada día titulares imposibles, desarrolla sus textos llenos de palabras extranjeras, de siglas, de jerga y argot para especialistas –en economía, en tecnología, en deporte…-, está lleno de abreviaturas, de alusiones, de indicaciones que se parecen más a un lenguaje de señales ferroviarias o de tráfico que a un lenguaje común.  Citas y referencias sin notas explicativas, sin el mínimo esfuerzo para estar fuera de la “parroquia” de los iniciados, del intercambio entre especialistas. Los periodistas de mayor peso, los “líderes de opinión” y editorialistas aspiran no a ser entendidos por la mayoría de sus lectores sino a ingresar en el círculo de los  herméticos, de aquellos que “están” en el saber, que se intercambian mensajes de secta que solo entienden los que están capacitados para leer entre líneas. Así, el “mejor” periodismo es un símbolo de poder para quienes lo ejercen más que un producto o instrumento de utilidad para quienes lo leen o siguen: no importa hacerse entender sino estar.        <br />
              <br />
       Los temas que los periódicos atienden y trabajan llevan implícitos dos factores de intratabilidad. Uno es la distancia de la vida normal, el otro es la técnica y fórmulas de presentación y desarrollo. Los periódicos que se definen de información hablan de asuntos y negocios de enormes magnitudes: bancos que se hunden, conflictos lejanos y complejos pero que pueden afectar la calefacción de cada uno (Rusia contra Ucrania, por ejemplo), exploraciones petrolíferas que pasan de sociedades privadas a estados o viceversa, líneas aéreas enormes que se hunden, reflotan o nacionalizan, noticias todas cuyo secreto no es desvelado. Además estos “enormes” temas se presentan y perfilan con técnicas de espectáculo, entre el catastrofismo y el optimismo, entre la filantropía y la ferocidad, entre avisos de peligro inminente e inevitable y promesas de milagros salvíficos, entre noticias más o menos reales y mucha imaginación y leyendas. Los automóviles matan tres veces mas que la llamada “violencia de género” pero los automóviles no dan o no pueden dar miedo mientras que los maridos o “compañeros” si. El “medioambiente” es una nueva religión que tiene problemas con otra entendida como “desarrollo sostenible” y ambas sirven para amenazar o para entusiasmar. La ciencia sin límite es una panacea milagrosa que puede acabar en pocos años con cualquier enfermedad o puede conducirnos a la más implacable tiranía. El catastrofismo y el optimismo de la información de masas guian la agenda diaria de los individuos.       <br />
              <br />
       Otro elemento en que los actuales periódicos y medios han perdido las referencias del gran modelo liberal está en la propuesta moral, de actitud y comportamiento, de relación entre acciones y consecuencias legales, éticas y sociales. La moral que los medios hoy proponen es tan amoral que produce sorpresa. Se presentan  con todo tipo de justificaciones tipos que llevan sociedades a la bancarrota, huyen con el dinero, falsifican, roban y engañan sin piedad en la política o en los negocios,  matan en nombre de la religión o del nacionalismo  y continúan viviendo en palacios, cuentan con una justicia favorable y privilegiada, apenas son condenados a unos pocos años en situaciones especiales. Ni se habla de nociones tan eternas como el honor, el respeto por el propio deber y misión, la obligación de dimitir cuando uno se equivoca, de pagar legalmente o con dinero propio cuando uno comete ilegalidad o daña intereses colectivos       <br />
              <br />
       <b>De Cádiz, el FONDO. </b>       <br />
              <br />
       Porque  las actuales Democracias Mediáticas y Postparlamentarias sólo podrán consolidarse si se mantienen como columnas fundamentales de la misma los grandes conceptos del liberalismo. Por eso es necesario  integrar en nuestro mundo de hoy los principios y las esencias, el FONDO de los grandes gigantes del liberalismo.           <br />
              <br />
       Escribió Alec Minc  (La Borrachera Democrática ) que este siglo XXI será el siglo de Tocqueville como el pasado lo fue de Marx. Y es que Tocqueville intuyó muy bien cómo la libertad individual no es gratuita. La libertad conlleva importantes exigencias en responsabilidad  individual al igual que la soberanía participada implica conflictos, confrontación de intereses y opiniones y el establecimiento de reglas de juego. Tuvo claro que era condición humana el que libertad no era sinónimo de bondad y mucho menos de bondad colectiva y que la opinión pública podía ser orientada y organizada a favor de intereses inconfesables y contrarios al bien social. Sus seguidores, Lippmann sobre todo en su “Public Opinion” y a principios del siglo XX cuando el sufragismo llevaba en directo hacia el voto universal, insistieron en la incapacidad del hombre masa para entender y pensar el bien colectivo, para ver más allá de su propia nariz y de sus cutres intereses y, peor aún, para dejarse arrastrar hacia el efectismo y la farándula y considerar como asuntos públicos dominantes fenómenos de feria. Tocqueville ponía el dedo en la llaga al presentar a los medios como la segunda gran fuerza social, poco por detrás del sistema de partidos: tomados individualmente, afirmaba, no son gran poder, pero colectivamente los medios tienen suficiente fuerza para  corromper el sistema de sufragio.        <br />
              <br />
       Naturalmente Tocqueville no tuvo tiempo de soñar lo que sería la televisión y las imágenes donde los medios están en condiciones óptimas para llevar la democracia hacia el funambulismo, para corromper el funcionamiento de la representatividad política y del sufragio arrastrándolo hacia el más nauseabundo de los espectáculos y para falsear en consecuencia todos los grandes valores de libertad conquistados durante siglos. Es casi seguro por ello que esas libertades están en evidente peligro, que en un marco de libertades formales reconocidas (de pensamiento, de opinión, de expresión, de voto, de manifestación) y de derechos individuales y sociales consolidados e irrenunciables (a la seguridad, a la educación, a la salud, al honor incluso), la práctica lleve a lo contrario, a la tiranía de la opinión manejada, del voto mareado, de la manifestación folclórica, al predomino del libelo sobre el honor, de los instintos humanamente más destructivos sobre la excelencia, de la zafiedad sobre la belleza, del “ternero de tres patas”  y fenómeno de feria sobre todo.       <br />
              <br />
       Está claro que estamos hablando del problema dominante y sin resolver de las democracias occidentales, la clarificación sobre dónde están los organismos de decisión y poder en la actual democracia, que bajo esa misma confusión se define como “postparlamentaria”, mediática y hasta “postliberal”. Desde la otra cara de la moneda el mismo problema se centra en el derecho de los individuos a saber quién manda y donde está el centro del poder, el derecho a conocer si eligen o no a los poderes reales, el derecho a estar informados con precisión y sin engaños antes de elegir a quienes les representan, el derecho individual a no ser mareados y manejados por agentes de opinión y por medios de comunicación con técnicas y capacidades asombrosas para crear y organizar las decisiones, el consumo, los votos, la vida pública y la vida política.        <br />
              <br />
       Nuestra realidad debiera estar hambrienta de los conceptos políticos básicos del liberalismo y de su evolución de  significado desde su expansión en España en los inicios de la Edad contemporánea a la actualidad. Se trata de interiorizar aquellos términos básicos que, conceptualizados en torno a 1810,  están hoy casi olvidados en medio de nuestro vocabulario político básico. Aunque esten insertos en el corazón primigenio de Occidente: John Milton introduce su Areopagítica, el catecismo de la doctrina liberal, propuesto al Parlamento de Londres en 1644 como un manifiesto a favor de la libertad de expresión, con una deliciosas líneas de Eurípides: <b>“Hay verdadera libertad cuando los hombres nacen libres // Y quien tiene algo que decir  puede hacerlo con libertad, // Cuando quien puede y quiere propone sus propias ideas  //  Y quien no puede ni quiere, puede permanecer en paz. // ¿Puede haber algo más justo en un Estado que esto?”. </b>       <br />
       
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/De-Cadiz-el-Fondo_a17.html" />
  </entry>
  <entry>
   <title>La  izquierda y la naturaleza humana</title>
   <updated>2010-06-06T10:54:00+02:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/La-izquierda-y-la-naturaleza-humana_a16.html</id>
   <category term="Bitácora" />
   <photo:imgsrc>http://www.tendencias21.net/comunicacion/photo/art/imagette/2147550-2991540.jpg</photo:imgsrc>
   <published>2010-06-06T10:40:00+02:00</published>
   <author><name>João de Almeida Santos</name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
Si es posible leer los «códigos genéticos» de la izquierda y de la derecha, entonces la izquierda tiene que desarrollar una nueva «ontología de la relación», proponiendo nuevas lecturas de la sociedad y de si misma en línea con su código genético pero también con las fuertes tendencias que se expresan en un mundo cada vez más global.     <div>
      En  este ensayo intento hacer un viaje en torno a la identidad de las izquierdas, desde una perspectiva crítica y propositiva: sus valores, principios, programas, base social, de referencia, posiciones y su red conceptual y cognitiva. Identidad y mutaciones. Mutaciones porque algo muy profundo está cambiando las sociedades de hoy. Y, cuando cambian las sociedades, las formaciones políticas tienen también que cambiar en sus estructuras, modelos de organización, programas y redes conceptuales y cognitivas. Claro, sus valores fundamentales no cambian porque constituyen su identidad. Pero hay que cambiar su interpretación. Ejemplo: la defensa de la libertad no es igual en dictadura como en democracia. La opresión física de la dictadura se vuelve opresión simbólica en la democracia del público. La tensión comunitaria de la izquierda convencional se vuelve tensión individual en la nueva «democracia pos-representativa» o en la «democracia de la Red» o «de espacio intermedio». Es claro que existirán siempre espacios políticos libres para las homilías laicas en torno a los explotados y a sus derechos, libertades y garantías siempre sin referencia a los correspondientes deberes. Estas son las homilías de las izquierdas radicales que no aceptan la lógica de la alternancia, porque identifican a los adversarios como enemigos, y que no aceptan la autonomía individual, porque ponen la libertad en la esfera comunitaria, como hacían los antiguos. ¿Qué lugar ocupa la Red en la nueva democracia deliberativa y en el nuevo espacio público? El Estado Social: ¿como resolver la tensión interna entre demanda (creciente) y oferta (escasa) de bienes públicos esenciales? ¿La tendencia constructivista de la izquierda es compatible con la libre expresión de la sociedad civil y la libre expansión de la competencia social de los individuos singulares? Estas son algunas cuestiones presentes en este ensayo sobre la izquierda y la naturaleza humana.        <br />
              <br />
              <br />
       
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
     <div style="position:relative; float:left; padding-right: 1ex;">
      <img src="http://www.tendencias21.net/comunicacion/photo/art/default/2147550-2991540.jpg" alt="La  izquierda y la naturaleza humana" title="La  izquierda y la naturaleza humana" />
     </div>
     <div>
      1. Una «ontología de la relación». 2. Fracturas e interrogaciones. 3. La izquierda y la naturaleza humana - una cuestión de fundo. 4. Repensar la izquierda, repensando la sociedad. 5. Una visión «espacial» de la política. 6. La izquierda y el Estado Social. 7. La izquierda y los intelectuales.       <br />
              <br />
              <br />
       <b>1.  Uma «ontologia da relação».</b>       <br />
              <br />
       Num tempo em que da política já só restam, aparentemente, técnicas de marketing para os rostos dos líderes, tem mais sentido reflectir sobre as identidades que esses rostos de algum modo representam. Ocupo-me da esquerda.       <br />
              <br />
       Afinal, que questões se põem hoje à esquerda? A uma esquerda que seja tão radical nos seus pressupostos filosóficos, nos seus valores, princípios e ideais - no seu élan propulsivo (a ética da convicção) -, quanto moderada nos programas com que se propõe governar – o seu pragmatismo (a ética da responsabilidade). Porque se a esquerda tem inscrita no seu código genético a palavra «utopia», ela própria, inspirando-se em valores projectados no futuro e numa forte «ética da convicção», cruza inevitavelmente, mais do que os liberais, o seu destino com o da democracia representativa. E porque, ao contrário do que pensam os «decisionistas» ou os absolutistas da «ética da convicção», a democracia implica compromisso, diálogo, interacção, isto é, uma «ética da responsabilidade» que modera e regula a força propulsora das convicções. Liberdade e responsabilidade, portanto.        <br />
              <br />
       A esquerda e a democracia têm também inscrita na sua matriz a palavra igualdade. Alexis de Tocqueville viu isso como ninguém. A sua era a «igualdade de condições». Mas já a direita não pode dizer que as palavras democracia, igualdade e liberdade façam parte do seu código genético. Porque até os primeiros liberais (na altura, os progressistas) eram antidemocráticos («democráticos e quase comunistas», dizia o liberal Croce) porque anti-igualitários e avessos ao sufrágio universal (censitários: veja-se a constituição francesa de 1791, os escritos de Kant ou de Constant) e cedo (e muitos) toleraram (em Itália, por exemplo) soluções políticas autoritárias. Ao princípio, em Itália, o próprio Benedetto Croce, esse «Papa laico» italiano, como lhe chamou Antonio Gramsci. De resto, os valores matriciais da direita são a ordem, a diferença (a desigualdade) e a hierarquia (Ernst Nolte). Dizendo-o, com o Bobbio de «Destra e Sinistra», a esquerda, no signo de Rousseau, afirma que, à partida todos são iguais, sendo a sociedade (e os seus mecanismos) a fomentar, quando mal organizada, as desigualdades. Que, por isso mesmo, são sociais, não naturais. Pelo contrário, a direita, no signo de Nietzsche, afirma que, à partida, todos são desiguais, sendo a sociedade quem, indevidamente, torna igual o que igual não é, tornando-se, assim, necessário o aprofundamento das singularidades e a minimização dos mecanismos sociais ou públicos de integração. É por isso que uma esquerda que se preze tem de sublinhar esta diferença matricial entre a esquerda e a direita. Não para se limitar a cantar e a glorificar os seus valores de referência ou para exercer a função de eterno sindicato dos deserdados, mas para colocar os valores da liberdade e da igualdade no seu devido lugar. Porque foi o uso arbitrário destes valores que levou, por um lado, ao totalitarismo (o igualitarismo) e por outro, ao utilitarismo mais desbragado (o neoliberalismo): igualitarismo da miséria e darwinismo social, socialismo de Estado e neoliberalismo.        <br />
              <br />
       Mas se é possível ler os códigos genéticos da direita e da esquerda, também é verdade que a leitura desses códigos não é suficiente para uma afirmação política da esquerda: esta tem de fazer uma fenomenologia crítica do existente ou, melhor, uma ontologia do presente, ou melhor, ainda, uma ontologia da relação, propondo novas leituras em linha com o seu código genético. O que é uma «ontologia da relação»? O reconhecimento de que o modelo de relação centrado no sujeito e no objecto, ou no emissor e no receptor, cedeu o seu lugar a um modelo de relação centrado no espaço intermédio, a um modelo relacional onde os sujeitos se comportam como variáveis num sistema sem perderem a sua dimensão subjectiva ou substancial. E a rede é o melhor modelo para relançar a reflexão porque ela é, ao mesmo tempo, um conceito e um facto, ou seja, uma realidade que já está a estruturar – para além das fronteiras territoriais nacionais – novos tipos de relação que nada têm a ver com o módulo moderno e espacial de relação e de representação (veja-se aqui o meu ensaio «O espaço intermédio», a propósito do livro de Silvano Tagliagambe, «Lo spazio intermedio»). É neste espaço intermédio e nesta lógica relacional que se pode identificar uma esquerda que queira superar uma lógica do sujeito, meramente instrumental, própria da sociedade de massas, da «democracia do público», da era do «spinning» e de uma visão meramente  utilitarista da própria natureza. Neste espaço, que poderíamos identificar como um espaço reticular, pode emergir finalmente um indivíduo moderno livre de vínculos e capaz de emergir directamente no espaço público graças exclusivamente à sua competência social. Ou seja, estamos perante um novo espaço comunitário que não só não anula a individualidade como ainda a reforça. Mas este não é o espaço de uma esquerda que ainda se move por módulos comunitaristas e antilibertários, centrados exclusivamente na «ética da convicção».       <br />
              <br />
       <b>2. Fracturas e interrogações.</b>       <br />
              <br />
       Poderíamos perguntar: as fracturas sociais da sociedade pós-industrial – aquela que foi inaugurada pela revolução da microelectrónica - são as mesmas da velha sociedade industrial, com as grandes concentrações operárias, o fordismo e o taylorismo? Que efeitos sociais produziu a generalização das, humanamente desérticas, linhas de «robots» de comportamento não determinístico, vigiadas pelos poucos e novos «operários» de bata branca, os «condutores»? O novo conceito de «middle class», não patrimonial, profissionalmente instável e culturalmente nómada, que lugar ocupa na reflexão estratégica da esquerda? Que resposta tem a esquerda para os novos poderes das novas elites «manageriais» e mediáticas? Que balanço é feito do Estado social, visto que a sua crise se tornou crónica? A responsabilidade da sua crise reside, ou não, no excesso de procura e na debilidade da oferta, mesmo quando é a esquerda a governar? Ou seja, a sua crise não resulta de uma contradição interna, e genética, que o pode levar a uma espiral autodestrutiva? Continua a esquerda a ler as «indústrias culturais» com as velhas categorias adornianas (da «Dialéctica do Iluminismo», de 1944) e, portanto, a remetê-las para a esfera da alienação? A televisão é o novo inimigo de direita e tudo o que lhe seja funcional é (deve ser) combatido pela esquerda como deriva populista? Qual o papel dos «media» na nova hierarquia dos poderes? A «partidocracia», à esquerda e à direita, não continua a afectar gravemente a democracia, confiscando direitos aos cidadãos? Qual é a solução? E a tão falada «mediocracia»? Que papel tem na erosão da democracia representativa e na queda tendencial do valor de uso do voto? Como se transforma a «cidadania passiva» em «cidadania activa»? Como libertar o cidadão da nova «gaiola electrónica» que substituiu essa «gaiola de aço» de que falava Max Weber? A esquerda incorporou radicalmente na sua matriz o individualismo moderno ou pretende superá-lo promovendo novas expressões de sociabilidade comunitária? A esquerda moderada e de governo assume definitivamente causas electivas ou mantém-se prisioneira do pragmatismo? E a Internet e as comunicações móveis, revolucionando radicalmente as relações, que lugar devem ocupar no pensamento da esquerda? O «espaço intermédio» que elas hoje ocupam não exige que a esquerda formule uma nova ontologia da relação, para além da relação sujeito-objecto, emissor-receptor, meio-fim e de qualquer conceito instrumental das relações humanas?       <br />
              <br />
       Há muito que se fala de crise de representação e ninguém responde a esta crise. Agora até já se fala de democracia pós-representativa e poucos são os que se preocupam com a mudança de paradigma político que já estamos a viver. O protagonismo político dos «media» rivaliza hoje com o dos partidos, mas ninguém os confronta com a questão da legitimidade.       <br />
              <br />
       <b>3. A esquerda e a natureza humana - uma questão de fundo.</b>       <br />
              <br />
       A esquerda sempre se confrontou com um desafio a que nunca foi capaz de responder claramente: o desafio de assumir uma ideia complexa de natureza humana. Por uma razão essencial: esta ideia era considerada incompatível com a dinâmica transformadora do processo histórico-social. Porque a esquerda sempre viu o processo humano como processo histórico-social em devir, onde a componente natural ocupava sempre uma posição puramente subalterna ou mesmo residual. Outra coisa era atribuir-lhe leis de desenvolvimento de tipo determinístico, como viria a fazer o marxismo ortodoxo. Se tivesse de falar de natureza humana a esquerda clássica diria sempre que ela é o resultado de um processo, não estando, pois, predeterminada. Os existencialistas traduziram esta ideia através daquela conhecida fórmula de que «a existência precede a essência». E, antes, creio, Gramsci traduziu-a por aquela outra feliz expressão de que o homem é aquilo em que se torna («è ciò che può diventare»). Mas a verdade é que há, em Marx, páginas muito interessantes, nos «Manuscritos de 1844», onde a dimensão natural da vida em comunidade é muito valorizada e onde a natureza é considerada como «corpo inorgânico do homem». De qualquer modo, a ideia de que existem no ser humano determinadas características estruturais comuns que, na sua aleatoriedade, tendem a manifestar-se recorrentemente na vida em sociedade, sendo reconduzíveis aos próprios indivíduos singulares, nunca foi muito acarinhada conceptualmente pela esquerda. As características comuns, naturais e morais, eram tendencialmente distribuídas por classes sociais, tendo, depois, uma sua expressão política. A ideia genérica de que o «homem é o lobo do homem» («homo hominis lupus») tem, na visão da esquerda clássica, uma concreta tradução de classe: o homem-lobo e o homem-cordeiro representam classes antagónicas. A natureza humana, que aqui surge como aleatória e transversal a todos os indivíduos, na lógica da esquerda fracturava-se em função das classes. Se, no utilitarismo, a pulsão egoísta orientada para o útil podia converter-se em benefício colectivo, à esquerda este só podia ser obtido por intervenção da «razão pública».        <br />
              <br />
       A esquerda sempre acreditou na força criativa da sociedade contra os determinismos conservadores que habitualmente legitimam a ordem vigente. Sempre acreditou na ideia de um progresso contínuo. Esta crença no valor taumatúrgico da dinâmica social levou-a, contudo, a desvalorizar a força das pulsões estruturais que sempre persistem e condicionam o processo social, para além do princípio da razão. Lá onde a esquerda tem procurado usar a razão para canalizar um processo histórico-social considerado progressivo, muitas vezes tem esquecido o papel resistente dessas pulsões estruturais que também condicionam o curso histórico. Alguém dizia que a ideologia é eterna e que, mesmo quando parece que morre, sempre há-de ressurgir, de novo vigorosa, em tempos futuros. Também Jürgen Habermas, recentemente, nos chamados «Seminários de Istambul», parece ter revalorizado o papel das religiões nas chamadas sociedades pós-seculares. Ou seja, de algo que a esquerda sempre tendeu a remeter para o domínio da pura alienação, não admitindo que essa possa ser uma componente estrutural da natureza humana, ligada à ideia de finitude, necessária e sofrida. Mas é claro que a esquerda muito ganharia em compreensão do mundo se incorporasse estes dados rejeitados na sua rede conceptual e procurasse integrá-los numa lógica racional superior, sem qualquer veleidade construtivista, projectando esse «corpo inorgânico», de que falava Marx, sem o esmagar com a força do voluntarismo ético. Toda esta lógica está, afinal, envolvida por um voluntarismo moral («ética da convicção») que dificulta o reconhecimento das reais fracturas sociais e, por isso, uma sua correcta interpretação e superação. Na verdade, o reconhecimento de que as sociedades humanas estão também elas condicionadas por determinismos de tipo estrutural torna-se decisivo. Até porque ele é condição necessária de alguns dos valores mais importantes das democracias modernas: a tolerância e o respeito recíproco, o realismo político e o compromisso, a liberdade responsável. É neste reconhecimento que reside a capacidade de progredir de forma sustentada, reconduzindo o exercício da vontade política ao equilíbrio social. Conjugando optimismo da vontade com pessimismo da razão, num quadro onde a ética se funde com a política.         <br />
              <br />
       <b>4. Repensar a esquerda, repensando a sociedade.</b>       <br />
              <br />
       Mas a tendência a repensar a esquerda continua a ser mais interrogativa do que propositiva, afirmando-se mais como proclamação de intenções do que como concreta reflexão analítica sobre o assunto. Repensar a esquerda ou repensar a sociedade? Eu creio que para repensar a esquerda é preciso, antes, repensar a sociedade. E é preciso também abandonar as proclamações morais, indo directamente ao assunto. E, para ir ao assunto, é preciso reflectir sobre as mutações profundas que estão a revolucionar a democracia, os novos modelos de desenvolvimento, as novas formas pós-orgânicas de reorganização política da sociedade, o papel do indivíduo no conjunto orgânico de uma sociedade onde parece ser o intangível a ditar as regras essenciais, o papel do Estado, o papel dos meios de comunicação. Eu diria que sem uma fenomenologia rigorosa da sociedade moderna não é possível compreender o lugar da esquerda na sociedade. É certo que muitos dizem que a distinção esquerda-direita já não faz sentido. Outros dizem que quem assim pensa é de direita. Uma coisa é certa: não é possível repensar a esquerda como se esta fosse uma condição. Sobretudo a condição dos deserdados, mas também dos seus apóstolos. Todos sabemos que não é assim. Todos sabemos que o conservadorismo atravessa todos os grupos sociais, sendo transversal. Tal como o progressismo. Mas, aqui como ali, há sempre apóstolos vocacionados para as grandes proclamações morais, assumindo-se como eleitos e como depositários da justiça histórica dos povos. Como todos os apóstolos, eles pertencem ao reino do imaterial e preocupam-se pouco com as coisas concretas e muito com os grandes princípios. E como entre o material e o espiritual sempre foi difícil encontrar a justa adequação, o seu papel está garantido até ao fim dos tempos.        <br />
              <br />
       Outra coisa é o esforço analítico de descrição e de explicação dos mecanismos sociais e a tentativa de os aperfeiçoar, melhorando a sua «performance». Por exemplo, que modelo de desenvolvimento terão de adoptar as sociedades modernas para se adaptarem às novas exigências globais e desiguais da competitividade? O «suor do rosto» continua a ser a principal força produtiva ou já foi substituído pela ciência e pela tecnologia, como principais forças produtivas? A resposta implica consequências impressionantes no modelo de organização social. Outra questão, de resto, ligada com esta. As sociedades modernas estão estruturadas em grandes blocos sociais, as ditas classes, ou a sua organização é cada vez mais de tipo superestrutural, uma vez que elas estão fragmentadas, sendo constituídas por indivíduos? Ou seja, a componente orgânica não cedeu definitivamente a sua centralidade a uma recomposição formal e abstracta das relações sociais? Terceira questão. O modelo de organização democrática das sociedades não pressupõe precisamente esta desestruturação das sociedades orgânicas e a sua recomposição a partir da soberania individual? Que sentido tem a frase «um homem, um voto»? Quarta questão. Neste contexto, que democracia?        <br />
              <br />
       A democracia representativa, tal como a temos vindo a viver ainda continua a manter validade plena ou já estamos a evoluir para um novo tipo de organização democrática, pós-representativa, onde cada vez mais começam a exprimir-se mecanismos de democracia directa de novo tipo? Ou seja, mantendo-se como seu fundamento o indivíduo singular, não estão alteradas radicalmente as condições da sua participação na produção da decisão política colectiva? Ou melhor: não se está a verificar uma alteração radical nas formas de expressão política do cidadão quando os partidos políticos cedem cada vez mais o terreno aos meios de comunicação, desde a televisão até às suas formas mais avançadas de «comunicação individualizada de massas», na Rede (Castells)?        <br />
              <br />
       Quinta questão. E o Estado, como se comporta perante tal evolução? Não terá de se transformar para responder às novas exigências emergentes? De certo modo, o «e-government» já constitui uma primeira resposta. Mas outra resposta deverá consistir na determinação da sua natureza reguladora, nem maximalista nem minimalista. Sexta questão. E os partidos políticos, como é que podem responder a estas transformações, garantindo uma efectiva autonomia, capacidade de agenda e relação, orgânica e inorgânica, com a sociedade ao mesmo tempo que resolvem o bloqueio burocrático interno? A solução não passará pela introdução de autênticas primárias generalizadas, como método para a selecção e de legitimação interna?        <br />
              <br />
       É confrontando-se com estes temas que se pode responder à pergunta sobre a esquerda.          <br />
              <br />
       <b>5. Uma visão «espacial» da política.</b>       <br />
              <br />
       A análise que circula continua excessivamente apoiada numa visão «espacial» ou «geométrica» da política: esquerda, direita, centro, centro-direita, centro-esquerda, extrema-esquerda, extrema-direita. É certo que os conceitos de esquerda e de direita possuem já um património analítico tal que estão em condições de designar algo bem preciso. Mas há um conceito que é tanto mais usado quanto menos é definido: o conceito de centro. Centro geométrico, centro sociológico, centro político? Mas, afinal, o que é o centro? Eu creio que quando se fala de centro se está a falar necessariamente da nova «middle class». Na linguagem marxista clássica, o centro nem sequer tinha grande dignidade conceptual, espartilhado que estava  por aquela contradição fundamental que determinava a vida social: a contradição entre os proprietários dos meios de produção e os assalariados. Mas a tradição sociológica passou a definir os grupos sociais não só em termos de relações de produção, mas também com critérios, digamos, superestruturais: estilos de vida, influência, capacidade de consumo, etc.. Em particular, a sociedade pós-industrial provocou o crescimento de um sector social intermédio que possui características comuns a ambos os lados, a proprietários e a assalariados. A democracia, com a laicização integral das funções sociais, cresce, aliás, com o crescimento deste sector. E, este, reforça-se com a democracia. A própria democracia é o regime mais congenial a este sector, isto é, à «middle class». Mas a classe média já existia na chamada civilização industrial. Só que, antes, as suas características eram bem diferentes da actual. Tratava-se de uma classe patrimonial, de profissão e rendimentos estáveis, com uma mundividência estruturada e global, culturalmente sedimentada,  com valores morais bem definidos e uniformes, com clara afirmação e reconhecimento social de tipo territorial, não sendo maioritária na sociedade. A nova classe média da era pós-industrial define-se mais por critérios de tipo superestrutural, por estilos de vida, capacidades e hábitos de consumo, mobilidade profissional e territorial. É existencialmente nómada e culturalmente precária, massificada, anónima e socialmente dominante. Como diz Giddens: «a velha economia industrial foi inexoravelmente substituída por um novo modelo económico baseado no saber, e a classe média tornou-se já o grupo socialmente dominante».        <br />
              <br />
       Uma classe média centrada no terciário e nos novos sectores de negócio que têm origem na nova economia do conhecimento.       <br />
              <br />
       É por isso que a esquerda de hoje não pode, pois, construir o seu quadro de referência político-ideal a partir daquela que era a sua base social de apoio tradicional, de sectores sociais que a história está a tornar residuais. A ideia de que a esquerda deve propor à vastíssima e heterogénea classe média um discurso feito à medida de grupos sociais que já são historicamente residuais - porque se recusa a reconhecer como dominante uma economia de tipo pós-industrial e uma sociedade onde os processos informacional e comunicacional já transformaram completamente as relações sociais e os comportamentos individuais - significa agir no presente com os olhos postos no passado, quando o horizonte próprio da esquerda sempre se situou no futuro.       <br />
              <br />
       É certo que os valores da esquerda persistem no tempo e são transversais aos vários grupos sociais. Mas os seus conteúdos mudam com os tempos. Exercer a liberdade em democracia não é o mesmo que exercê-la durante a ditadura: as formas da opressão deixaram de ser físicas para passarem a ser simbólicas. E a opressão simbólica tem de combater-se com instrumentos mais sofisticados do que a resistência física. Em democracia, a universalização dos direitos formais, aliada ao igualitarismo do consumo, produz uma imagem do mundo igualitária, precisamente quando se insinuam cada vez mais novas formas de discriminação. Sob o manto formal da democracia também a luta pela igualdade (e pelo direito à diferença) exige novos e mais sofisticados instrumentos. Mas também o cidadão se tornou mais complexo nas modernas sociedades democráticas. Ele exibe hoje dimensões que outrora estavam mitigadas. Por exemplo, na moderna sociedade de serviços, o cidadão-consumidor emerge como sujeito central de direitos a tutelar. Uma esquerda com futuro não pode deixar de o integrar como elemento central do seu quadro de referência político-ideal e para além das tradicionais fracturas de classe. Numa palavra, uma esquerda moderna não olha para o futuro com os olhos do passado.        <br />
              <br />
       <b>6. A esquerda e o Estado Social</b>       <br />
              <br />
       Um artigo de Rui Ramos, de 2008, publicado no «Público» (23.07) e intitulado «Os pobres de Estado», fez-me regressar a um tema central na discussão em torno da identidade da esquerda: o tema do Estado Social. Ressalvo, em relação a tudo o que a seguir direi, que não me parece feliz o título do artigo, pela carga depreciativa que encerra. Mas não deixo de reconhecer pertinência à crítica de Rui Ramos. Porque ele põe em evidência um paradoxo muito comum numa certa esquerda:        <br />
              <br />
       reivindica tão radicalmente os direitos sociais que o resultado acaba por ser oposto ao que proclama - a permanente dependência do Estado Social (exemplo: Francisco Louçã que «sente uma revolta enorme», porque «se possa impor a uma pessoa que tem subsídio de desemprego a obrigação de ir trabalhar por um pouco mais do que o subsídio que recebia», DN, 28.03.2010, p.9). Mas critica também uma certa ideia de construtivismo social: uma lógica auto-referencial que vê os necessitados como laboratório social das suas próprias concepções do mundo. E conclui dizendo que a luta pela libertação social dos necessitados acaba por resultar num novo tipo de opressão de Estado. Por isso lhes chama «pobres de Estado».       <br />
              <br />
       Há, neste interessante artigo de Rui Ramos, mais retórica e menos substância do que, à primeira vista, pode parecer. Mas há também a sinalização de problemas ligados ao modelo persistente de Estado Social. Sobretudo ao modelo maximalista. Aquele modelo que adoptou a cultura dos direitos como matriz exclusiva das suas políticas. E que vive do garantismo como seu alimento político exclusivo e quotidiano. Um modelo onde a pobreza representa o principal capital político, sendo o seu volume directamente proporcional à depressão económica e social dos países. Um modelo que, à força de reivindicar sempre direitos acaba por legitimar a irresponsabilidade, a ausência de sentido do dever, de empenho e de luta individual por uma vida melhor e mais livre. Compreende-se. Esta é, aliás, uma visão organicista da sociedade, onde a responsabilidade individual se dilui sempre na responsabilidade colectiva. Mas se, depois, a responsabilidade colectiva acaba por se esgotar sempre na luta pelos direitos orgânicos das comunidades, a responsabilidade individual esvai-se e anula-se. De resto, esta lógica não decorre directamente da estrutura nuclear da democracia representativa, cujo fundamento, digamos, ontológico, é o indivíduo singular: «um homem, um voto». Diria mesmo que ela representa a tábua de salvação para os que sempre mantiveram reservas mentais em relação à democracia representativa. Constitui o enxerto político necessário para poderem agir com boa consciência no interior daquela que sempre rotularam como democracia burguesa. Toda a gente entende o que quero dizer. Ora, na lógica a que se refere criticamente Rui Ramos, os indivíduos singulares são sempre tutelados pelo Estado Social e, por isso, na sua perspectiva, ela acaba por induzir um processo de permanente submissão à vontade do Estado e da sua máquina protectora, com a consequente anulação do princípio da liberdade, que só a responsabilidade individual pode gerar.        <br />
              <br />
       É por tudo isto que se torna necessário clarificar a natureza do Estado Social e a relação da esquerda com este conceito. Em primeiro lugar, recusando as leituras maximalistas. É claro que as sociedades têm o dever de garantir os «bens públicos» essenciais, bem mais vastos do que as funções estritamente vitais do Estado. Mas nenhum Estado Social pode sobreviver a uma lógica construtivista e a uma filosofia maximalista dos direitos sociais. Por uma razão muito simples: uma e outra convergem para o agigantamento de um Estado que tende a atrofiar a sociedade civil, acabando ele mesmo por implodir, fruto de um excesso de procura para o qual acaba por não ter resposta. Na verdade, aquilo que a esquerda radical ainda não compreendeu foi que a uma cultura de direitos, essencial à democracia representativa, deve corresponder uma outra cultura de deveres tão intensa como aquela. Só que esta não pode emergir no interior de um pensamento que ainda não superou, a não ser numa óptica puramente instrumental, uma cultura política organicista, hoje absolutamente superada pelas democracias modernas. A vocação organicista e moralista da esquerda radical acaba sempre por produzir o atrofiamento da emancipação individual e por contrariar aquela que é a vocação originária da própria democracia representativa.        <br />
              <br />
       <b>7. A esquerda e os intelectuais</b>       <br />
              <br />
       Finalmente, a questão dos intelectuais. E começo por referir uma entrevista do filósofo francês Alain Badiou a «Le Monde» que deu que falar. Nela ele declarava o fim – desejado – do «intelectual de esquerda». A coisa pareceu ganhar mais sentido após a debandada geral de ilustres figuras do PS francês para o projecto sarkoziano. De qualquer modo, o caso intelectualmente mais flagrante, depois de algumas viragens já verificadas durante a corrida presidencial de Ségolène Royal e do caso Kouchner, foi a transmigração do pós-moderno ex-ministro socialista da cultura Jack Lang. Dizia Badiou: «esta adesão a M. Sarkozy simboliza a possibilidade, para intelectuais e filósofos, de serem, doravante, reaccionários clássicos “sans hésitation ni murmure”, como diz o regulamento militar». (…) «Nós vamos assistir – ao que eu anseio – à morte do intelectual de esquerda, que vai soçobrar ao mesmo tempo que toda a esquerda, antes de renascer das suas cinzas como a fénix». Aqui, a verdadeira questão consistiria em saber o que é a esquerda, não antes de saber em que consistiria o ser-intelectual. Na França de hoje, o problema é complexo, reconheçamos.       <br />
              <br />
       Mas, em boa verdade, há muito que estamos a assistir à morte do «intelectual», do «filósofo», do «maître à penser». Que, na verdade, tem o seu ADN à esquerda, apesar dos excelentes Aron(s). Permitam-me recordar que, disto, muito falei no meu livro de 1999, «Os intelectuais e o Poder» (Lisboa, Fenda): que acabaram os sartres. E que Sartre foi, talvez, o último dos «maîtres à penser». Que estes acabaram ao mesmo tempo que as «grandes narrações». Que acabaram quando acabou a densificação do tempo vivido, a identificação territorial dos percursos de vida, a exaltação da memória. E quando o princípio da esperança se desligou do futuro. Quando o presente se impôs como ditadura e as ideologias se diluíram, sendo substituídas por fugazes e superficiais estilos de vida.        <br />
              <br />
       A verdade é que os intelectuais não eram simplesmente autores de livros ou de ensaios. Eram, isso sim, autores de ideologias, de mundividências, de concepções do mundo. Demiurgos. Eram artífices de ideias projectadas no futuro, mas com capacidade de impulso sobre o presente, como se fossem forças materiais, físicas, sujeitas à lei da gravidade. Substituíam-se, com eficácia, às religiões e projectavam a laicidade à categoria de concepção do mundo. Construíam vastas redes de pertença, onde se reconheciam inteiros grupos sociais. O pensamento tornava-se norma de comportamento, atitude, ética, sentido. E eles emprestavam um certo heroísmo de atitude à esquerda, uma certa nobreza, para não dizer uma certa superioridade moral.       <br />
              <br />
       Nada disto subsiste. Tudo se fragmentou. Até as causas, que passaram a ser especialidades de uns tantos profissionais. O fim das grandes narrações, a ditadura do presente, o triunfo do inorgânico, a velocidade, o tempo como sucessão de instantes absolutos, o indivíduo como função do inorgânico, o império do simulacro, tudo isto gerou uma nova rede social onde não há lugar para os velhos intelectuais. O novo intelectual é o «fast-thinker». O «Lucky Luke» do pensamento e da palavra. O velho «maître-à-penser» deu lugar ao novo «prêt-à-penser», que ocupa os interfaces da comunicação como seu ambiente natural. Está por todo o lado e ao mesmo tempo. É um clone de si próprio. Fala de tudo como se de tudo fosse especialista. E ao ritmo da comunicação electrónica. O «sound byte» é a medida do seu discurso. Ele é uma espécie de centauro: meio intelectual, meio publicitário. Assume o meio onde comunica como «púlpito» onde exerce o poder da palavra, olhos nos olhos com o público, essa «multidão solitária» que se une em torno do terminal electrónico onde ele pontifica.        <br />
              <br />
       Este é o novo intelectual «tout court». Já nem de esquerda nem de direita. Mais do que de esquerda ou de direita, o novo intelectual é orgânico do inorgânico, do simulacro, da velocidade, da emoção curta e eficaz, do discurso binário, da urgência do presente, do negativo. Não cria nem representa ideologias ou concepções do mundo. Representa-se a si próprio e age como se fosse o umbigo do mundo. Ora, quando a política começa a exibir excessivas afinidades com este universo discursivo dos novos intelectuais do vídeo, torna-se necessário reivindicar o regresso em força do orgânico, contra os cavaleiros do simulacro. O que em si representa uma eventual regressão da própria esquerda. Eu diria, à esquerda, que o regresso do orgânico é hoje representado pela irrupção do indivíduo, fisicamente determinado, na nova cena comunitária global.        <br />
              <br />
       <a class="link" href="http://www.joaodealmeidasantos.blogspot.com" onclick="window.open(this.href,'_blank');return false;">Más</a>
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/La-izquierda-y-la-naturaleza-humana_a16.html" />
  </entry>
  <entry>
   <title>O Espaço Intermédio</title>
   <updated>2010-03-31T13:32:00+02:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/O-Espaco-Intermedio_a15.html</id>
   <category term="Bitácora" />
   <photo:imgsrc>http://www.tendencias21.net/comunicacion/photo/art/imagette/1980041-2730187.jpg</photo:imgsrc>
   <published>2010-03-31T13:24:00+02:00</published>
   <author><name>João de Almeida Santos </name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
En este ensayo intento hacer una reflexión sobre el concepto de «espacio intermedio», categoría central en la «geografìa situacional» y cognitiva del hombre contemporaneo. Mi reflexión está centrada en el excelente libro de Silvano Tagliagambe, «El Espacio Intermedio. Red, individuo, comunidad», publicado por las ediciones «Fragua», de Madrid, en cooperación con el ThinkCom-Instituto de Pensamiento Estratégico, coordenado por el Prof. Jesús Timoteo, de la UCM. Este concepto está hoy en el centro del pensamiento contemporaneo pues que permite comprender la mutación del paradigma cognitivo moderno hacía nuevas formas de relación cognitiva de los individuos con la realidad y los otros. Tagliagambe nos propone una sólida fundamentación del concepto de «espacio intermedio», visitándolo en sus varias expresiones científicas y evolucionando hacía una llave de lectura centrada en la red.     <div>
      
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
     <div style="position:relative; float:left; padding-right: 1ex;">
      <img src="http://www.tendencias21.net/comunicacion/photo/art/default/1980041-2730187.jpg" alt="O Espaço Intermédio" title="O Espaço Intermédio" />
     </div>
     <div>
      O «Espaço Intermédio» é um livro de Silvano Tagliagambe, publicado em Itália em 2008, pelas edições da Universidade Bocconi («Lo Spazio Intermedio. Rete, individuo e comunità»), de Milão, e, recentemente, em Madrid, pelas edições «Fragua», em cooperação com o ThinkCom, Instituto de Pensamiento Estratégico, da Universidade Complutense de Madrid, dirigido pelo Prof. Jesús Timoteo (Tagliagambe, Silvano, 2009, El Espacio Intermedio. Red, individuo y comunidad, Madrid, Fragua, pp. 240). O autor, filósofo italiano, professor nas Universidades de Roma, «La Sapienza», e de Sassari, na Sardenha, propõe-nos, nesta interessante obra, uma reflexão em torno do conceito de «espaço intermédio», como proposta de resolução daquele que vem sendo, afinal, o mais antigo problema com que, há séculos, se confronta a tradição filosófica: o problema da mediação entre ser e pensamento, género e indivíduo, universal e particular. Problema que o Professor Tagliagambe identifica com uma fórmula feliz e eficaz: a «ansiedade cartesiana», filha de um dualismo incomponível entre a ideia e a matéria que tanto trabalho tem dado à filosofia ocidental.        <br />
              <br />
       1. «O Espaço Intermédio, rede, indivíduo e comunidade» é um excelente livro: cientificamente culto e conceptualmente rigoroso. Rico na diversidade de enfoques, de perspectivas sobre o tema central, mas rigorosamente desenvolvido segundo um claríssimo fio condutor: precisamente a ideia de espaço intermédio. Uma ideia verificada nos vários ramos do saber, com incursões analíticas nos vários domínios das ciências, desde a geoquímica, com o russo Vernadski, até à biologia, com Stuart Kauffmann ou o russo Alexei Ujtomskij: o «mundo intermédio», dizia este, teorizado e elaborado conceptualmente por Florenskij, não é só uma entidade abstracta, mas também a dimensão em que se forma e se desenvolve a identidade pessoal de cada um de nós; desde teoria da literatura, com Michaïl Bachtin, à filosofia, com Thomas Kuhn ou Wittgenstein, à neuropsicologia, com Luriya, à linguística e à teoria da linguagem, com Vygotski, ou ao universo das redes de comunicações, com Chris Anderson, etc., etc..        <br />
       Ou seja, um conjunto vastíssimo e diversificado de argumentações científicas em torno da fundamentalidade do conceito de «espaço intermédio».        <br />
              <br />
       2. O conceito de «espaço intermédio», de resto, eu próprio o encontrei, e valorizei, pela primeira vez, no livro de Joshua Meyrowitz «No sense of place. The impact of electronic media on social behaviour (New York, Oxford University Press, 1985). Dei-lhe uma certa atenção na minha tese de doutoramento e, em particular, tendo em conta a excepcionalidade da obra onde o encontrei (Meyrowitz, por esta sua obra, foi justamente considerado como um segundo McLuhan). Mas hoje, depois de ter reflectido sobre esta obra de Silvano Tagliagambe, ter-lhe-ia dado, sem qualquer dúvida, uma importância muito maior. Rezava assim, a passagem de «No Sense of Place», tendo como pano de fundo os media electrónicos:        <br />
              <br />
       «partindo dos conceitos de espaço de bastidores e de palco, o novo comportamento produzido pela fusão das situações [a de palco e a de bastidor] pode ser definido como “espaço intermédio” (…). E continua Meyrowitz: «Instaura-se um comportamento de espaço intermédio quando os espectadores assumem uma perspectiva “de palco lateral”. Isto é, eles vêem algumas partes dos bastidores tradicionais e algumas partes do palco tradicional; vêem o actor passar dos bastidores para o palco e vice-versa».        <br />
              <br />
       A antiga fronteira passa, pois, de muro separador a ponto de contacto. Ou melhor: acaba a fronteira. E diria mais, entrando a fundo na tese de Meyrowitz: com os media electrónicos, as fronteiras convencionais, sejam elas geracionais, sexuais ou políticas, desaparecem, alterando-se, assim, a própria geografia situacional dos indivíduos. Ou seja, todos eles passam a ocupar um espaço intermédio a partir do qual se relacionam cognitivamente com o real e com os outros. Ou seja, a separação radical tradicional entre público e representação desaparece no «espaço intermédio», uma vez que desaparece a separação entre bastidores e palco, desencadeando, assim, uma real interacção entre a representação e o público. Com efeito, ao conhecer os bastidores da representação, o público passa a ser também virtualmente actor, sem deixar de ser espectador. Ou seja, a fronteira que demarcava estes dois territórios desaparece, dando lugar a uma outra fronteira que já não só separa, mas também une, põe em relação, liga, funcionando como ponte, permitindo que o espectador interaja com o palco, com os actores e a própria representação. A invasão do olhar do público sobre os bastidores não pode deixar de condicionar a própria representação em todas as suas dimensões.        <br />
       Também Jesús Timoteo, no seu excelente «Gestión del poder diluído», de 2005 (Madrid, Pearson: 244), refere este conceito aos media:        <br />
              <br />
       os media, diz ele, «conseguiram que os níveis de decisão dos indivíduos não estejam situados nem em âmbitos de massas nem sequer num âmbito de isolamento pessoal, mas sim num espaço intermédio de esfera social».        <br />
              <br />
       3. Eu acrescentaria que este é precisamente o ponto de passagem onde se estrutura o novo espaço público deliberativo e onde entram a política deliberativa e a democracia deliberativa, no sentido em que as concebe o Habermas de «A inclusão do Outro» (Die Einbeziehung des Anderen. Studien zur politischen Theorie, Frankfurt/A/Main, Suhrkamp, 1996) ou de «Facticidade e validade» (Faktizität und Geltung. Beiträge zur Diskurstheorie des Rechts und des demokratischen Rechtsstaats. Frankfurt/A/Main, Suhrkamp, 1992), ou seja, lá onde o «espaço intermédio» é o lugar onde ocorre essencialmente esse processo que conduz à conversão e à institucionalização política e institucional da opinião pública que nele se exprime. É isso mesmo que diz Habermas:        <br />
              <br />
       «No interior e no exterior dos corpos políticos programados para deliberar, estas comunicações sem sujeito formam “arenas” onde – acerca de temas relevantes para toda a sociedade e em torno de matérias que necessitam de regulação – pode acontecer uma formação mais ou menos racional da opinião e da vontade. A formação informal da opinião desemboca em decisões eleitorais institucionalizadas e em deliberações legislativas através das quais o poder comunicativamente produzido é transformado em poder administrativamente utilizável» («L'inclusione dell’altro, Milano, Feltrinelli, 1998: 244-245).        <br />
              <br />
       4. O que encontramos, portanto, nesta obra do Prof. Tagliagambe, quase como a confirmar esta sintonia, é uma formulação da emergência de um «espaço intermédio» que parece coincidir com a Habermas, mas sobretudo com a de Meyrowitz, ao concebê-lo como uma nova, palavras suas, «intimidade entre público e privado» ou como o «go between entre individual e social» (2009: 213). Uma intimidade só possível quando as fronteiras deixam de ser muros inultrapassáveis para passarem a ser espaços de intermediação e de conexão, onde, portanto, o individual se converte em social e o social retro-age sobre o individual. Mas uma retro-acção de novo tipo, já que o individual, neste modelo, nunca pode ser subsumido por esse universal que é o público ou o social. E não pode precisamente porque ele já reside num «espaço intermédio».        <br />
       Pois bem, este livro do Prof. Tagliagambe é uma vasta e variegada fundamentação da pregnância actual do conceito de «espaço intermédio» e da ruptura que ele opera com o velho individualismo metodológico. Uma fundamentação que encontra suporte num complexo disciplinar e científico muito vasto e rico. Aliás, o título do livro condensa muito bem o programa que vem desenvolvido no seu interior. Vejamos o título: O Espaço Intermédio - rede, indivíduo, comunidade.        <br />
              <br />
       5. Comecemos pela Rede. A Rede é um «espaço entre», comandado por uma lógica relacional, não convertível numa lógica substancialista, aristotélica, nem na relação sujeito-objecto. Ou seja, colocando o meu discurso mais perto do discurso do autor: com a rede verifica-se uma passagem do pensamento centrado na ideia de substância (que os gregos designavam por tò hypokeímenon, e, que, depois, o racionalismo e o idealismo modernos haveriam de converter em sujeito), para o pensamento centrado na ideia de relação, enquanto «modalidade primitiva do real», lá onde o sujeito é constituído por uma matriz relacional, seja no plano diacrónico seja no plano da sincrónico, seja no plano interno seja no plano externo. Lá onde, afinal, o sujeito adquire também o estatuto de uma variável, ou seja - para usar as palavras do Habermas da «Querela sobre o Positivismo» - onde se pode dar uma síntese entre substância e função.        <br />
       Na rede, desenvolve-se um saber relacional e uma «inteligência conectiva» que é, ao mesmo tempo, uma «inteligência colectiva», mas multipolar – eu diria também «with no sense of place», glosando o título do livro de Meyrowitz -, uma inteligência, pois, que reside nesse «espaço intermédio» que é a própria rede.        <br />
              <br />
       6. Depois, o Indivíduo. O indivíduo não é aqui concebido como o sujeito próprio da lógica aristotélica. O indivíduo constitui-se como um processo mediado. Precisamente no sentido em que o concebe Gramsci: l’uomo è ciò che può diventare, o homem é aquilo em que se pode tornar. Vale a pena citá-lo, a partir dos «Quaderni del Carcere»:        <br />
              <br />
       «ponendoci la domanda che cosa è l’uomo, vogliamo dire: che cosa può diventare», ou «l’uomo è un processo e precisamente è il processo dei suoi atti» ou, ainda, aproximando-nos mais, «ogni individuo non è solo la sintesi dei rapporti esistenti, ma anche della storia di questi rapporti, cioè il riassunto di tutto il passato» (Quaderni, Torino, Einaudi, 1975: 1343-1346; Q., 10).        <br />
              <br />
       Esse indivíduo de que Gramsci fala faz parte do género humano precisamente através das várias comunidades em que participa, sendo, portanto, também, modelado e construído por elas. É claro que em Gramsci a vontade e a razão individuais também lá estão para desempenhar o seu papel naquela que se poderia conceber como uma ontologia social, onde o homem seria mais um resultado do que um processo onde ele próprio participaria activamente:        <br />
              <br />
       «occorre concepire l’uomo», diz ele, «come una serie di rapporti attivi (un processo) in cui se l’individualità ha la massima importanza, non è però il solo elemento da considerare», porque, para Gramsci, a humanidade é composta pelo indivíduo, pelos outros homens e pela natureza, e onde as relações são orgânicas (Q., 1345).        <br />
              <br />
       Ou seja, retomando o livro aqui em causa, o indivíduo torna-se cada vez mais comunidade, na medida em que a comunidade o «sobredetermina», para usar o feliz conceito do Althusser de «Pour Marx» [1965] (Paris, Maspero, 1973, 87-116; 206-224), modelando-o, ao mesmo tempo que o obriga a olhar para si próprio como um ser-em-comunidade, complexo, que contém em si uma vasta sedimentação dos seus próprios estádios de desenvolvimento num processo evolutivo e interactivo com o exterior. É por isso que Tagliagambe fala também, não de «pertença» do indivíduo ou sujeito na sua relação com uma organização, mas de «multipertença» (de diferentes nível, significado e valor) e fala da natureza anfíbia do homem (seguindo Hegel), a significar a sua relação de equilíbrio dinâmica, activa, aberta e plural com o mundo exterior (2009: 105-106), que retro-age sobre ele, modificando-o e articulando-o (2009: 108-110).        <br />
       Trata-se, pois, de um conceito de homem bem afastado das visões essencialistas, metafísicas ou subjectivistas da natureza humana.        <br />
              <br />
       7. Finalmente, a Comunidade. A interpenetração entre indivíduo e comunidade compreende-se muito bem se a pensarmos a partir da rede: nem o indivíduo é subsumido nela, nem a comunidade é subsumida no indivíduo/sujeito. Pelo contrário, a comunidade que se constitui no ciberespaço pressupõe uma fortíssima afirmação do indivíduo singular, possibilidade que não era visível na era dos media convencionais, porquanto ele sofria uma inevitável compressão a cargo de mediadores centrados subjectivamente, quer como sujeitos produtores de informação quer como organização-emissora de informação, ou seja, como sujeitos detentores de um exlusivo poder administrativo, discricionário e instrumental: editores, «gatekeepers», managers, proprietários. De resto, a lógica «broadcasting» é uma lógica própria da relação sujeito-objecto, emissor-receptor, produtor-consumidor. Ou seja, é uma lógica de natureza instrumental, para usar a modulação conceptual da Escola de Frankfurt.        <br />
       Ora acontece que, com a Rede, esta comunidade se constitui como um verdadeiro «espaço intermédio» onde não há extremos em oposição directa ou relações puramente instrumentais, mas sim variáveis em relação, dotadas de densidade ontológica.        <br />
       Castells estabeleceu uma interessante distinção entre a lógica tradicional - de tipo sujeito/objecto, substancialista e virtualmente instrumental, presente nos media convencionais, que se movem segundo o módulo «broadcasting» e no interior de uma relação de tipo one-to-many - e a lógica relacional, que está presente na rede e nas comunidades que nela estão integradas. A comunidade virtual do ciberespaço é uma comunidade que não tende a anular a liberdade do sujeito individual, como acontecia na generalidade das comunidades tradicionais. Antes, pelo contrário, ela devolve-lhe uma centralidade que não possuía sequer na sociedade mediática, abrindo-lhe um espaço de intervenção activa na comunidade, livre de mediações de tipo administrativo, próprias dos velhos e poderosos «gatekeepers» ou senhores da opinião.        <br />
              <br />
       8. O que aqui se passa é, afinal, algo que os filósofos sempre procuraram, ao pretenderem resolver aquilo a que Tagliagambe chama «ansiedade cartesiana», resultante do dualismo incomponível entre a ideia e o real, o género e o indivíduo, o sujeito e o objecto, o universal e o particular. O «espaço intermédio» é a solução que escapa aos problemas de subsunção recíproca quando o dualismo entre ser-pensamento procura superar-se sem sair de si. Uma solução diferente da que Heidegger propõe com esse grande mediador que é o Ser, esse «transcentente puro e simples» («Sein ist das transcendens schlechthin», de que fala na Carta sobre o Humanismo (Paris, Aubier, 1964, 92-93), mas mais próxima daquela que vê na instituição jurídica um «espaço intermédio» que tem como missão desenvolver um processo de funcionalização do singular ao universal, e vice-versa, e que representa, ao mesmo tempo, esse hibridismo que Hegel vê no homem e que já Maquiavel também via, quando, no «Príncipe», falava da necessidade de conjugar no exercício do poder «la golpe e il lione», o leão e a raposa, o pensamento e a força, vista essa natureza centáurica ou híbrida do homem.        <br />
              <br />
       9. Só que o novo «espaço intermédio» é algo que verdadeiramente conserva e supera, mas para além do registo hegeliano da Aufhebung, ainda demasiado prisioneira de uma filosofia do sujeito. Como se se tratasse de uma espécie de ontologia da relação. Este espaço tem, assim, muitas virtualidades, sobretudo no processo evolutivo de uma democracia que está a encontrar limites tais que a podem tornar funcionalmente inútil. Este «espaço intermédio», que não é uma utopia, já que ele é visível em todos os planos do sistema-vida em que nos inserimos e movemos, como tão bem este livro do Prof. Silvano Tagliagambe nos demonstra, pode constituir, se o intensificarmos, o assumirmos e fizermos dele o nosso verdadeiro «habitat» humano, uma poderosa alavanca para sairmos dos impasses que nos estão a bater à porta cada vez com mais intensidade, desde o equilíbrio do ecossistema até aos desequilíbrios de uma democracia electivamente cada vez mais anémica. E o livro do Prof. Tagliagambe, pelo seu vigor argumentativo, pode muito bem constituir um excelente tónico para a luta daqueles que aliam a emancipação individual, cívica e cultural, ao compromisso para com o próprio, e cada vez mais ameaçado, ecossistema.        <br />
              <br />
       10. O espaço intermédio é, afinal, o ambiente onde melhor pode desenvolver-se uma interacção produtiva e sustentável entre indivíduo e sistema, substância e função, vontade e meio. Traduzindo socialmente estas relações, podemos dizer que o espaço intermédio é o meio onde melhor se conjugam a «ética de convicção» e a «ética da responsabilidade». E é a rede que constitui essa teia inovadora onde, finalmente, é possível conjugar a ideia de comunidade com a plena afirmação da singularidade individual. Onde a máxima liberdade pode, de facto, conviver com a máxima responsabilidade, dando, assim, voz ao kantiano imperativo categórico: «age como se a máxima da tua vontade possa sempre valer ao mesmo tempo como princípio de uma legislação universal» (Kant, E., 1966, Critique de la raison pratique, Paris, PUF, 30).       <br />
       
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/O-Espaco-Intermedio_a15.html" />
  </entry>
  <entry>
   <title>A Rede, o Poder e o Contrapoder</title>
   <updated>2010-02-16T20:16:00+01:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/A-Rede-o-Poder-e-o-Contrapoder_a14.html</id>
   <category term="Bitácora" />
   <photo:imgsrc>http://www.tendencias21.net/comunicacion/photo/art/imagette/1888188-2585814.jpg</photo:imgsrc>
   <published>2010-02-16T20:05:00+01:00</published>
   <author><name>João de Almeida Santos</name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
En este ensayo intento caracterizar al nuevo espacio público deliberativo que ha nacido con la red, proponiendo al mismo tiempo una reflexión en torno al problema de la regulación de los flujos informativos y comunicacionales en este espacio y a las tentativas de su controlo por parte de los poderes nacionales, en nombre de su soberanía, pero en conflicto abierto con el derecho de los ciudadanos a la libertad de información y de comunicación. Un problema que no se pone sólo a los regímenes autoritarios sino también a las democracias representativas. Un problema de regulación entre el Estado y el ciudadano.     <div>
      
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
     <div style="position:relative; float:left; padding-right: 1ex;">
      <img src="http://www.tendencias21.net/comunicacion/photo/art/default/1888188-2585814.jpg" alt="A Rede, o Poder e o Contrapoder" title="A Rede, o Poder e o Contrapoder" />
     </div>
     <div>
      «O nosso objectivo é mudar o mundo»       <br />
       «Nuestro objetivo es cambiar el mundo»       <br />
              <br />
       Eric Schmid, chefe executivo do Google       <br />
              <br />
              <br />
       <b>I. «Senhor HU, deite abaixo este Grande Firewall!»</b>       <br />
              <br />
       Regresso a um tema que ganha cada vez mais importância nos dias que correm. A propósito do caso Google/China, alguém já falou de um combate digital entre um David e um Golias. Outros dizem que só a consciência da própria força é que permitiu ao Google enfrentar abertamente o colosso chinês, em vez de negociar nos bastidores, como é próprio do mundo empresarial (PISANI, Francis, “Cyber power”: Google se enfrenta a China «EL País», 02.02.10, p. 27). A questão motivou uma intervenção de Hillary Clinton, exigindo publicamente respeito pela Web a nível global e defendendo a liberdade universal online. Com refere Timothy Garton Ash (La guerra fredda digitale tra USA e Cina, «La Repubblica», 1.2.10, p. 27), sem ser tão radical como Ronald Reagan - quando, dirigindo-se a Gorbatchov, disse, em Berlim, «Senhor Gorbatchov, deite abaixo este Muro» -, Hillary disse, de facto: «Senhor Hu, deite abaixo este Grande Firewall»!       <br />
              <br />
       Sobretudo, o que está em questão, com a actualíssima questão chinesa (ou iraniana), é a relação entre a universalidade da Rede, a liberdade individual e as soberanias nacionais. Questão que se põe à China ou ao Irão, outro protagonista da censura digital, e em geral àqueles que já são considerados, pelos Repórteres Sem Fronteiras (ALANDETE, David, La red espía tus movimientos, in «El País» 08.02.10, p. 32-33) , como «os 12 inimigos da Internet» (Cuba, Egipto, Coreia do Norte, Síria, Tunísia, Arábia Saudita, Vietname, Myanmar, Turkemenistão e Uzbekistão, além da China e do Irão), mas que se põe também às democracias ocidentais. É claro que a verdadeira questão é a questão da liberdade de informação e de comunicação, sobretudo quando, por um lado, estamos perante uma escala global e um acesso globalmente livre (em teoria) e, por outro, estamos perante sistemas políticos nacionais mais ou menos autoritários, tradicionalistas ou fundamentalistas, que não podem conviver com a livre circulação da informação, vertical ou horizontal que seja. E também é claro que não podemos falar somente em liberdade política, de opinião, de informação e de acesso ao conhecimento. Falamos também de entretenimento, de acesso a bens, de comércio, de negócio, de actividade económica. De uma realidade muito bem retratada por Don Tapscott, na estimulante Introdução ao livro de Juan Luís Cebrián, La Red: «o mundo desenvolvido está a deixar de ser uma Economia Industrial baseada no aço, nos automóveis e nas estradas para se converter numa Economia Digital baseada no silício, nos computadores e na rede» (CEBRIÁN, J.L. La Red, Madrid, Suma de Letras, 2000: 20). Ou seja, daquela transição que Nicholas Negroponte identificava, em «Being Digital» (1995), como passagem dos átomos aos bits. Mas falamos também da emergência de um universo que não está imune, bem pelo contrário, às práticas desviantes, como a pornografia infantil ou o terrorismo. Falamos, pois, do ponto de vista dos conteúdos, de mundividências, de estilos de vida, de informação e cultura, de economia, de política, de comunicação e de práticas reais, tudo conteúdos circulantes sob forma digital, mas com um impacto decisivo sobre países, grupos sociais e indivíduos singulares. É por isso que a questão não se põe só para os países governados por sistemas autoritários. Ela põe-se também para as democracias ocidentais, sujeitas como estão a desvios claramente incompatíveis com os grandes princípios por que se regem – desde a ciberpirataria até à pornografia ou à pedofilia difusas, ao terrorismo. Trata-se também aqui, afinal, da questão de uma regulação dos fluxos informativos e comunicacionais que circulam na rede universal, que não afecte, todavia, a liberdade responsável. A questão é, porém, bem mais complexa do que a que se põe aos meios de comunicação tradicionais, sabendo nós que, afinal, a própria regulação dos media tem sido tão sensível quão difícil e complexa, até quase à impraticabilidade. Porque a Rede tem uma dimensão global, tratando-se, ao mesmo tempo, de um sistema muito mais complexo, estruturado a partir de uma lógica relacional (a da relação «many-to-many»), massificado, mas individualmente centrado, com diversas modulações de acesso, emissão, recepção e interacção e sem centros de comando equivalentes aos dos media tradicionais. Uma regulação, portanto, muito mais difícil e complexa. Além disso, neste mundo da globalização de processos e da comunicação continuam a manter-se as soberanias nacionais, as lógicas, os processos e as relações locais. E a própria natureza, por mais que se queira, ainda continua a caminhar com os ritmos implacáveis da sua própria e lenta temporalidade. De resto, alguém definiu esta coexistência com uma palavra de compromisso: glocal, ou seja, pensar global e agir local. E a questão também é esta: até que ponto a lógica global tenderá a colonizar a acção local? Ou, então: até que ponto a lógica local tende a reforçar-se e a criar mecanismos de defesa perante uma ameaça de colonização por parte de uma lógica global, exógena, externa? O problema, como se sabe, consiste em compatibilizar a preservação das identidades locais ou nacionais, a sua, digamos, soberania, com a assunção da lógica global, demarcando os planos em que se afirmam ambas. No fundo, é sempre a questão da relação entre sistema e indivíduo, entre universal e particular, lá onde é sempre indesejável que um subsuma o outro, sobretudo, aqui, onde desapareceram os mediadores. Foi por isso que se formulou essa ideia de traduzir o pensamento global na linguagem da identidade local: glocal. Mas a questão é incontornável: pode um Estado autoritário conviver com uma informação sem fronteiras - suportada, além disso, numa infra-estrutura global, como é a Rede -, mesmo que se trate de um despotismo iluminado? O que regressa sempre ao debate é a própria questão democrática. E, assim, a questão de um novo espaço público deliberativo que remete mais para o indivíduo singular do que para as grandes organizações. De resto, a questão da compatibilidade entre as identidades nacionais e uma cidadania universal (embora ele estivesse mais preocupado em fundamentar uma cidadania europeia) foi muito bem analisada e demonstrada por Habermas num texto sobre «Cidadania e identidade nacional» (HABERMAS, J., Cittadinanza e identità nazionale, in MicroMega 5/91, Roma, pp. 123-146).       <br />
              <br />
       <b>II. Uma mudança de paradigma no espaço público deliberativo</b>       <br />
              <br />
       A verdadeira questão reside, pois, na natureza do novo espaço público que resultou da emergência da rede e da sua interacção com media convencionais que, no interior do seu limitado modelo de comunicação, também já falavam uma linguagem global, embora sempre na óptica da relação emissor-receptor, enquanto relação sujeito-objecto. Ou relação «one-to-many», como diz Castells, mais afim a uma lógica de natureza instrumental.       <br />
       Longe vão, pois, os tempos em que o espaço público era a rua ou a praça ou em que estava delimitado apenas pelas fronteiras da imprensa ou dos media convencionais, como a televisão. Este era um espaço controlado pelos chamados «gatekeepers», pelos Senhores da Opinião, pelos «Cães de guarda» do público, por aqueles que venho designando como «agentes orgânicos do poder mediático», os que ocupam com regularidade um espaço nos «púlpitos» (e nas «sacristias») do sistema mediático. E é claro que este espaço tanto era um espaço de livre informação, opinião e saber, capaz de descodificar para os cidadãos o exercício do poder, como se transformara também num espaço instrumental para conquistar, preservar e reproduzir poder. Este tornou-se também naquele espaço onde os «spin doctors» manipulavam para desviar atenções e orientar a agenda pública ao sabor de interesses muito resguardados, fossem eles políticos ou económicos, de governo ou de oposição.       <br />
              <br />
       Ora a rede, com todo o arsenal de instrumentos de acesso directo ao espaço público que ela própria integra e configura, veio alterar tudo isto, dando a possibilidade aos cidadãos de acederem directamente à informação, mas também ao próprio espaço editorial, tornando-se eles próprios produtores de informação e de opinião. Neste sentido, a rede veio relativizar o poder dos media convencionais, construindo um novo espaço público muito mais complexo e muito mais democrático, capaz de revolucionar as próprias relações entre o poder mediático, o poder económico, o poder político e os cidadãos.       <br />
              <br />
       <b>III. O novo espaço público deliberativo e os seus inimigos</b>       <br />
              <br />
       Manuel Castells identificou, em «Communication, Power and Counter-Power in the Network Society» (in «International Journal of Communication», Vol. 1, 2007), esta nova realidade através do conceito de «mass self communication», de comunicação individual de massas. Conceito que até parece, à primeira vista, contraditório, já que a afirmação individual resiste à ideia de uma sua anulação nesse universo compacto das massas. Mas é por isso mesmo que ele é interessante. Com efeito, quando se fala deste universo, na «mass self communication», fala-se na capacidade expansiva universal do sistema em rede, precisamente a partir de pólos individuais, mas múltiplos ao infinito. Lá onde o acesso é directo e sem mediações, mas onde, por isso mesmo, esta possibilidade de expansão está condicionada, à partida, pelas competências do próprio emissor individual, pela sua capacidade de produzir conteúdos consistentes e de os difundir no interior do sistema, pela sua genialidade e também pela sua capacidade de entrar no sistema dos media convencionais, ainda indispensáveis para uma boa difusão na própria rede. Trata-se, pois, de uma poderosa revolução que permite agir directamente no interior do espaço público como nunca, antes, acontecera. Um espaço público que, agora sim, pode ser considerado como um verdadeiro espaço público deliberativo. Mas é por isso mesmo que muitos – por exemplo, o próprio Castells - já começam a chamar a atenção para as manobras vastíssimas que se estão a verificar neste espaço, o da rede, não só através da sua ocupação pelos media convencionais, no plano dos conteúdos e dos seus «agentes orgânicos», mas também internamente, por parte de grupos ou de países – como a China, com a sua «Grande Muralha de Fogo», ou seja, a censura online da República Popular - que temem que este se venha a transformar num perigoso espaço de contrapoder, ameaçador de uma ordem que não pode conviver com a liberdade própria deste novo espaço público deliberativo. Diz Castells: as elites dominantes vêem-se, assim, desafiadas por movimentos sociais, projectos de autonomia individual ou políticas insurreccionais que encontram um ambiente muito mais favorável nesse universo emergente da «mass self communication». Deste modo, ao que se assiste é a uma nova fase e a um novo modo de construção do poder no espaço de comunicação, quando os poderosos compreendem que é necessário responder ao desafio lançado pelos networks de comunicação horizontal. Que significa isto, diz ele? Significa ter necessidade de vigiar a Internet, como acontece nos USA, apesar de nem assim conseguirem evitar as constantes intrusões no seu sistema, designadamente por parte da China, tendo-se registado, só entre Janeiro e Junho de 2009, 43.785 casos de ciberpirataria, no que vem sendo uma subida exponencial desde 2000 (de 1415 para 87.570, em 2009) (Fonte: Reuter/La Repubblica); de controlar manualmente o correio electrónico, se não se dispuser de um robot em condições de o fazer, como comprovado pelas últimas descobertas na China, onde, segundo Federico Rampini, 15.000 técnicos trabalham em permanência no controlo da informação, muitas vezes usando os mesmos métodos dos ciberpiratas; de tratar os utentes da Internet como piratas e vigaristas, como está abundantemente previsto na legislação da UE; de adquirir «sítios» da WEB de social networking, para controlar as suas comunidades; de adquirir as infraestruturas de rede para fazer discriminações nos direitos de acesso. Em suma, de recorrer a tantas tácticas de controlo e de delimitação daquele que é o mais recente modelo de espaço de comunicação.        <br />
              <br />
       Isto diz Castells. E com isso ele quer dizer que esta grande revolução no espaço público começa agora, muito antes de ter despoletado a suas imensas e exponenciais capacidades, a conhecer ela própria a sua própria contra-revolução. Porque do que aqui se trata, de facto, não é ainda, infelizmente, da desejada regulação, mas de controlo, de censura e de ciberespionagem. Ou mesmo de desqualificação, por parte de personagens insuspeitos, Finkielkraut o Séguéla, que, num momento certamente menos feliz, ousaram considerar a Net como «poubelle de la democratie» ou como «la plus grande saloperie jamais inventée» («Nouvel Observateur», Nov./Dez., 2009).  Uma coisa é certa: o mundo não volta para trás e a natureza da Internet é tal que o controlo se torna cada vez mais difícil. O que eu creio é que ela já nos trouxe mais coisas positivas do que negativas. E uma delas é a do poder que o indivíduo singular readquiriu, ao libertar-se desses intermediários que tendem sempre a transformar a mediação em princípio e fim do processo democrático. Como dizia Bill Gates: «a China, de qualquer modo, será melhor do que antes, graças a nós». Mas eu creio que não é só a China: é o mundo em geral.        <br />
              <br />
              <br />
       <a class="link" href="http://www.joaodealmeidasantos.blogspot.com" onclick="window.open(this.href,'_blank');return false;">Fuente</a>
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/A-Rede-o-Poder-e-o-Contrapoder_a14.html" />
  </entry>
  <entry>
   <title>Política 2.0</title>
   <updated>2009-12-22T12:34:00+01:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/Politica-2-0_a13.html</id>
   <category term="Bitácora" />
   <photo:imgsrc>http://www.tendencias21.net/comunicacion/photo/art/imagette/1778658-2417663.jpg</photo:imgsrc>
   <published>2009-12-22T12:23:00+01:00</published>
   <author><name>João de Almeida Santos</name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
Algo muy profundo está cambiando en las relaciones entre política, democracia y comunicación. La «política broadcasting», amiga íntima de los viejos «spin doctors», está cediendo el paso a la «política digital», donde los ciudadanos ya no se confunden con los espectadores y, por eso, no tienen que pedir permiso a los «gatekeepers» para acceder al espacio público, sea para argumentar sea para informarse. Porque la libertad está cada vez más en sus manos.  Por João de Almeida Santos     <div>
      
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
     <div style="position:relative; float:left; padding-right: 1ex;">
      <img src="http://www.tendencias21.net/comunicacion/photo/art/default/1778658-2417663.jpg" alt="Política 2.0" title="Política 2.0" />
     </div>
     <div>
      Há algum tempo, numa conferência na «Bocconi», de Milão, o sociólogo Manuel Castells disse mais ou menos isto: «a “mass self communication” foi um dos elementos fundamentais para a vitória de Obama». O que é que significa este novo conceito, introduzido precisamente por Castells? Significa o seguinte: «comunicação individual de massas». Um aparente paradoxo que traduz bem a possibilidade de afirmação do indivíduo singular no interior de um vasto universo de indivíduos globalizados, no interior de uma espécie de multidão solitária ou de solidão múltipla, glosando Virilio.        <br />
              <br />
       Ou seja, trata-se de um novo conceito que procura traduzir, de forma rigorosa, os efeitos sociais da comunicação em rede. Este modelo de comunicação rompe com uma característica fundamental da comunicação própria dos chamados «media» tradicionais, da imprensa à televisão. Esta era uma comunicação de tipo «broadcasting», de «um-para-muitos», que partia de um centro emissor e se dirigia precisamente a receptores indiferenciados, às massas.        <br />
              <br />
       O espaço público era controlado pelos agentes orgânicos do sistema mediático e o acesso a ele dependia da sua vontade orgânica. Tecnicamente, esta função de controlo é conhecida como «gatekeeping», sendo os seus agentes designados como «gatekeepers», os «agentes orgânicos do sistema mediático». Ora, a nova «comunicação individual de massas», tornada possível pela Rede, precisamente porque é, ao mesmo tempo, individual e de massas, vem romper com esta exclusividade de controlo, no acesso ao espaço público, pelos «gatekeepers» e permitir que cada indivíduo possa, autonomamente, sem pedir licença a ninguém, entrar directamente neste espaço, condicionar as agendas pública e política e criar uma rede de relações completamente diferente e autónoma relativamente ao espaço público tradicional, físico ou mediático.        <br />
              <br />
       Este novo modelo de comunicação vem, em primeiro lugar, interagir fortemente com a comunicação de tipo «broadcasting» dos «media» tradicionais, retirando-lhes a exclusividade no acesso ao espaço público e ameaçando mesmo o seu domínio sobre um espaço que deixou de ser exclusivamente físico ou mediático para passar a ser «espaço público digital».        <br />
              <br />
       Mas, em segundo lugar, e como é natural, este novo modelo comunicacional também vem interagir fortemente com a política. Como sabemos, uma das tendências que mais se impuseram nas últimas décadas foi a de uma crescente homologação do discurso político às exigências operativas do discurso mediático, em particular ao discurso televisivo, com os resultados simplificadores que se conhece.        <br />
              <br />
       Poderíamos, assim, dizer que temos vindo a viver num tempo de política «broadcasting». Este tipo de política corresponde, assim, àquilo que muitos designam por «democracia do público», herdeira da velha «democracia de partidos». Ora, a emergência da «mass-self communication» está já a produzir efeitos não só no plano da reorganização do próprio espaço público, mas também no plano da política. Efeitos no próprio modelo de  comunicação e na sua lógica interna.        <br />
              <br />
       Com efeito, este novo modelo substitui a comunicação de tipo vertical por uma comunicação de tipo horizontal, ou seja, substitui a comunicação de tipo «one-to-many» pela de tipo «many-to-many». De uma lógica de tipo substancialista, determinada pela relação sujeito-objecto, passa-se a uma lógica de tipo relacional, entre variáveis equivalentes entre si e, portanto, intercambiáveis.        <br />
              <br />
       O que significa isto? Significa que, neste modelo de comunicação, o acesso dos indivíduos ao espaço público passa a depender somente deles próprios e que a partir da base do sistema social é possível entrar directamente no espaço público e condicionar as próprias agendas mediática, política e pública. Mas significa também que, a partir da base, é possível construir redes de relações imateriais que, depois, se podem replicar e alargar na sociedade como redes de relações materiais interpessoais. É o espaço próprio de uma nova  política: a «política digital».        <br />
              <br />
       Todos nos lembramos – a propósito da relação entre rede (neste caso, móvel) e política - do que aconteceu em Espanha, na fase final das eleições legislativas de 2004. Todos vimos o que aconteceu nas eleições americanas. É o próprio Castells que o diz: «a mass self communication foi um dos elementos fundamentais para a vitória de Obama». Mas ele diz mais: 67% dos donativos recolhidos pelo Senador do Illinois chegaram via Internet (contra os 20% de Hillary Clinton,  nas primárias, e os 17% de McCain).        <br />
              <br />
       São dados tão significativos que não é possível deixar de tirar ilações sobre os efeitos da «mass-self communication». Mas não nos iludamos. A política «broadcasting» ainda continua muito forte, mesmo entre aqueles que já se converteram à nova realidade comunicacional. Incluído Barack Obama. É claro que a extrema personalização da política contribui fortemente para isso. E que as consequências disto ainda são muito relevantes: segundo informações do jornalista italiano Mario Calabrese, Obama terá gasto, em política «broadcasting», com um «spot» de meia hora, transmitido pelas Cbs, Nbc e Fox, cerca de 5 milhões de dólares. Um excesso! Mas a verdade é que não foi nisto que residiu a verdadeira novidade.       <br />
              <br />
       Que consequências poderemos tirar desta nova realidade? Em primeiro lugar, que continua forte a «política broadcasting», a tal que sempre coexistirá com a «forma-sofá» de ver o mundo. Mas, em segundo lugar, que está a emergir um cidadão capaz de transformar o mundo a partir da sua própria «subjectividade-em-rede». E esse está a crescer e a multiplicar-se à margem da «política broadcasting». É a emergência e a afirmação daquele poder a que Jesús Timoteo - no seu excelente livro sobre la «Gestión del poder diluído», de 2005 – chama precisamente «poder diluído»!        <br />
              <br />
       
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/Politica-2-0_a13.html" />
  </entry>
  <entry>
   <title>Neurocomunicación / Buyology</title>
   <updated>2009-12-11T13:07:00+01:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/Neurocomunicacion-Buyology_a12.html</id>
   <category term="Bitácora" />
   <published>2009-12-11T12:35:00+01:00</published>
   <author><name>Jesús Timoteo</name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
     <div>
      Es posible que las aplicaciones de las Neurociencias al mundo de la comunicación (que denominamos Neurocomunicacion y Neuromarketing) estén cambiando los fundamentos y los modos de hacer de todo el sistema, de la publicidad, de la información, del aprendizaje…. Es posible que en las Neurociencias encontremos la frontera que de salida a las teorías y herramientas de comunicación que han dominado los modos de hacer los últimos 150 años.       <br />
       Ver: LINDSTROM,Martin, Buyology. Truth and Lies About Why We Buy, Random House, Business Books, Nov. 2008; <a class="link" href="http://www.martinlindstrom.com" onclick="window.open(this.href,'_blank');return false;">Martin Lindstrom</a>; MARTIN-LOECHES, Manuel; La mente del Homo-Sapiens, Aguilar ed., 2008       <br />
              <br />
       Es probable que la razón no sea el auriga que dignifica y guia al hombre (Platón). Es probable que lo que define al ser humano no sea la capacidad de razonar (“cogito”). Es probable que Spinoza esté más cerca de la realidad que Descartes. Es probable que, al igual que en el Renacimiento descubrió Galileo cómo, físicamente, la tierra no era el centro del universo, los neurocientíficos estén ahora descubriendo que el hombre no es el centro del mundo y que la razón no es el centro del hombre.        <br />
       Es posible que los modos de persuadir, de inducir al voto o al consumo, de hacer publicidad hayan periclitado porque no responden a la realidad física del comportamiento humano.       <br />
              <br />
       Ver: TIMOTEO,Jesús, NEUROCOMUNICACIÓN: <a class="link" href="http://www.ucm.es/info/mediars/MediacioneS1/Indice/indice.html" onclick="window.open(this.href,'_blank');return false;">Propuesta para una revisión de los fundamentos teoricos de la comunicación y sus aplicaciones industriales y sociales</a>        <br />
       
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/Neurocomunicacion-Buyology_a12.html" />
  </entry>
  <entry>
   <title>Inteligencia conectiva, Inteligencia a escamas, Cerebro social</title>
   <updated>2009-12-11T12:33:00+01:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/Inteligencia-conectiva-Inteligencia-a-escamas-Cerebro-social_a11.html</id>
   <category term="Bitácora" />
   <published>2009-12-11T12:32:00+01:00</published>
   <author><name>Jesús Timoteo</name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
     <div>
             <br />
       Tal vez tenemos diversos modos de acceder a la información en el mismo cerebro. Tal vez la moral no esté ligada al conocimiento de la norma ni a códigos internos y propios de valores. Tal vez existan formas sociales de inteligencia y de moral .       <br />
       Ver: BOELLA,Laura; Neuroetica, la morale prima della morale y Sentire l´altro, conoscere e praticare l´empatía, Raffaello Cortina ed., 2009       <br />
              <br />
       Nosotros creemos que las Ciencias de la Computación y las Neurociencias están sacando a la luz una concepción de la sociedad y del hombre radicalmente distinta  de la hasta ahora dominante. Las citadas nuevas ciencias abren perspectivas sobre la existencia de lo que se define como “cerebro social” o la capacidad de las sociedades de desarrollar opinión (“que es de todos y de ninguno” afirmaba ya Sartori), acceso, creación y organización de la información y el conocimiento, es decir, de la comunicación a través de fórmulas de “inteligencia conectiva”, “distribuida” o “a escamas”.         <br />
       <a class="link" href="http://www.10congresoahc.es/ponencias.htm" onclick="window.open(this.href,'_blank');return false;">Ver</a>       <br />
       
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/Inteligencia-conectiva-Inteligencia-a-escamas-Cerebro-social_a11.html" />
  </entry>
  <entry>
   <title>Después de la política (“beyond politica”): ¿dónde buscar una nueva credibilidad y confianza?</title>
   <updated>2009-12-11T12:37:00+01:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/Despues-de-la-politica-beyond-politica-donde-buscar-una-nueva-credibilidad-y-confianza_a10.html</id>
   <category term="Bitácora" />
   <published>2007-12-26T19:01:00+01:00</published>
   <author><name>Jesús Timoteo</name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
     <div>
      Hace 15  años  que la actividad política está marcada por la mercadotecnia. Aunque se pueden encontrar antecedentes (el más notables es la campaña Reagan de 1980, pero también las campañas de Ross Perot en los 80’ y probablemente otros ) es la Campaña Clinton de 1992/93 la que se plantea y desarrolla sometida a una definida estrategia de mercadotecnia (Newmann, The Marketing of the President).  Establece unos modos de hacer liderados por consultores externos ( James Carville, G. Stephanopoulos, Stanley Greemberg, S. Blumenthal, Dick Morris) que fueron inmediatamente imitadas y perfeccionadas por las grandes campañas siguientes: Berlusconi, Blair/Brown , Schroeder, Bush en el 2000 y sobre todo en el 2004 con Kart Rove como director, Zapatero, Sarkozy, etc.. Esta estrategia de marketing político, propia de una “sociedad mediática” ,  es definida  como “comunicación spin”, técnicas “spin doctors”, “comunicación basura” (“fase”) y “política basura”.        <br />
              <br />
       
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
     <div>
      Lo  que este  artículo  pretende  analizar es el resultado y las consecuencias  de esta actividad de comunicación política durante  todos esos años de “spin”, “fast” o “basura” sobre todo el sistema político.  La conclusión y resumen es que la política spin está terminando, bajo el dominio de la pantalla y el espectáculo, con el sistema político de democracia parlamentaria creado hace más de 200 años en Inglaterra y Estados Unidos, pero al mismo tiempo, están también terminando con los fundamentos teóricos modernos (Maquiavelo) y liberales (Milton y Montesquieu) de ese mismo sistema. La televisión, la democracia mediática y el espectáculo están con esfuerzo enterrando a Maquiavelo y a Montesquieu. Y están al mismo tiempo provocando el nacimiento de nuevas demandas colectivas, de nuevos derechos y exigencias las más notables de las cuales son el “derecho individual al conocimiento y a recibir información objetiva y de calidad garantizada” y paralelamente la imprescindible exigencia de, a similitud de los existentes en el sector y  mundo financiero, crear organismos de garantía que persigan e impidan la manipulación masiva y el uso de estrategias anuladoras de la capacidad individual de opción y decisión.       <br />
              <br />
       Para el blog presentamos estas reflexiones en una serie de cuatro textos, a saber:       <br />
              <br />
       1. <a class="link" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/index.php?action=article&amp;numero=7">¡!Qué Imagen¡¡: desconcierto y autodestrucción de la clase política</a>       <br />
       2.  <a class="link" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/index.php?action=article&amp;numero=8">De cómo la televisión y la basura han terminado con el sitema  político parlamentario</a>       <br />
       3.  <a class="link" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/index.php?action=article&amp;numero=9">El logrado esfuerzo por enterrar a Maquiavelo y a Montesquieu</a>       <br />
       4.  Después de la Política (“Beyond Politica”): Dónde encontrar una nueva credibilidad y Confianza.        <br />
              <br />
              <br />
       4. <span class="u">Después de la política (“beyond politica”): ¿dónde buscar una nueva credibilidad y confianza?</span>       <br />
              <br />
       La industria del Petróleo es claramente consciente de que su era está abocado a un pronto final – calculan  unos 30/40 años de uso del petróleo como fuente energética dominante- y por ello han definido ya hace tiempo y trabajan desarrollando energías alternativas, construyendo una nueva era más allá del petróleo (“beyond petroleum”). Como no se sabe con claridad cual pueda ser la fuente energética definitiva se  experimenta con varias alternativas: solar, eólica, hidrógeno, biocarburantes, etc..Las corporaciones energéticas no tienen aún clara la salida definitiva pero están en camino y en búsqueda de una salida.  Una transición de similar calado está teniendo lugar en otros muchos sectores de la economía y de la vida en el mundo. La sanidad, por ejemplo, donde la tecnología por una parte y las investigaciones en genética por otra están transformando todo el proceso de atención sanitaria. La seguridad, por ejemplo, con cambios radicales en la función de los ejércitos. El transporte, la alimentación, el turismo…. todo está sufriendo un salto cualitativo a una dimensión nueva, menos el sistema político que se mantiene esencialmente en una estructura de democracia parlamentaria definida en el siglo XVIII y consolidada a lo largo del siglo XIX y XX.        <br />
              <br />
       Aunque no sean factores definitivos sino en alguna manera hipótesis aún, estamos en condiciones de poder enumerar algunos de los factores comunes que van marcando ese salto cualitativo hacia una nueva dimensión, aquellas líneas de desarrollo que las diferentes organizaciones tienen en cuenta al ir formulando sus estrategias de innovación y cambio. Esta enumeración que sigue viene basada en la observación y el análisis pero sobre todo en  mi personal experiencia de años con empresas multinacionales de diversos sectores y en mi colaboración,  en la medida de mis posibilidades,  a  la definición o concreción de estrategias. Los parámetros que en mi opinión y por el momento están marcando el cambio son los siguientes:       <br />
              <br />
       1.	El definitivo redescubrimiento del “cliente” como entidad final objeto de cualquier actividad e iniciativa. Cliente significa individuo, persona concreta, por lo que estamos hablando del redescubrimiento del hombre como objetivo difícil de acumular, de agrupar, en “targets” o grupos de interés, que resultan por ello cada día más reducidos. Si, tal como más arriba hipotizábamos, el problema tiene que ver ahora como en el Renacimiento o el siglo XVIII con la CREDIBILIDAD, se trata por tanto de buscar una relación casi individual entre la marca, la entidad y los individuos finales, uno a uno casi. Esta relación tiene que ver con tres conceptos necesariamente propuestos por quien desea darse a conocer y presentarse: uno es “quién soy” (signo, marca, presencia, estilo) para que en su primera percepción pueda el interlocutor situarme entre su elección o descarte; otra es “qué hago”, qué puedo ofrecer, para qué puedo ser útil, por qué el interlocutor me necesita y me debe tener en consideración, que servicios, necesidades o expectativas puedo cumplir y en qué puedo serle útil; el tercero es cómo lo hago y cómo lo propongo, que habilidades y capacidades tengo para  convencer y proponer mi oferta en conjunto. Pues bien, esos tres conceptos constituyen el “triángulo” de la REPUTACIÓN. La Reputación es la respuesta, el retorno, que el individuo, el interlocutor da a esa oferta triagonal. Y decir triángulo de la reputación es decir triángulo de la credibilidad: soy creíble al individuo de hoy si existo como alguien interesante, si ofrezco algo útil y si soy capaz de proponerlo con suficiente interés. Sólo así seré aceptado, creíble, tomado en consideración        <br />
              <br />
       2.	Absoluta desconfianza y rechazo del Sistema Medios y preferencia por las relaciones directas con el público final. Las relaciones con los medios han sido tradicionalmente contempladas como una oportunidad, aunque arrancasen de una información negativa. Hoy son vistas como un problema porque,¿quién se puede fiar “a priori” de los medios convencionales (prensa, radio, televisión)  si todos tienen como finalidad declarada su propia cuenta de  resultados, es decir, sólo son capaces de una intermediación interesada y en consecuencia cara?. La gente no consigue ya creer ni en la BBC . Además es posible, utlizando los post-media establecer  relaciones directas con ese anhelado consumidor final sin necesidad de recurrir a las difíciles y caras  televisiones generalistas. Los sistemas B2B y B2C como sistemas de conexión y compra, los usos de Internet para presentar catálogos y ofertas, para el comercio electrónico, para descubrimiento de novedades,  permiten una nueva estructura del organigrama económico y político. Los grandes grupos de medios convencionales comienzan a encontrarse con competidores a su medida: los grandes Operadores de red (las Telecom), por una parte que salen con atractivas ofertas convergentes (telefonia, adsl, ocio, información…) ofrecidas por uno de los posibles sistemas red (cable, satélite, wifi…); los grandes Operadores de contenidos (Microsoft, Google, AOL, MySpace, Yahoo…), por otra parte, que están en condiciones de casi “saturar” la demanda a bajo coste;  sin olvidar, en tercer lugar,  las capacidades de los fabricantes de utillaje ni los gobiernos ansiosos por el control de la información sobre sus ciudadanos (con motivos públicos de seguridad) y sobre sus empresas (por motivos fiscales).  Se abren amplias posibilidades de actuación alternativa a la convencional en ese panorama. Si sumamos a estos nuevos soportes básicos o nuevos “prescriptores”,  las posibilidades que el marketing está abriendo y las  facilidades que el software posibilita del tipo de desarrollos de “back office”, gestión de la información, CRM / CSM, “call centers”, “continous tracking”, etc., parece fácil prever buenos tiempos para el “below the line” y los “postmedia” y dificultades para todo lo convencional que no se renueve. Es así posible el viejo sueño de la fidelización directa  del usuario “amigo/socio para toda la vida”.  Son de nuevo y aquí otras tecnologías, la de Gestión Documental y de Bases de Datos, las CSM y CRM, quienes posibilitan el tratamiento individual de los clientes, la segmentación en minitargets, los usos de microcomunicación, el incremento del “cross-selling” y del “up-selling”, el conocimiento de las cifras reales de rentabilidad de cada cliente y de las ventajas de premiar y negociar sus partidas, el pensamiento de un “cliente para toda la vida” unido a la calidad acordada y al bajo precio.       <br />
              <br />
       3.	Los políticos y la administración, antiguos objetivos de las Relaciones Externas de cualquier corporación, son hoy vistos también más como un problema y una fuente de crisis más que como apoyo a una solución y ayuda. Los motivos no están en que sean ellos los  responsables del control y del cumplimiento de la norma, sino en que el uso masivo del marketing por parte de los políticos e incluso de la administración los convierte en competidores directos de las corporaciones y marcas frente al ciudadano final. ¿Qué sucede, por ejemplo, si se produce  un accidente con consecuencias ecológicas, incendios o similares?: el político que esté “de guardia” evitará por todos los medios reconocer responsabilidades propias o de su partido o gobierno y cargará todo lo negativo sobre otros. La batalla por la credibilidad la juegan todos los agentes que se mueven en la esfera pública. Con frecuencia las marcas ofrecen y se presentan como portadoras de “valores” equiparables a los de los partidos políticos: ¿quién defiende hoy socialmente la constancia y el esfuerzo,  algún partido político, alguna religión o la marca Niké con el “imposible is nothing”?. ¿Con quién compite Niké en la defensa de sus valores, con otras zapatillas o con otros agentes sociales que pretendan utilizar esos valores de esfuerzo y constancia?. Y existe además otro argumento: si la imagen, la reputación, de los políticos es absolutamente negativa, ¿qué corporación puede tener interés en mezclar su marca y nombre con ellos?. Cuando determinados agentes políticos han desarrollado técnicas de comunicación de masas muy radicales y sin escrúpulos,  que conocemos y definimos como “comunicación basura” cuyo simple contacto afecta el  imprescindible valor de “intangible” de la marca y la corporación. ¿Cómo no huir de la zafiedad, el griterio, la confusión, las “cortinas de humo”? ¿Qué prestigio puede sacar una marca del contacto con la “comunicación basura” o la “política basura”?.       <br />
              <br />
       4.	Sucede en consecuencia que las Relaciones a establecer con Medios y con Políticos deben ser siempre relaciones B2B (“Business to Business”) para coincidir en aquello que pueda interesar a las dos partes con la enorme precaución de que no afecte negativamente al principal objetivo que los los consumidores y clientes finales        <br />
              <br />
       Ahora bien, ¿cómo podemos aplicar estas previsones al futuro de la comunicación política, a lo que deba haber más allá (“beyond”) de la actual política?. ¿Cómo recuperar la CREDIBILIDAD y la REPUTACIÓN	 de los políticos y del actual sistema político tan desprestigiado?.       <br />
              <br />
       En mi opinión es necesario romper el sistema. Acabar con él o llevarlo a una situación cualitativa tan distinta que se parezca muy poco a la actual. Igual que está sucediendo con tantos otros sectores del quehacer humano, la energía, los correos, los transportes, etc. ¿Cuáles deben ser los parámetros que señalen ese radical cambio?. Pues, en mi opinión, muy parecidos a los que las grandes Corporaciones están ya desarrollando. Los enumero a continuación:       <br />
              <br />
       1. El REDESCUBRIMIENTO DEL HOMBRE COMO RAZON ÚLTIMA DE LA POLÍTICA Y EL ESTABLECIMIENTO DE UN NUEVO DERECHO INDIVIDUJAL E INALIENABLE: EL DERECHO AL CONOCIMIENTO Y A  LA INFORMACIÓN, EL DERECHO A  NO SER ENGAÑADO Y MANIPULADO       <br />
              <br />
       Del hombre en sí mismo, como sujeto y objeto primero de la acción social, de la comunicación social y de la política. Porque   “nadie ha inventado la cultura ni la sociedad de masas: ni Edison, ni Gutemberg,  ni Marx, ni el capitalismo...Fueron las necesidades básicas de la gente que comenzó a llenar las ciudades, la necesidad de una mayor eficacia y mejor vida en el curso de un inevitable progreso, la necesidad de una mayor educación y cultura imprescindibles en el desarrollo de una vida más abierta y democrática, la necesidad de encontrar y crear formas nuevas de entretenimiento adecuadas a grandes multitudes alienadas en duros trabajos en fábricas y oficinas…” . Porque la actual realidad “no responde para nada a las viejas etiquetas. Es al contrario una profunda mezcla de objetivos irrealizables, medidas inevitables e “ismos” que hace treinta años habrían parecido radicalmente incompatibles. Las diferencias entre los partidos actuantes son apenas insistencias en tendencias comunes en función del momento y del asunto… (y de las encuestas)... En realidad un “votante sensato debería considerarse socialista liberal conservador cualquiera  que fuese el resultado de las elecciones”        <br />
              <br />
       Está claro que estamos hablando del problema dominante y sin resolver de las democracias occidentales, la clarificación sobre dónde están los organismos de decisión y poder en la actual democracia, que en  esa misma confusión se define como “postparlamentaria”, mediática y hasta “postliberal”. Desde la otra cara de la moneda el mismo problema se centra en el derecho de los individuos a saber quién manda y donde está el centro del poder, el derecho a conocer si eligen o no a los poderes reales, el derecho a estar informados con precisión y sin engaños antes de elegir a quienes les representan, el derecho individual a no ser mareados y manejados por agentes de opinión y por medios de comunicación con técnicas y capacidades asombrosas para la manipulación y el engaño.       <br />
              <br />
              <br />
       Es una buena proclama. Permítanme continuar las arengas de Milton en el XVII y de Wilkes en el XVIII: hemos conseguido y tenemos afianzadas viejas y añoradas libertades, la de reunión, la de imprenta, la de expresión, la de opinión, la de distribución, la de comercio, la de empresa. Conquistemos ahora la libertad individual y colectiva  de información, el derecho a estar informados a la hora de tomar decisiones sobre nuestra opción política y nuestro voto tanto como sobre nuestra opción de consumo y nuestros gastos. No pueden existir sociedades de futuro sin individuos informados con objetividad y limpieza.        <br />
              <br />
              <br />
       2. ORGANISMOS DE GARANTÍA. LA REGULACIÓN Y CONTROL DE LAS FORMULAS DE MANIPULACIÓN MASIVA A TRAVÉS DE LOS MEDIOS EN MODO SIMILAR, POR EJEMPLO, A COMO SE REGULARON LAS FINANZAS PARA EVITAR EL ENGAÑO MASIVO       <br />
              <br />
       No puede existir una democracia actual mientras exista o pueda existir el engaño organizado y la comunicación basura no esté controlada como nuestros antepasados controlaron el libelo y exigieron el honor. No podemos aspirar a un mundo que mire hacia delante, hacia la justicia y la belleza mientras impongan su pauta y ocupen el espacio social manipuladores epígonos del fascismo y del comunismo, añorantes del nacional(ismo)-socialismo, la zafiedad, la basura, el populismo y los afectados por el síndrome de las pantallas, del espectáculo, del mínimo común denominador, de las “palabras cajón”, del “ternero de tres patas”. Los “sultanes del spin” (Clinton, Blair, Berlusconi, Bush) están a punto de desaparecer de la escena pública (sobrevive Zapatero como estrella). La política espectáculo, la política virtual desarrollada sobre todo en las televisiones generalistas (cuya muerte está también anunciada), con estilo de “talk-show”, de falsos “realities”, a golpes de crueles reyertas verbales, de ocurrencias y de mal gusto, de burlas y “gracietas”, de populismo y demagogia tienen que estar cerrando su época. Política es –lo dice la misma palabra- hacer prevalecer los intereses generales sobre aquello que indican ocasionalmente los sondeos, es soportar la impopularidad haciendo aquello que se considera y argumenta como justo, es ser más que aparecer, es una disciplina para los mejores y no una especialidad del marketing. La política no es una especialidad del marketing.  Los grandes líderes han sido aquellos capaces de transmitir una ilusión y una misión colectiva (pasión y razón), un idealismo pragmático, actuar en función del interés común resultando al mismo tiempo convincente y aceptable para la mayoría.       <br />
              <br />
       No es necesario inventar nada nuevo. No sirven los actuales Consejos reguladores, audiovisuales o similares simplemente porque son y están formados o elegidos por los propios políticos. Basta con imitar lo que se ha hecho en el mundo de las finanzas, de la regulación de las bolsas y de las agencias de valores: organismos estatales y supranacionales, bancos centrales, que, al margen de los gobiernos, establezcan una estructura antimanipulación, persigan y condenen la comunicación basura y la política basura, dicten responsabilidades individuales a personas y a empresas.        <br />
              <br />
       3. PARA LLEGAR A ESTOS DOS OBJETIVOS (UNA NUEVA LIBERTAD Y DERECHO DE INFORMACIÓN INDIVIDUAL OBJETIVA Y ORGANISMOS REGULARES DE LA MANIPULACIÓN) NECESITAMOS MAS ESTADO       <br />
              <br />
       Hace apenas un par de años hubiésemos creído que estos problemas se tenían que resolver a través de la Democracia Directa, por medios de miles de activistas al estilo de Michael Moore o de Beppe Grillo, con la red y la capacidad de movilización de las gentes. Hoy, sin despreciar para nada esas formas de democracia directa sabemos ya que no será así. Los vendedores de nuevas tecnologías de InfCom nos llegaron a convencer de que estábamos comprando libertad, que nos ofrecían un escenario enteramente nuevo desde el punto de vista de la capacidad de reacción y respuesta de las gentes, de la fuerza de la opinión pública, un escenario donde la opinión libre nacería casi obligatoriamente. Hoy sabemos ya que esa novedad era un sueño, que nada de todo ello se ha realizado a pesar de la difusión global de la red y del universo de los blogs. Sabemos que en realidad esa red lo que hace es horizontalizar y autoexpandir  afianzándola la vieja comunicación vertical del viejo sistema mediático. La partida no se ha resuelto a favor de los de abajo, de los usuarios sino, otra vez, a favor de los grandes grupos económicos y mediáticos con capacidad para invertir en tecnología y en comprar la inteligencia que maneje dicha tecnología         <br />
              <br />
       En esta situación,¿ qué instituciones tienen hoy la capacidad y el poder de ayudar a la gente, de facilitar la libertad individual de información, evitar los abusos y el engaño estructural, determinar un sistema informativo responsable  y garante del bien colectivo?. La sociedad civil lo terminará haciendo por necesidad. Pero de momento sólo contamos con el Estado. En contra de la opinión dominante yo estoy seguro de que NECESITAMOS MÁS ESTADO como defensa última de los débiles contra los fuertes, necesitamos más JUSTICIA y más poder judicial, necesitamos ORGANISMOS DE GARANTÍA NO POLITIZADOS, civiles e independientes de control de la información –todo lo contrario de los comités de comisarios que vigilan a los periodistas, en Cataluña por ejemplo-. Necesitamos una democracia más limpia, ágil y rápida donde podamos castigar a lo políticos inmediatamente y no dentro de cuatro años y donde no les permitamos tomar decisiones fantasmagóricas o de circo movidos sólo por su inmediato afán de contentar las pasiones y las vísceras, el mínimo común denominador de mayorías fabricadas con la manipulación.       <br />
              <br />
       ¿Cuándo podremos cumplir ese sueño, esa revolución?. Pues, al igual que sucede con el petróleo, necesitaremos años. Hoy unas elecciones se continúan ganando con la televisión y con técnicas spin pero el cambio ha comenzado ya por donde suelen comenzar los cambios: cada día hay más gente que considera el actual sistema político como un engaño, no útil para ellos (en las últimas elecciones habidas hasta hoy, Marruecos,(8 septiembre 2007)  no ha ido a votar el 60% de la población y preguntado un ciudadano por qué no votó, respondió: “necesitamos escuelas y carreteras; los políticos no nos las dan”. Como más arriba indicábamos, el libro de Rizzo/Stella sobre “La Casta” en Italia ha tenido 14 ediciones en dos meses y lo conoce demasiada gente para que los partidos estén tranquilos.       <br />
              <br />
       ¿Podemos calcular el tiempo?. Tal vez tengamos un índice de referencia: las inversiones publicitarias. Es probablemente ahí donde podamos antes que en ningún otro sitio detectar los cambios. Se calcula que la publicidad mueve en el mundo (2006)  unos 500 Mil M de $ usa de los que se calcula que, a causa de la ineficiencia del sistema actual, más de la mitad (220 MM a nivel mundial y 112MM en usa) se pierden porque no alcanzan el “target audience”.  Además, la creciente diversificación de la oferta televisiva hará imposible el mantenimiento de los viejos mercados de masas. Por eso las inversiones publicitarias están pasando a los nuevos medios. 2006 ha visto un incremento en inversión publicitaria de entre el 2 y el 3% en Prensa, Radio, Tv y Exterior, una caida media de 8%  en cine y un incremento de 18% en internet. Es probable que, sin depreciar las Tvs generalistas, los reyes del mercado publicitario sean en pocos años Google, AOL, Yahoo, MySpace (News Corp), Microsoft y que los publicitarios tengan que volcarse en publicidad en la red, incluyendo en sus tarifas el “feedback” y hasta el cobro por unidades realmente compradas, sin olvidar el desarrollo de la publicidad en el “video on demand” (VoD), los canales Tv temáticos, la dispersión del mercado, los iPod, iTunes y similares. Jugemos, para hacer una aproximación, con las cifras españolas dadas por Infoadex para el año 2006. Las televisiones generalistas facturaron en ese año 3.089 millones de euros, los canales temáticos 44 e Internet 160 sobre un total de 7.149,5 millones de euros. Las generalistas crecieron en relación a 2005 un 7%, las temáticas un 41% e Internet un 33%. A ese ritmo de crecimiento Internet necesita unos 15 años para alcanzar a las generalistas. Como la comunicación basura es fundamentalmente un producto para generalistas, nos quedan tres legislaturas de comunición y política basura: ¡ánimo Pepino, queda trabajo!.
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/Despues-de-la-politica-beyond-politica-donde-buscar-una-nueva-credibilidad-y-confianza_a10.html" />
  </entry>
  <entry>
   <title>El logrado esfuerzo por enterrar a Maquiavelo y a Montesquieu</title>
   <updated>2009-12-11T12:45:00+01:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/El-logrado-esfuerzo-por-enterrar-a-Maquiavelo-y-a-Montesquieu_a9.html</id>
   <category term="Bitácora" />
   <published>2007-10-05T08:07:00+02:00</published>
   <author><name>Jesús Timoteo</name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
     <div>
      Hace 15  años  que la actividad política está marcada por la mercadotecnia. Aunque se pueden encontrar antecedentes (el más notables es la campaña Reagan de 1980, pero también las campañas de Ross Perot en los 80’ y probablemente otros ) es la Campaña Clinton de 1992/93 la que se plantea y desarrolla sometida a una definida estrategia de mercadotecnia (Newmann, The Marketing of the President).  Establece unos modos de hacer liderados por consultores externos ( James Carville, G. Stephanopoulos, Stanley Greemberg, S. Blumenthal, Dick Morris) que fueron inmediatamente imitadas y perfeccionadas por las grandes campañas siguientes: Berlusconi, Blair/Brown , Schroeder, Bush en el 2000 y sobre todo en el 2004 con Kart Rove como director, Zapatero, Sarkozy, etc.. Esta estrategia de marketing político, propia de una “sociedad mediática” ,  es definida  como “comunicación spin”, técnicas “spin doctors”, “comunicación basura” (“fase”) y “política basura”.        <br />
              <br />
       
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
     <div>
      Lo  que este  artículo  pretende  analizar es el resultado y las consecuencias  de esta actividad de comunicación política durante  todos esos años de “spin”, “fast” o “basura” sobre todo el sistema político.  La conclusión y resumen es que la política spin está terminando, bajo el dominio de la pantalla y el espectáculo, con el sistema político de democracia parlamentaria creado hace más de 200 años en Inglaterra y Estados Unidos, pero al mismo tiempo, están también terminando con los fundamentos teóricos modernos (Maquiavelo) y liberales (Milton y Montesquieu) de ese mismo sistema. La televisión, la democracia mediática y el espectáculo están con esfuerzo enterrando a Maquiavelo y a Montesquieu. Y están al mismo tiempo provocando el nacimiento de nuevas demandas colectivas, de nuevos derechos y exigencias las más notables de las cuales son el “derecho individual al conocimiento y a recibir información objetiva y de calidad garantizada” y paralelamente la imprescindible exigencia de, a similitud de los existentes en el sector y  mundo financiero, crear organismos de garantía que persigan e impidan la manipulación masiva y el uso de estrategias anuladoras de la capacidad individual de opción y decisión.       <br />
              <br />
       Para el blog presentamos estas reflexiones en una serie de cuatro textos, a saber:       <br />
              <br />
       1. <a class="link" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/index.php?action=article&amp;numero=7">¡!Qué Imagen¡¡: desconcierto y autodestrucción de la clase política</a>       <br />
       2.  <a class="link" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/index.php?action=article&amp;numero=8">De cómo la televisión y la basura han terminado con el sitema  político parlamentario</a>       <br />
       3.  El logrado esfuerzo por enterrar a Maquiavelo y a Montesquieu       <br />
       4.  Después de la Política (“Beyond Politica”): Dónde encontrar una nueva credibilidad y Confianza.        <br />
              <br />
              <br />
       <span class="u">El logrado esfuerzo por enterrar a Maquiavelo y a Montesquieu</span>       <br />
              <br />
              <br />
       En  torno a 1860  escribió Maurice Joly el conocido “Diálogo en los Infiernos entre Maquiavelo y Montesquieu” . Lo hizo contra Napoleón III, el mismo emperador francés contra el que Carlos Marx escribió “El dieciocho Brumario de Luis Bonaparte”.        <br />
              <br />
       Para Marx el emperador es una pieza más de un tejido histórico resultante de la colaboración y alianza previsibles de las distintas lanzaderas del sistema productivo y liberal con un poder sometido a las fuerzas e intereses económicos. Para Joly el emperador ejemplariza el poder absoluto con los ropajes de la democracia de Montesquieu,  el poder político por excelencia al que la sociedad se somete y del que la economía es, como los medios de comunicación, una herramienta de tiranía.        <br />
              <br />
       En dicho “Dialogo” le toca a Maquiavelo, que probablemente había tenido tiempo en el Infierno de leer a Hobbes, el papel de malo, de estratega del exterminio democrático de la democracia mientras a Montesquieu le toca el papel de bueno, de defensor de la moral social (probablemente había meditado en el Infierno sobre Rousseau y Diderot) . Con absoluta clarividencia Joly dedica los dialogos undécimo y duodécimo a la prensa y su utilización en las funciones que Maquiavelo y Montesquieu proponen. Es uno de las mejores interpretaciones en mi opinión de la función de la prensa en el sistema y los estados liberales.        <br />
              <br />
       Pero el libro de Joly es un panfleto propagandístico en que da a su emperador “patadas en el culo” del sufrido Maquiavelo. Es cierto que la prensa nació en el Renacimiento (Ludovico Ariosto nos presenta en “Orlando Furioso” a Pietro Aretino (1492-1556), ejemplo de renacentista  inmortalizado pro Tiziano, como su formal inventor)  como es cierto que por los mismos siglos y  en la Contrarreforma (Concilio de Trento) nació la Propaganda como palabra y como herramienta de motivación y control colectivo.        <br />
              <br />
       Es cierto que prensa y propaganda fueron desde entonces y hasta  los finales del siglo XX inseparables y utilizadas sin piedad por iglesias, monarquías, repúblicas, liberales, socialistas, dictadores y políticos  de toda condición .        <br />
              <br />
       Pero no es menos cierto que ese largo ciclo de los medios de comunicación como herramientas del poder, de la propaganda y su heredero el marketing se está cerrando y que, por ello, el admirado y seguido malditismo de Maquiavelo está también muriendo. Yo creo que con enorme esfuerzo los “doctores spin” y los políticos “basura”, como el epígono y epitafio de esa época, se disputan el entierro de Maquiavelo el malo al que es necesario resucitar.       <br />
              <br />
       Siempre desde la perspectiva de un pensamiento mediático –como es mi personal interés y obsesión- , el “cinquecento” y el Renacimiento en su conjunto tuvieron que resolver, fueron atormentados, por un básico problema social, el de la pérdida de confianza en las instituciones que soportaron los siglos pasados, el de  la INCREDIBILIDAD de la Iglesia Católica de su tiempo, la pérdida de confianza de los individuos en el sistema teocrático por ella establecido y de enorme utilidad durante los anteriores siglos en la reorganización y recuperación de Europa.        <br />
              <br />
       <b>Nuevas certezas y referencias</b>       <br />
              <br />
       Los grandes titanes del Renacimiento se vieron obligados a buscar certezas y referencias nuevas. Las encontraron por un lado en el Humanismo (Erasmo, Moro, Croce  Pico, Maquiavelo,..) y el  propio individuo, aquel creado por Dios como criatura propia, distinto y superior a toda la naturaleza, descrito por Pico della Mirandola   (“De Hominis Dignitate”) en una forma que conmueve y emocionará para siempre.        <br />
              <br />
       Las encontraron por otro lado rompiendo la vieja Iglesia Romana con la Reforma Protestante y la Contrarreforma Católica, y buscaron sobre todo nuevas certezas y referencias en la Ciencia, en un lenguaje nuevo, no teológico, matemático, en el descubrimiento de las leyes de la naturaleza, de lo que significan el tiempo, el espacio y el movimiento .       <br />
               <br />
       En esta corriente y mientras Galileo buscaba la formulación de las leyes físicas del Universo,  Maquiavelo trató y buscó  las leyes naturales del Poder Político y como humanista reflejó en torno a un modelo humano (el Principe) el nuevo referente de credibilidad, estabilidad y organización del ese poder. El Principe es un mito como es un mito el viejo héroe clásico, El Principe es  un mito universal como Ulises o Aquiles  o como lo pueda ser Cristo.        <br />
              <br />
       Como mito El Principe no pertenece al pasado sino al futuro, no es un modelo sino un referente, no es un resultado causal de una evolución concreta sino un reflejo final hacia el que los hombres (en este caso los hombres de gobierno y los políticos) deben  guiar su comportamiento,  un espejo de valores y virtudes renacentistas que personifican en sí mismos y en su comportamiento el bien común, la supervivencia del reino y de la sociedad que le es propia.        <br />
              <br />
       Como  referente renacentista es moral y es racional y cuenta por ello con factores considerados más tarde como “negativos”: ¿no era la astucia una cualidad clásica, cantada por Homero como propia de Ulises y de los dioses? ¿no sucede lo mismo con el valor, la inteligencia, la capacidad de riesgo, la aplicación sin piedad de la ley? ¿no es el Principe de Maquiavelo una síntesis de algunos de los más decididos valores del clasicismo, es decir, de las costumbres de los antiguos, es decir, de la moral?.        <br />
              <br />
       Maquiavelo diseñó un modelo de poder y de organización de la sociedad sobre los principios del humanismo del siglo XV. Ese modelo se formulaba en torno a valores clásicos occidentales que se personificaban en el Principe, en quien la gente confiaba. Esa confianza en los Principes se ha mantenido durante siglos y ha comenzado a degenerar –según Tocqueville anunció- a medida que las democracias liberales y parlamentarias evolucionaron hacia el sufragio universal, hacia la dependencia de los votos de las masas.        <br />
              <br />
       La “democracia mediática” de la televisión, la del poder diluido, la de los “doctores spin”, la política y la comunicación basura son el epígono, la degeneración final y definitiva de esos modelos. Son la muerte de Maquiavelo y la de Montesquieu.       <br />
              <br />
       Los políticos acabaron primero con Montesquieu. También recientemente. También a finales del siglo XX y con un entierro relacionado también con la televisión y la democracia mediática. El voto universal estableció el factor mercado y el marketing en la política con la pantalla y el espectáculo como herramientas y técnicas de mercado dominante y con los “malos modos” llamados “maquiavélicos” (engaño, confusión,  mentira, desinformación…) como estrategia dominante.        <br />
              <br />
       Con esos modos de hacer y despreocupados del interés común y del buengobierno, el prestigio, la credibilidad de lo políticos ha  tocado fondo y les sitúan como la profesión con menos prestigio de todas las existentes. Al ser conscientes de esa situación los políticos, sobre todo aquellos que tienen responsabilidades ejecutivas de gobierno, necesitan recurrir a fuentes externas de credibilidad que justifiquen sus acciones, que den argumentos y causa a sus posibles errores y, sobre todo, que den seguridad psicológica y personal a sus decisiones.        <br />
              <br />
       <b>Seguros y reaseguros</b>       <br />
              <br />
       Esos “seguros” y “reaseguros” que garantizan, explican  y hacen presentables ante la opinión lo que los políticos deciden y ejecutan vienen siendo tres categorías de profesionales: los grandes consultores internacionales que justifican las estrategias,  las grandes marcas de tecnología, de la información y la comunicación sobre todo, quienes con su responsabilidad sobre las redes, por ejemplo, justifican los errores inexplicables y los magistrados que justifican las decisiones. En esa lógica hemos vivido en los últimos 20 años la aparición de sistemas estelares de profesionales en torno a la política. Los “spin doctors” son una de esas clases.        <br />
              <br />
       Pero lo que ahora y aquí  nos interesa es la de los “Jueces Estrella”. Rizzo/Stella  dedican el capítulo 14 de “La Casta…” a “Una casta nel cuore della Casta”: se trata de aquellos magistrados que son requeridos por el poder ejecutivo para garantizar, evitar los “errores legales”, justificar con la credibilidad que dan los textos legales, las decisiones, sean éstas acertadas o erradas, de los políticos. Estos magistrados abandonan la magistratura buscando situaciones económicas y personales muy privilegiadas, creando una “clan” de privilegiados dentro de la “casta” de los políticos. Pero no es el único caso.        <br />
              <br />
       A la misma lógica corresponden el movimiento de  “manos limpias” presente  en todos los países de occidente, con jueces que entran y salen de la política –en realidad los gobiernos y cargos políticos están llenos de ellos- o que utilizan la política en su desarrollo profesional.        <br />
              <br />
       Es conocido en España por ejemplo el caso de una Juez que ha llegado y reina en el Consejo del Poder Judicial habiendo llevado a cabo una única actuación profesional,  caracterizada por ser fundamentalmente mediática, confusa y sin resolver, pero conocida por su activismo político en la izquierda radical y habiendo llegado naturalmente en las ternas que los partidos presentan al Consejo. No es un casi único sino más bien un modelo.       <br />
              <br />
       La Sociedad Mediática ha sido el culmen, la última cima, de la Sociedad de Masas. No es casual que en las décadas de los 60 a  80 del siglo  XX se hayan generalizado en Occidente el sufragio universal, la televisión, el consumo masivo, el ocio masivo (deporte, cine, seriales televisivos, “talk shows”) y unos  comportamientos colectivos que se corresponden con las leyes más amorales del comportamiento masivo, principios amorales que conocíamos ya bien al terminar la primera guerra mundial y que suponen la desaparición, zafiedad y hundimiento de los valores clásicos de occidente, de los valores promovidos y propuestos también por Maquiavelo.        <br />
              <br />
       Esta sociedad mediática es definida en un proceso de fin de época y  desde la perspectiva de la televisión y los medios como “sociedad diluida” (Timoteo) o análogamente, “difusa”(T.Friedmann), “blanda” (Nye), “participada” (Minc), “líquida” (Bauman), etc.. Reúne muchas de las características de los grandes cambios de época en Occidente, del final de la era romana o del final de la era absoluta y modera.       <br />
              <br />
       El capitalismo moderno  y la sociedad de nuestros días con él han llegado a ser un juego de espejos en el que no es posible distinguir la realidad de sus imágenes (George Soros). No se sabe si es “el perro que mueve la cola” o “la cola que mueve al perro”, para utilizar el título de la primera película sobre los “spin doctors” de  mediados de los 90´. Un capitalismo y una sociedad hechos de signos más que de riqueza y de realidades.        <br />
              <br />
       <b>Dos vidas</b>        <br />
              <br />
       Son masivas las evidencias de cómo las gentes viven a caballo entre una realidad, una vida, convencional (fisica, material, mental) y otra realidad, otra vida,  “virtual” (de ocio, espectáculo, ficción, “second life”). Las gentes se reparten el día entre  sus necesidades “fisiológicas” (dormir, comer, trabajar, viajar, hablar, leer, por ejemplo) y una segunda vida paralela (mirar, jugar, “navegar”, estar “colgados”, en la red, por ejemplo), pendientes de pantallas que llevan a otros espacios vitales no tangibles.       <br />
              <br />
       “Hablar buscando el aplauso, hablar diciendo aquello que la gente quiere oír, hablar siguiendo la dictadura de la opinión dominante es una especie de prostitución de la palabra y del alma. La castidad…es (también) no someterse a estos comportamiento, no buscar los aplausos, obedecer la verdad” (Benedicto XVI, 2006)       <br />
              <br />
       Como si con el decaer del siglo hubiese sucedido igual que en otro radical cambio de época, el anunciado por Séneca en sus “Cartas”, el recogido por S.Agustín en sus “Confesiones” o por Marguerita Duras en su “Adriano”, un tiempo en que, caducadas las viejas creencias del clasicismo grecorromano y antes de que el cristianismo se impusiese como sustituto, el hombre se encontró sólo en la historia y lo definitivo fue entonces la búsqueda (“quaerere”), la interiorización, la recuperación de los valores esenciales e individuales del propio hombre como núcleo esencial para la intelección del fracaso vivido y para el salto hacia delante, hacia una época que, a partir de  los  siglos IV y V, resulto ser  muy dura, resultó una “edad de hierro”, una larga noche medieval.       <br />
              <br />
       Como si estuviese sucediendo lo mismo que a finales del siglo XVIII y se anunciasen unas nuevas revoluciones atlánticas. Hacia 1722 publicó Montesquieu sus “Cartas Persas” en las que presenta la identidad de una sociedad parisina frívola, galante, imprudente, teatral pero aún capaz de coraje, de generosidad, de franqueza, de un cierto sentido del honor, de “un arte aristocrático de vivir”.        <br />
              <br />
       Hacia 1760 publica Rousseau  su “Nouvelle Eloïse” en la que denuncia la impostura, la falsedad, la voluntad de dominio de esa misma sociedad dirigente francesa y propone una utopía como salida al desastre que anuncia. Hacia 1782 otro discípulo de Montesquieu, menos conocido, Choderlos de Laclos, presenta “Las Relaciones Peligrosas”, en la que, en torno al juego de una tragedia amorosa, presenta ya a los parisinos como la suma del libertinaje y la corrupción, la ruptura de toda moral y norma, una sociedad fatua, olvidada de sus principios y atenta sólo a las formas.        <br />
              <br />
       Laclos les anuncia y desea una revolución que acabe con ellos porque los encuentra  víctimas de un delirio de omnipotencia que sólo se puede identificar con un incontrolado anhelo de autodestrucción, prepotentes de una pretendida nueva moral del placer orientada a exaltar la autonomía del individuo pero al servicio de hecho de un decidido proyecto despótico: para los protagonistas de esas relaciones peligrosas, Valmont y la marquesa de Merteuil, el juego de amor libre no tiene que ver tanto con el sexo como con el ejercicio incondicional de una perversa voluntad de dominio y una decidida voluntad de autodestrucción y muerte. La Revolución y la muerte no tardaron en llegar.       <br />
              <br />
       Cientos de textos y discursos manifiestan la semejanza de nuestra situación con las aquí referidas del cuatrocientos o del milochocientos. A efectos de ejemplo recojo uno interesante no sólo por quien lo firma sino porque describe en modo urgente las mismas causas de esa situación (la televisión y los media)  en línea con lo que aquí venimos refiriendo:       <br />
              <br />
       “La función de la esfera pública (de la política) consiste en dar luz sobre 	los asuntos humanos, ofreciendo un espacio en el que los hombres puedan mostrar, con hechos y palabras, aquello que son y aquello que pueden hacer, para el bien y para el mal. La oscuridad ha descendido cuando esta luz se ha eclipsado por una “carencia de credibilidad”, por el “gobierno invisible” de un discurso que  no clarifica sino que oculta, el gobierno de slogans morales y de otro género que, con el pretexto de  presentar antiguas verdades, degradan cada una de éstas a una insignificante banalidad…. La esfera pública ha perdido aquella  capacidad de iluminar que formaba parte de su naturaleza original. En  occidente, donde la libertad política ha estado incluida, desde el fin del mundo antiguo, entre las libertades fundamentales, son cada día más numerosos aquellos que, utilizando esa misma libertad política, se alejan de sus obligaciones para con la sociedad y el entorno…..lo que se pierde es la mediación, personal e insustituible, que debe haber entre el individuo y sus semejantes”         <br />
              <br />
       Es un texto muy parecido al los versos de Arturo Gamoneda con los que, referidos directamente a las pantallas y el espectáculo,  introduzco mi libro sobre la Gestión del Poder Diluido: “escuché hasta que la verdad dejó de existir en el espacio y en mi espíritu       <br />
       y  no pude resistir la perfección del silencio ….// Vienen rostros sin proyectar sombra ni hacer crujir la sencillez del aire;//  sin osamenta ni tránsito, como si consistieran únicamente en el contenido // de mis ojos, //  en la  unidad de mis palabras, en el espesor de mis oídos.... // Mientras tanto la tortura ha pactado con las palabras”  (“Descripción de la Mentira” 1977).
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/El-logrado-esfuerzo-por-enterrar-a-Maquiavelo-y-a-Montesquieu_a9.html" />
  </entry>
  <entry>
   <title>De cómo la televisión y la basura han terminado con el sistema político parlamentario</title>
   <updated>2009-12-11T12:47:00+01:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/De-como-la-television-y-la-basura-han-terminado-con-el-sistema-politico-parlamentario_a8.html</id>
   <category term="Bitácora" />
   <published>2007-10-01T11:07:00+02:00</published>
   <author><name>Jesús Timoteo</name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
     <div>
      Hace 15  años  que la actividad política está marcada por la mercadotecnia. Aunque se pueden encontrar antecedentes (el más notables es la campaña Reagan de 1980, pero también las campañas de Ross Perot en los 80’ y probablemente otros ) es la Campaña Clinton de 1992/93 la que se plantea y desarrolla sometida a una definida estrategia de mercadotecnia (Newmann, The Marketing of the President).         <br />
              <br />
       Establece unos modos de hacer liderados por consultores externos ( James Carville, G. Stephanopoulos, Stanley Greemberg, S. Blumenthal, Dick Morris) que fueron inmediatamente imitadas y perfeccionadas por las grandes campañas siguientes: Berlusconi, Blair/Brown , Schroeder, Bush en el 2000 y sobre todo en el 2004 con Kart Rove como director, Zapatero, Sarkozy, etc.. Esta estrategia de marketing político, propia de una “sociedad mediática” ,  es definida  como “comunicación spin”, técnicas “spin doctors”, “comunicación basura” (“fase”) y “política basura”.        <br />
              <br />
       Lo  que este  artículo  pretende  analizar es el resultado y las consecuencias  de esta actividad de comunicación política durante  todos esos años de “spin”, “fast” o “basura” sobre todo el sistema político.         <br />
              <br />
       La conclusión y resumen es que la política spin está terminando, bajo el dominio de la pantalla y el espectáculo, con el sistema político de democracia parlamentaria creado hace más de 200 años en Inglaterra y Estados Unidos, pero al mismo tiempo, están también terminando con los fundamentos teóricos modernos (Maquiavelo) y liberales (Milton y Montesquieu) de ese mismo sistema. La televisión, la democracia mediática y el espectáculo están con esfuerzo enterrando a Maquiavelo y a Montesquieu.        <br />
              <br />
       Y están al mismo tiempo provocando el nacimiento de nuevas demandas colectivas, de nuevos derechos y exigencias las más notables de las cuales son el “derecho individual al conocimiento y a recibir información objetiva y de calidad garantizada” y paralelamente la imprescindible exigencia de, a similitud de los existentes en el sector y  mundo financiero, crear organismos de garantía que persigan e impidan la manipulación masiva y el uso de estrategias anuladoras de la capacidad individual de opción y decisión.       <br />
              <br />
       Para el blog presentamos estas reflexiones en una serie de cuatro textos, a saber:       <br />
              <br />
       1. <a class="link" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/index.php?action=article&amp;numero=7">¡!Qué Imagen¡¡: desconcierto y autodestrucción de la clase política</a>       <br />
       2.   De cómo la televisión y la basura han terminado con el sitema  político parlamentario       <br />
       3.   El logrado esfuerzo por enterrar a Maquiavelo y a Montesquieu       <br />
       4.  Después de la Política (“Beyond Politica”): Dónde encontrar una nueva credibilidad y Confianza.        <br />
              <br />
              <br />
       <span class="u">De cómo la televisión y la basura han terminado con el sistema político parlamentario.</span>        <br />
              <br />
       Concluíamos en anterior artículo en este Blog (“¡¡Qué Imagen!!...) con que la clase política padecía un claro síndrome de desconcierto y de miedo. Lo que aquí queremos analizar son las causas reales de esta situación. Los polítologos tienen una opinión. Nosotros tenemos, sin negar sus líneas argumentales,  otra bastante diversa. Se exponen a continuación.        <br />
              <br />
       Ese desconcierto en realidad es propio de aquellos políticos y  polítólogos que continúan impertérritos buscando una interpretación socioeconómica y política convencional de la realidad de los partidos.        <br />
              <br />
       Bauer/Huber/Sommermann, refiriéndose a los partidos alemanes y de influencia alemana, sitúan la decadencia del actual sistema democrática en cuatro grupos de argumentos. Al primero lo definen como “irresponsabilidad organizada”: los partidos padecen borrachera de poder y supeditan  toda su actividad al éxito electoral inmediato sin poner límites a los medios en ello utilizados: lo que cuenta es ganar las siguientes elecciones a cualquier precio.       <br />
              <br />
       El segundo tiene que ver con la financiación: los partidos viven en un mundo de ensueño, recibiendo un cada vez más generoso aflujo de dinero público y de donaciones privadas no siempre filantrópicas, gastando sin ningún tipo de control efectivo ni de responsabilidad.       <br />
              <br />
       El tercer argumento tiene que ver con la ocupación de cargos públicos bien remunerados: los partidos operan como una red mafiosa, como un clan o secta que nunca abandona a sus fieles y los distribuye y coloca, incluso después de reconocidos fracasos en su gestión y hasta de condenas judiciales, en cualquiera de los apetecibles nichos de la vida pública: cargos en el gobierno de la Unión Europea,  tribunales de rango superior, medios públicos de comunicación, empresas públicas, colegios y  universidades, comisiones de expertos y asesores, miles de puestos de la administración convertida en el botín de unos poco, que lleva a muchos  funcionarios que han ingresado por métodos regulares y públicos de selección a afiliarse a un partido o a manifestar sus preferencias ideológicas para prosperar en la carrera administrativa.       <br />
              <br />
       El cuarto grupo de argumentos tiene que ver con el derecho y la ley electoral, el control de las listas y el clientelismo. En la práctica, por tanto,  la  estructura de los partidos como una red mafiosa, la  confección y control de las listas, los  sueldos de los políticos y de los cargos dependientes y la  financiación de los partidos son las fuentes de corrupción y decadencia del sistema. Apenas referencias a la vieja propaganda ni a la nueva mercadotecnia.       <br />
              <br />
       <b>Otras explicaciones</b>       <br />
              <br />
       Explicaciones similares desarrollan otros analistas de respeto. Sosa Wagner, por ejemplo  recurre a argumentos parecidos y a referencias históricas del XVIII y del XIX para entender el caso de la actual decadencia y de las tendencias autodestructivas del sistema político español  sin referencias explícitas a la mercadotecnia.        <br />
              <br />
       Del mismo modo S.Rizzo y G.A. Stella en el exitoso libro “La Casta…”  presentan a la actual política italiana como  un sistema estamental en el que los políticos y sus derivados constituyen “insaciables brahmanes” responsables de la ruina del país; como los nobles en el antiguo régimen los políticos italianos  no tienen límite ni moral en la concentración de sueldos y acumulación de ingresos, abusan a diario de los bienes públicos (casas, aviones, coches, lujos, vicios…), resuelven su futuro con magnificentes pensiones vitalicias que pueden cobrar apenas sin justificación  desde los 42 años, hacen hereditarios sus cargos, cuidan sobre todo de su familia y de sus propiedades…etc.       <br />
              <br />
       Pero en su detallado análisis de cifras y demostraciones no dedican ni un solo capítulo a los medios, ni a la mercadotecnia electoral. Incluso W.Slater y J.Moore (Bush´s Brain…) proponen la actividad básica de K.Rove como una actividad de estrategia y trucos electorales, incluidas privilegiadas relaciones con la CIA, antes que desarrollos de marketing político .        <br />
              <br />
       <b>El mejor análisis</b>       <br />
              <br />
       El mejor análisis en mi opinión y hasta el momento de la figura de Sarkozy  da  como razones de su situación y éxito las siguientes. En primer lugar el principio según el cual   la lucha política va siempre precedida de la lucha ideológica y que no existe victoria electoral sin una previa hegemonía cultural: Sarkozy ha conseguido el 53% de los votos y una aceptación del 65% de los franceses en sus cien primeros días porque su propuesta ideológica  (trabajo, mérito individual, libertad de empresa, orden, autoridad, respeto como norma, solidaridad sin asistencialismo, responsabilidad de los cargos públicos, identidad nacional, pasión y amor declarada por Francia, reconocimiento de Europa, condena y ridiculización de las opiniones libertarias y comportamientos de los sesentaiochistas) tuvo y tiene en Francia una poderosa aceptación pública y apoyo intelectual incluidos un buen número de antiguos intelectuales de izquierda.        <br />
              <br />
       En segundo lugar, la utilización y propuesta de un modelo actualizado de gestión que, a imitación de lo que la iniciativa privada desarrolla de modo normal, comienza por la elaboración de objetivos, programas, planes de acción, etc., aplicados a los diversos ítems de interés público (economía, sociedad, política, ecología, Europa, etc.),  encargados a expertos, consultores externos y “think tanks” de prestigio reconocido (una de las preferidas  nuevas ministras de Sarkozy viene de MacKensie); estos modos de hacer se han consolidado en la formación de gobierno (llamando como ministros a antiguos izquierdistas de prestigio internacional en sus propios ámbitos de acción) y creando una publicitada Comisión (“Comisión para la Liberalización y el Desarrollo de Francia”) presidida por el viejo Gurú del Presidente Mitterrand, Jacques Attali, y constituida por expertos internacionales de cualquier ideología: Franco Bassanini, ex ministro y responsable de la reforma italiana de la Administración, Mario Monti, excomisario europeo de la competencia enfrentado en su momento al entonces joven ministro de Economía Sarkozy, Ana Palacio, exministra de exteriores del gobierno Aznar y eurodiputada del Pp español, etc.        <br />
              <br />
       En tercer lugar, la construcción de un bloque social de votantes constituido por categorías heterogéneas: empresarios, profesionales liberales, comerciantes, artesanos, autónomos, dependientes del sector privado, ancianos, empleados, obreros…, “targets” que coinciden en una poderosa desconfianza respecto a la política y los políticos, que quieren libertad con responsabilidad y  sobre todo eficacia y gestión.        <br />
              <br />
       En cuarto lugar, la proyección de un lider reconocible , fuerte, de acción, capaz de entender a la gente, accesible, popular, no elitista (ni Chirac ni Villepin), con capacidad de relacionarse con cualquiera, lo más distinto posible de los políticos convencionales franceses, postideológico, pragmático, capaz de unir a los votantes conservadores y de atraer a un buen número de votantes de izquierda. Tampoco aquí ninguna especial referencia a la comunicación política ni al marketing político.       <br />
              <br />
       Y sin embargo, más allás de las interpretaciones de los politólogos,  todo lo referido tiene que ver sobre todo con la televisión, con la sociedad mediática, con la comunicación política y con la mercadotecnia.        <br />
              <br />
       <b>Cambios de hace 20 años</b>       <br />
              <br />
       Las cosas en la vida pública y en la  actividad política (partidos, elecciones, formas de gobernar) cambiaron de modo radical hace 20 años.  Este hecho es generalmente reconocido. También Rizzo/Stella en “La Casta…”: “los ingresos de los políticos (habla de finales de los 70´) eran sensiblemente inferiores a los ingresos de cualquier profesional consolidado … la paga de un diputado era en torno al doble/triple de un operario medio…”; las cosas saltan a una fase alocada en los primeros años ochenta “…en los que una clase política un poco chulesca, sin ningún prejuicio y muy nueva , muy diferentes de los padres constituyentes, comienza a sentirse con derecho de pernada y con derecho a prevendas y lujos poco tiempo antes impensables”  .       <br />
              <br />
       Ese cambio tiene que ver con un cambio de época histórico, con el establecimiento en occidente de la “Sociedad Mediática”. En una breve síntesis y desde la perspectiva de los medios –sin despreciar ni olvidar los cambios socioeconómicos que los acompañaron- las cosas sucedieron como sigue.       <br />
              <br />
       En torno a 1980 todos los hogares occidentales contaban con un aparato de televisión,  lo que equivale  a decir un punto de venta de venta en cada hogar,  capaz de conectar en directo y como terminales con puntos de emisión de acceso fácil para anunciantes, políticos y partidos consolidados. Sólo era necesario dinero. Ese importante dato/hecho conlleva un no menos importante volumen de consecuencias. Interesa aquí resaltar algunas  de ellas.        <br />
              <br />
       La primera es que la televisión se convirtió rapidísimamente en un punto de atracción de negocio que arrastró a todos los demás medios convencionales (radio, prensa) y a los negocios culturales convencionales (libro, disco, cine) a una poderosa convergencia con medios nuevos (redes, videojuegos, internet, telecomunicaciones).        <br />
              <br />
       De no contar en las parrillas de estadística económica de los países a la altura de 1980, el negocio de la información y la comunicación pasó en una década a estar entre los diez primeros sectores industriales y a facturar por encima del 3% del PIB en los países desarrollados.        <br />
              <br />
       Es de notar para claridad de la situación que,  en cifras aproximadas, en torno al 60% de este negocio tiene que ver con el ocio, apenas el 20% con la información propiamente dicha (los departamento de información de las televisiones) y otro 20% con la promoción de productos o el consumo directo e indirecto (publicidad y alternativas).        <br />
              <br />
       Hacia 1990 por tanto la información/comunicación es un sector privatizado, desregularizado (no exclusivamente estatal), autónomo, rico y poderoso, capaz de hacer frente a otros sectores industriales y de negociar (“business to business”) con otros agentes sociales (corporaciones, empresas, partidos, gobiernos) interesados en su utilización y servicios.       <br />
              <br />
       <b>Nuevos modos de relación</b>       <br />
              <br />
       Las segunda importante consecuencia es que la televisión y su sector cambiaron los modos de relación entre agentes públicos y grandes mercados de masas. Las formas en que las relaciones comerciales y políticas se vinieron haciendo en el siglo XIX (comercio directo y caciquismo) y XX (marketing y propaganda) cambiaron de modo radical con la universalización de la televisión y las pantallas.        <br />
              <br />
       Cambiaron los sistemas de intermediación, la fuerza de venta, el papel de los puntos de venta, el valor de la marca, los modos de información comercial, las promociones de marca y producto, los hábitos de compra y pago, los modelos de producción, empaquetado y presentación de los productos, la estructura en consecuencia de todo el sistema económico, que saltó de estar dominado por la producción a estar definido y controlado por la distribución y los puntos de venta..        <br />
              <br />
       <b>Televisión espectáculo</b>       <br />
              <br />
       La tercera consecuencia es especialmente relevante en el mundo político. La televisión es pantalla y como predominantemente espectáculo. La televisión establece por ello formatos y pautas de comportamiento, actitudes y hábitos, que obligan a las actividades públicas, a la política,  a adecuarse.        <br />
              <br />
       Esta imposición cambia de modo total y absoluto la esencia misma de la democracia parlamentaria convirtiéndola en democracia mediática. Por ejemplo, los políticos tienen que ajustar sus discursos a masas muy heterogéneas y establecer en consecuencia un lenguaje de “mínimo común denominador” que con tiempo consistirá en no decir nada para que todos entiendan y nadie se sienta ofendido, en un “lenguaje para sordos” que habla sólo a través de imágenes, colores, movimiento, acción en flashes de 9 o de 30 segundos  o en el mejor de los casos de pocos minutos de duración.        <br />
              <br />
       Otro ejemplo, los partidos políticos, carentes después de la caída del muro de Berlín de referentes extremistas en sus campañas (¿quién se asusta del “peligro comunista” o del “peligro fascista”?) se vieron obligados a centrar su oferta en un mercado de votantes con tendencia al centro político en el que las diferencias entre las viejas concepciones de “derecha” e “izquierda” desaparecen más allá del ámbito de la militancia activa.        <br />
              <br />
       Competir significa elaborar y desarrollar técnicas de persuasión y venta de compleja  especialización, significa el establecimiento de un sofisticado  marketing político que va mucho más allá de las viejas técnicas propagandísticas. El marketing o mercadotecnia política impuesta y dominada por el factor televisión (pantallas y espectáculo) establece en consecuencia los modos de hacer política –en campaña continua- y arrastra a los políticos y sus fórmulas hacia las peores predicciones de Tocqueville, el sometimiento de los políticos a las veleidades del mercado, de las masas, sus contentos y pasiones, la televisión y la política basura. Otro ejemplo, relacionado con la estructura interna de los partidos.        <br />
              <br />
       <b>Star system</b>       <br />
              <br />
       Obligados estos por las exigencias referidas tienen que, imitando a las corporaciones privadas, establecer estrategias y planes de marca y producto, desarrollar un sistema de proposición y promoción de “star system” lo que de modo directísimo lleva a la situación que en el primer apartado de esta artículo enunciábamos: los partidos como  red de intereses de corte mafiosa, que han perdido el sentido institucional, que se han olvidado del bien colectivo y se ocupan sólo y exclusivamente de sí mismos, de ganar elecciones a corto plazo –importan las próximas- y a cualquier precio        <br />
              <br />
       Y desde esta perspectiva de Democracia Mediática las cosas se ven y se demuestran de modo diferente. Los políticos son efímeros, los partidos, el marketing  y los consejeros de comunicación permanentes. Sydney Blumenthal (Clinton, Blair), James Carville, G. Stephanopoulos, Stanley Greemberg (Clinton 92/93, Blair), Dick Morris (Clinton 96/97), Jacques Segela (Mitterrand), Alastair Campbell (Blair/Brown), K. Rove (Bush) y tantos otros han desarrollado para masas televisivas campañas y estrategias de comunicación, repicadas después en todos los países de occidente por los mismos o similares equipos, que han cambiado la política.        <br />
              <br />
       Un par de ejemplos que demuestran e ilustran esos cambios y sobre todo como son los modos de hacer televisivos aquellos que definen las estrategias políticas que son estrategias mediáticas, democracia mediática.       <br />
              <br />
       <b>Política de la controversia</b>       <br />
              <br />
       Los analistas presentan a K. Rove como un estratega de la polarización y de la “política de controversia”, de enfrentamiento. En realidad es la plasmación de una mercadotecnia de marca y lanzamiento de producto en televisión. Rove venía trabajando con Georges W. Bush desde los años 70’  (encargado por Bush padre de su promoción política).        <br />
              <br />
       Se encontraba con una dura cuestión cuando Bush hijo se enfrenta al demócrata Al Gore, heredero de Clinton: cómo pueden los republicanos ganar las elecciones después de que Bill Clinton haya llevado a los demócratas a ocupar el centro electoral. Dio una respuesta de estrategia mediática a partir de los modos de hacer “sucios” aprendidos con los equipos republicanos desde los tiempos de Nixon.        <br />
              <br />
       No se preocupó del buen gobierno ni de buscar aquellas necesidades de la nación a las que los republicanos pudiesen atender sino de romper los procesos electorales con material informativo, es decir, escándalos para las pantallas de televisión. Se convirtió en un “Spin Doctor”.        <br />
              <br />
       El libro-vide de Slater/Moore  lo recoge con todo detalle y  la película-reportaje de Michale Moore   lo demuestra con exagerada evidencia. El proceso consiste, en visión simplificada, en lo siguiente:        <br />
              <br />
       (1)  las elecciones se ganan con la televisión (recuérdese la anécdota de Bill Clinton en la campaña 1992/93: en un encuentro con periodistas de grandes diarios de calidad y ante la impertinencia de éstos, Clinton, enfadado, les conminó diciendo que no los necesitaba para ganar las elecciones, que le bastaba con los telediarios de la CBS).       <br />
              <br />
       (2)  la campaña electoral debe por ello adaptarse a los modos, lenguajes y formatos de la televisión; esta adaptación  implica, según las más elementales estrategias de comunicación y lanzamiento de marca.        <br />
              <br />
       (3) establecer un portavoz “estrella” (el candidato) que responda a esas pautas, que opere como un actor de series y novelas televisivas o en el menor de los casos como un conductor de telediarios, que sea único y por tanto la desaparición de cualquier disonancia y de otros portavoces del mismo nivel en el partido (es la fórmula “star system” o “branded house”, de productos diversos con una sola marca –Sony-, considerado más eficaz en productos masivos de opción única: el caso de las elecciones es prototípico, porque los votantes eligen una única opción en un único día, sin posibilidades de corregir hasta dentro de cuatro o cinco años).       <br />
              <br />
       (4) una propuesta inteligible de modo inmediato para todo el mundo, es decir, la unificación a la baja de todos los diferentes targets de votantes, el uso de lo más simple, del “mínimo común denominador”: en las elecciones del 2004 (segundas Bush) K. Rove estableció la norma de “una televisión para sordos” según principios que se le achacan al mismo Rove: “la gente no escucha (a la televisión por supuesto) – los pocos que escuchan no entienden – los pocos que entienden no les interesa – los pocos a quienes interesa se les olvida – hagamos una televisión para sordos”; una televisión para sordos significa unos informativos –la sección más influyente y creíble de las televisiones- sin discurso textual o hablado sino sólo ofreciendo golpes de luz, de color, flashes de imagen –la misma repetida desde diversos ángulos con frecuencia- y ruido.        <br />
              <br />
       (5) naturalmente estas imágenes y contenidos van orientados no a la razón ni a la comprensión sino –de nuevo aquí la unificación a la baja de los targets de votantes- a lo más simple, a los instintos siguiendo la “ley de la espoleta” formulada ya por los propagandistas de la generación mecanicista/conductista de principios del XX: a la gente se la llega por sus puntos más débiles, que actúan como espoleta, y que –perfectos para el lenguaje televisivo- han sido desde siempre tres fundamentalmente, la sangre, el sexo y los grandes escándalos.       <br />
              <br />
       (6) en esa estrategia falta sólo la capacidad para “llegar primero”, ocupar el interés de la opinión, convertirse en el “tema del día”, “marcar la agenda”, abrir los telediarios –gana las elecciones quien abre los telediarios-; a esta estrategia se llega por dos caminos desde el momento que no es posible tener sangre, escándalos o  sexo todos los días ni menos aún que vayan a “nuestro favor”  (y aquí fue fundamental para K.Rove su experiencia de “juego sucio” con los equipos republicanos),  uno es la invención del escándalo diario, otro es la creación de un enemigo a quien a diario culpar escandalosamente de todo –naturalmente, el “malo” es el contrincante político, la oposición, que se convierten así en alguien a quien hay que mantener al borde del exterminio pero nunca acabar con ellos como sucede en los seriales televisivos-.        <br />
              <br />
       <b>Círculo cerrado</b>       <br />
              <br />
       Y así tenemos cerrado el círculo: Karl Rove como una gran maestro del “spin doctor” no define la polarización como una estrategia de base para unificar su partido, romper la coalición contraria, etc.; tampoco utiliza la estrategia de la polarización como punto de arranque a partir del cual desarrollar el resto de la estrategia completa; tampoco se preocupa de utilizar las contradicciones en  una posible oferta lógica de soluciones políticas que satisfagan las necesidades de sus votantes y consigan nuevos votantes.        <br />
              <br />
       Lo  que le interesa y busca es marcar la agenda abriendo los telediarios, operar con seguridad en la cadena Fox como cadena más popular de los Estados Unidos, “destruir” al malo en modo controlado –el suficiente para que llegue al día electoral sin importar lo que después suceda- tal como se hace en los seriales de la televisión, tener a los votantes pendientes de un espectáculo que les atraiga y arrastre hacia conclusiones vitales –miedo al terrorismo, seguridad-  que, a corto plazo, les induce en la decisión  del voto.  Lo que le importa es el trabajo y juego de “spin doctor” que por esencia supone comunicación basura y con concordancia política basura. La polarización es consecuencia más que base y una “herramienta” parte de la estrategia general más que objetivo inicial. Lo que le importa es LA MERCADOTECNIA.       <br />
              <br />
       <b>El caso de Berlusconi</b>       <br />
              <br />
       Un caso aún más evidente y conocido aún es el de Berlusconi. En su situación nadie pone en duda –reiteradamente lo ha afirmado él mismo- cómo sus modos de hacer en política responden a los modos de hacer del marketing, la publicidad, la organización empresarial y la televisión.         <br />
              <br />
       Cuando en 1993 decide Berlusconi dar el salto a la Presidencia del Consejo de Ministros en Italia, recurre a grandes profesionales: encarga un Manifiesto (“Alla Ricerca del Buongoverno”) al  profesor G. Urbani, la organización de la campaña a A.Gorla máximo dirigente de Fininvest (la financiera de Berlusconi) quien cuenta con toda Publitalia (la propia agencia de publicidad del grupo) pero también con las mayores agencias europeas de publicidad como Saatchi  (su director para Italia , R.Lasagna se integrará en el equipo de campaña) o encuestas como Sofres.        <br />
              <br />
       No era un equipo despreciable. Sabían lanzar marcas y productos al mercado, contaban con  experiencia en grandes campañas.  Así crearon un partido nuevo, un “flash party” (lo montan en menos de seis meses) y un “catch all party” o partido horizontal, antitético de los “partidos iglesia” convencionales.        <br />
              <br />
       Desarrollaron una estrategia de penetración del mercado manejando con precisión tanto la “espiral del silencio” de Noelle-Neumann como la actualizada creación de opinión mediante estímulos y respuestas de Katz . Así lo hizo a principios de los 90´  y lo continúa haciendo en la actualidad cuando espera recuperar la Presidencia del Consejo de Ministros.        <br />
              <br />
       En este reciente mes de Agosto de 2007, uno de sus preferidos “managers”, Michela Vittoria Brambilla, crea y registra como marca una red/movimiento denominado “Circulos de la Libertad”. Esta acción sigue, sin ningún género de dudas, la estrategia de creación clásica de una “segunda marca” o marca dependiente de la marca madre ( “Forza Italia”, el Partido de Berlusconi y su oferta denominada “Casa de la Libertad”).        <br />
              <br />
       Los “Círculos” de Brambilla son una “segunda marca” que busca (objetivo estratégico) rejuvenecer la clientela de votantes  (“svecchiare il partito principale”), crear una competencia al naciente (también en Agosto) “Partito Democrático” como nueva creación de la izquierda italiana y alcanzar en torno a un 4%  del electorado a sumar a la marca principal.         <br />
              <br />
       Se dirigen a votantes desilusionados de los partidos conservadores (Alianza Nazionale  o la propia Forza Italia)  o abstencionistas dentro del electorado moderado. Se “empaquetan” (“packaging”) con los mismos colores de “Forza Italia”, con logos y referencias a la marca principal. Se distribuyen por los mismos canales de la marca principal y aprovechan las redes mediáticas de la misma .        <br />
              <br />
       <b>Situaciones parecidas en Occidente</b>       <br />
              <br />
       Situaciones similares se han vivido en todas las grandes campañas de Occidente desde la primera de Clinton (1992/93) hasta hoy: Berlusconi, Blair, Schroeder,  Bush, Zapatero… En todas ellas ha dominado la mercadotecnia, la televisión y las técnicas “spin” y basura como instrumento prioritario en el triunfo electoral  sobre cualquier otro principio de bien común, interés colectivo, buengobierno y similares . La política es mercadotecnia, el marketing político se ha elaborado y desarrollado desde 1992 hasta hoy con técnicas de “spin doctors”, es decir, comunicación “basura”, política “basura”.        <br />
              <br />
       No es la política que utiliza la televisión como una herramienta al servicio de objetivos “basura” sino es la televisión quien sodomiza la política obligándola a ser espectáculo y pantalla, a pasar por los formatos de tiempo, forma, color y sonido que los terminales en cada hogar imponen, a convertirse en “basura”. Es la  “comunicación basura” quien ha creado la “política basura”.        <br />
              <br />
              <br />
              <br />
       <b>Bibliografía:</b>       <br />
              <br />
       -BAUER,H., HUBER,P.M., SOMMERMANN,K.P.,  Demokratie in Europa, Mohr Siebeck, Tubinga, 2007.        <br />
       - SOSA WAGNER,F., SOSA MAYOR,I., El Estado fragmentado: modelo austro-húngaro y brote de naciones en España, Ed. Trotta, 2007.       <br />
       - RIZZO,S., STELLA,G.A., La Casta: cosí i politici italiani sono diventati intoccabili, Rizzoli, Milán 2007: 14 ediciones en tres meses con más de 125.ejemplares vendidos.       <br />
       - MOORE, J, SLATER,W., Bush´s Brain. How Karl Rove made George W.Bush Presidencial, Video-Libro, 2007       <br />
       - BALDINI,G., LAZAR,M., (eds), La Francia di Sarkozy,  Il Mulino, 2007       <br />
       - SCRUTON, R., The Meaning of Conservatism, St.Augustin Press, 2002, 3ª ed. rv       <br />
       - RIZZO,S., STELLA,G.A., La Casta…. O.c., pgs 34-35.       <br />
       - TIMOTEO ALVAREZ,,J.,  Gestión del Poder Diluido, Pearson, Madrid, 2005       <br />
       - ALMEIDA SANTOS, J., Media e Poder: O poder mediático e a erosao da democracia representativa. Tesis Doctoral. Universidad Complutense de Madrid. Otoño 2007 (inédita).         <br />
       - SLATER / MOORE,  Bush´s Brain…. o.c.        <br />
         Farenheit 9/11       <br />
       - TIMOTEO ALVAREZ, J., Gestión… o.c. ; ALMEIDA SANTOS, J., Media e Poder…o.c.        <br />
         (www.circolodellaliberta.it).       <br />
       - DALTON,R.J., WATTENBERG,M.P., P
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
     <div>
      Lo  que este  artículo  pretende  analizar es el resultado y las consecuencias  de esta actividad de comunicación política durante  todos esos años de “spin”, “fast” o “basura” sobre todo el sistema político.         <br />
              <br />
       La conclusión y resumen es que la política spin está terminando, bajo el dominio de la pantalla y el espectáculo, con el sistema político de democracia parlamentaria creado hace más de 200 años en Inglaterra y Estados Unidos, pero al mismo tiempo, están también terminando con los fundamentos teóricos modernos (Maquiavelo) y liberales (Milton y Montesquieu) de ese mismo sistema. La televisión, la democracia mediática y el espectáculo están con esfuerzo enterrando a Maquiavelo y a Montesquieu.        <br />
              <br />
       Y están al mismo tiempo provocando el nacimiento de nuevas demandas colectivas, de nuevos derechos y exigencias las más notables de las cuales son el “derecho individual al conocimiento y a recibir información objetiva y de calidad garantizada” y paralelamente la imprescindible exigencia de, a similitud de los existentes en el sector y  mundo financiero, crear organismos de garantía que persigan e impidan la manipulación masiva y el uso de estrategias anuladoras de la capacidad individual de opción y decisión.       <br />
              <br />
       Para el blog presentamos estas reflexiones en una serie de cuatro textos, a saber:       <br />
              <br />
       1. <a class="link" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/index.php?action=article&amp;numero=7">¡!Qué Imagen¡¡: desconcierto y autodestrucción de la clase política</a>       <br />
       2.   De cómo la televisión y la basura han terminado con el sitema  político parlamentario       <br />
       3.   El logrado esfuerzo por enterrar a Maquiavelo y a Montesquieu       <br />
       4.  Después de la Política (“Beyond Politica”): Dónde encontrar una nueva credibilidad y Confianza.        <br />
              <br />
              <br />
       <span class="u">De cómo la televisión y la basura han terminado con el sistema político parlamentario.</span>        <br />
              <br />
       Concluíamos en anterior artículo en este Blog (“¡¡Qué Imagen!!...) con que la clase política padecía un claro síndrome de desconcierto y de miedo. Lo que aquí queremos analizar son las causas reales de esta situación. Los polítologos tienen una opinión. Nosotros tenemos, sin negar sus líneas argumentales,  otra bastante diversa. Se exponen a continuación.        <br />
              <br />
       Ese desconcierto en realidad es propio de aquellos políticos y  polítólogos que continúan impertérritos buscando una interpretación socioeconómica y política convencional de la realidad de los partidos.        <br />
              <br />
       Bauer/Huber/Sommermann, refiriéndose a los partidos alemanes y de influencia alemana, sitúan la decadencia del actual sistema democrática en cuatro grupos de argumentos. Al primero lo definen como “irresponsabilidad organizada”: los partidos padecen borrachera de poder y supeditan  toda su actividad al éxito electoral inmediato sin poner límites a los medios en ello utilizados: lo que cuenta es ganar las siguientes elecciones a cualquier precio.       <br />
              <br />
       El segundo tiene que ver con la financiación: los partidos viven en un mundo de ensueño, recibiendo un cada vez más generoso aflujo de dinero público y de donaciones privadas no siempre filantrópicas, gastando sin ningún tipo de control efectivo ni de responsabilidad.       <br />
              <br />
       El tercer argumento tiene que ver con la ocupación de cargos públicos bien remunerados: los partidos operan como una red mafiosa, como un clan o secta que nunca abandona a sus fieles y los distribuye y coloca, incluso después de reconocidos fracasos en su gestión y hasta de condenas judiciales, en cualquiera de los apetecibles nichos de la vida pública: cargos en el gobierno de la Unión Europea,  tribunales de rango superior, medios públicos de comunicación, empresas públicas, colegios y  universidades, comisiones de expertos y asesores, miles de puestos de la administración convertida en el botín de unos poco, que lleva a muchos  funcionarios que han ingresado por métodos regulares y públicos de selección a afiliarse a un partido o a manifestar sus preferencias ideológicas para prosperar en la carrera administrativa.       <br />
              <br />
       El cuarto grupo de argumentos tiene que ver con el derecho y la ley electoral, el control de las listas y el clientelismo. En la práctica, por tanto,  la  estructura de los partidos como una red mafiosa, la  confección y control de las listas, los  sueldos de los políticos y de los cargos dependientes y la  financiación de los partidos son las fuentes de corrupción y decadencia del sistema. Apenas referencias a la vieja propaganda ni a la nueva mercadotecnia.       <br />
              <br />
       <b>Otras explicaciones</b>       <br />
              <br />
       Explicaciones similares desarrollan otros analistas de respeto. Sosa Wagner, por ejemplo  recurre a argumentos parecidos y a referencias históricas del XVIII y del XIX para entender el caso de la actual decadencia y de las tendencias autodestructivas del sistema político español  sin referencias explícitas a la mercadotecnia.        <br />
              <br />
       Del mismo modo S.Rizzo y G.A. Stella en el exitoso libro “La Casta…”  presentan a la actual política italiana como  un sistema estamental en el que los políticos y sus derivados constituyen “insaciables brahmanes” responsables de la ruina del país; como los nobles en el antiguo régimen los políticos italianos  no tienen límite ni moral en la concentración de sueldos y acumulación de ingresos, abusan a diario de los bienes públicos (casas, aviones, coches, lujos, vicios…), resuelven su futuro con magnificentes pensiones vitalicias que pueden cobrar apenas sin justificación  desde los 42 años, hacen hereditarios sus cargos, cuidan sobre todo de su familia y de sus propiedades…etc.       <br />
              <br />
       Pero en su detallado análisis de cifras y demostraciones no dedican ni un solo capítulo a los medios, ni a la mercadotecnia electoral. Incluso W.Slater y J.Moore (Bush´s Brain…) proponen la actividad básica de K.Rove como una actividad de estrategia y trucos electorales, incluidas privilegiadas relaciones con la CIA, antes que desarrollos de marketing político .        <br />
              <br />
       <b>El mejor análisis</b>       <br />
              <br />
       El mejor análisis en mi opinión y hasta el momento de la figura de Sarkozy  da  como razones de su situación y éxito las siguientes. En primer lugar el principio según el cual   la lucha política va siempre precedida de la lucha ideológica y que no existe victoria electoral sin una previa hegemonía cultural: Sarkozy ha conseguido el 53% de los votos y una aceptación del 65% de los franceses en sus cien primeros días porque su propuesta ideológica  (trabajo, mérito individual, libertad de empresa, orden, autoridad, respeto como norma, solidaridad sin asistencialismo, responsabilidad de los cargos públicos, identidad nacional, pasión y amor declarada por Francia, reconocimiento de Europa, condena y ridiculización de las opiniones libertarias y comportamientos de los sesentaiochistas) tuvo y tiene en Francia una poderosa aceptación pública y apoyo intelectual incluidos un buen número de antiguos intelectuales de izquierda.        <br />
              <br />
       En segundo lugar, la utilización y propuesta de un modelo actualizado de gestión que, a imitación de lo que la iniciativa privada desarrolla de modo normal, comienza por la elaboración de objetivos, programas, planes de acción, etc., aplicados a los diversos ítems de interés público (economía, sociedad, política, ecología, Europa, etc.),  encargados a expertos, consultores externos y “think tanks” de prestigio reconocido (una de las preferidas  nuevas ministras de Sarkozy viene de MacKensie); estos modos de hacer se han consolidado en la formación de gobierno (llamando como ministros a antiguos izquierdistas de prestigio internacional en sus propios ámbitos de acción) y creando una publicitada Comisión (“Comisión para la Liberalización y el Desarrollo de Francia”) presidida por el viejo Gurú del Presidente Mitterrand, Jacques Attali, y constituida por expertos internacionales de cualquier ideología: Franco Bassanini, ex ministro y responsable de la reforma italiana de la Administración, Mario Monti, excomisario europeo de la competencia enfrentado en su momento al entonces joven ministro de Economía Sarkozy, Ana Palacio, exministra de exteriores del gobierno Aznar y eurodiputada del Pp español, etc.        <br />
              <br />
       En tercer lugar, la construcción de un bloque social de votantes constituido por categorías heterogéneas: empresarios, profesionales liberales, comerciantes, artesanos, autónomos, dependientes del sector privado, ancianos, empleados, obreros…, “targets” que coinciden en una poderosa desconfianza respecto a la política y los políticos, que quieren libertad con responsabilidad y  sobre todo eficacia y gestión.        <br />
              <br />
       En cuarto lugar, la proyección de un lider reconocible , fuerte, de acción, capaz de entender a la gente, accesible, popular, no elitista (ni Chirac ni Villepin), con capacidad de relacionarse con cualquiera, lo más distinto posible de los políticos convencionales franceses, postideológico, pragmático, capaz de unir a los votantes conservadores y de atraer a un buen número de votantes de izquierda. Tampoco aquí ninguna especial referencia a la comunicación política ni al marketing político.       <br />
              <br />
       Y sin embargo, más allás de las interpretaciones de los politólogos,  todo lo referido tiene que ver sobre todo con la televisión, con la sociedad mediática, con la comunicación política y con la mercadotecnia.        <br />
              <br />
       <b>Cambios de hace 20 años</b>       <br />
              <br />
       Las cosas en la vida pública y en la  actividad política (partidos, elecciones, formas de gobernar) cambiaron de modo radical hace 20 años.  Este hecho es generalmente reconocido. También Rizzo/Stella en “La Casta…”: “los ingresos de los políticos (habla de finales de los 70´) eran sensiblemente inferiores a los ingresos de cualquier profesional consolidado … la paga de un diputado era en torno al doble/triple de un operario medio…”; las cosas saltan a una fase alocada en los primeros años ochenta “…en los que una clase política un poco chulesca, sin ningún prejuicio y muy nueva , muy diferentes de los padres constituyentes, comienza a sentirse con derecho de pernada y con derecho a prevendas y lujos poco tiempo antes impensables”  .       <br />
              <br />
       Ese cambio tiene que ver con un cambio de época histórico, con el establecimiento en occidente de la “Sociedad Mediática”. En una breve síntesis y desde la perspectiva de los medios –sin despreciar ni olvidar los cambios socioeconómicos que los acompañaron- las cosas sucedieron como sigue.       <br />
              <br />
       En torno a 1980 todos los hogares occidentales contaban con un aparato de televisión,  lo que equivale  a decir un punto de venta de venta en cada hogar,  capaz de conectar en directo y como terminales con puntos de emisión de acceso fácil para anunciantes, políticos y partidos consolidados. Sólo era necesario dinero. Ese importante dato/hecho conlleva un no menos importante volumen de consecuencias. Interesa aquí resaltar algunas  de ellas.        <br />
              <br />
       La primera es que la televisión se convirtió rapidísimamente en un punto de atracción de negocio que arrastró a todos los demás medios convencionales (radio, prensa) y a los negocios culturales convencionales (libro, disco, cine) a una poderosa convergencia con medios nuevos (redes, videojuegos, internet, telecomunicaciones).        <br />
              <br />
       De no contar en las parrillas de estadística económica de los países a la altura de 1980, el negocio de la información y la comunicación pasó en una década a estar entre los diez primeros sectores industriales y a facturar por encima del 3% del PIB en los países desarrollados.        <br />
              <br />
       Es de notar para claridad de la situación que,  en cifras aproximadas, en torno al 60% de este negocio tiene que ver con el ocio, apenas el 20% con la información propiamente dicha (los departamento de información de las televisiones) y otro 20% con la promoción de productos o el consumo directo e indirecto (publicidad y alternativas).        <br />
              <br />
       Hacia 1990 por tanto la información/comunicación es un sector privatizado, desregularizado (no exclusivamente estatal), autónomo, rico y poderoso, capaz de hacer frente a otros sectores industriales y de negociar (“business to business”) con otros agentes sociales (corporaciones, empresas, partidos, gobiernos) interesados en su utilización y servicios.       <br />
              <br />
       <b>Nuevos modos de relación</b>       <br />
              <br />
       Las segunda importante consecuencia es que la televisión y su sector cambiaron los modos de relación entre agentes públicos y grandes mercados de masas. Las formas en que las relaciones comerciales y políticas se vinieron haciendo en el siglo XIX (comercio directo y caciquismo) y XX (marketing y propaganda) cambiaron de modo radical con la universalización de la televisión y las pantallas.        <br />
              <br />
       Cambiaron los sistemas de intermediación, la fuerza de venta, el papel de los puntos de venta, el valor de la marca, los modos de información comercial, las promociones de marca y producto, los hábitos de compra y pago, los modelos de producción, empaquetado y presentación de los productos, la estructura en consecuencia de todo el sistema económico, que saltó de estar dominado por la producción a estar definido y controlado por la distribución y los puntos de venta..        <br />
              <br />
       <b>Televisión espectáculo</b>       <br />
              <br />
       La tercera consecuencia es especialmente relevante en el mundo político. La televisión es pantalla y como predominantemente espectáculo. La televisión establece por ello formatos y pautas de comportamiento, actitudes y hábitos, que obligan a las actividades públicas, a la política,  a adecuarse.        <br />
              <br />
       Esta imposición cambia de modo total y absoluto la esencia misma de la democracia parlamentaria convirtiéndola en democracia mediática. Por ejemplo, los políticos tienen que ajustar sus discursos a masas muy heterogéneas y establecer en consecuencia un lenguaje de “mínimo común denominador” que con tiempo consistirá en no decir nada para que todos entiendan y nadie se sienta ofendido, en un “lenguaje para sordos” que habla sólo a través de imágenes, colores, movimiento, acción en flashes de 9 o de 30 segundos  o en el mejor de los casos de pocos minutos de duración.        <br />
              <br />
       Otro ejemplo, los partidos políticos, carentes después de la caída del muro de Berlín de referentes extremistas en sus campañas (¿quién se asusta del “peligro comunista” o del “peligro fascista”?) se vieron obligados a centrar su oferta en un mercado de votantes con tendencia al centro político en el que las diferencias entre las viejas concepciones de “derecha” e “izquierda” desaparecen más allá del ámbito de la militancia activa.        <br />
              <br />
       Competir significa elaborar y desarrollar técnicas de persuasión y venta de compleja  especialización, significa el establecimiento de un sofisticado  marketing político que va mucho más allá de las viejas técnicas propagandísticas. El marketing o mercadotecnia política impuesta y dominada por el factor televisión (pantallas y espectáculo) establece en consecuencia los modos de hacer política –en campaña continua- y arrastra a los políticos y sus fórmulas hacia las peores predicciones de Tocqueville, el sometimiento de los políticos a las veleidades del mercado, de las masas, sus contentos y pasiones, la televisión y la política basura. Otro ejemplo, relacionado con la estructura interna de los partidos.        <br />
              <br />
       <b>Star system</b>       <br />
              <br />
       Obligados estos por las exigencias referidas tienen que, imitando a las corporaciones privadas, establecer estrategias y planes de marca y producto, desarrollar un sistema de proposición y promoción de “star system” lo que de modo directísimo lleva a la situación que en el primer apartado de esta artículo enunciábamos: los partidos como  red de intereses de corte mafiosa, que han perdido el sentido institucional, que se han olvidado del bien colectivo y se ocupan sólo y exclusivamente de sí mismos, de ganar elecciones a corto plazo –importan las próximas- y a cualquier precio        <br />
              <br />
       Y desde esta perspectiva de Democracia Mediática las cosas se ven y se demuestran de modo diferente. Los políticos son efímeros, los partidos, el marketing  y los consejeros de comunicación permanentes. Sydney Blumenthal (Clinton, Blair), James Carville, G. Stephanopoulos, Stanley Greemberg (Clinton 92/93, Blair), Dick Morris (Clinton 96/97), Jacques Segela (Mitterrand), Alastair Campbell (Blair/Brown), K. Rove (Bush) y tantos otros han desarrollado para masas televisivas campañas y estrategias de comunicación, repicadas después en todos los países de occidente por los mismos o similares equipos, que han cambiado la política.        <br />
              <br />
       Un par de ejemplos que demuestran e ilustran esos cambios y sobre todo como son los modos de hacer televisivos aquellos que definen las estrategias políticas que son estrategias mediáticas, democracia mediática.       <br />
              <br />
       <b>Política de la controversia</b>       <br />
              <br />
       Los analistas presentan a K. Rove como un estratega de la polarización y de la “política de controversia”, de enfrentamiento. En realidad es la plasmación de una mercadotecnia de marca y lanzamiento de producto en televisión. Rove venía trabajando con Georges W. Bush desde los años 70’  (encargado por Bush padre de su promoción política).        <br />
              <br />
       Se encontraba con una dura cuestión cuando Bush hijo se enfrenta al demócrata Al Gore, heredero de Clinton: cómo pueden los republicanos ganar las elecciones después de que Bill Clinton haya llevado a los demócratas a ocupar el centro electoral. Dio una respuesta de estrategia mediática a partir de los modos de hacer “sucios” aprendidos con los equipos republicanos desde los tiempos de Nixon.        <br />
              <br />
       No se preocupó del buen gobierno ni de buscar aquellas necesidades de la nación a las que los republicanos pudiesen atender sino de romper los procesos electorales con material informativo, es decir, escándalos para las pantallas de televisión. Se convirtió en un “Spin Doctor”.        <br />
              <br />
       El libro-vide de Slater/Moore  lo recoge con todo detalle y  la película-reportaje de Michale Moore   lo demuestra con exagerada evidencia. El proceso consiste, en visión simplificada, en lo siguiente:        <br />
              <br />
       (1)  las elecciones se ganan con la televisión (recuérdese la anécdota de Bill Clinton en la campaña 1992/93: en un encuentro con periodistas de grandes diarios de calidad y ante la impertinencia de éstos, Clinton, enfadado, les conminó diciendo que no los necesitaba para ganar las elecciones, que le bastaba con los telediarios de la CBS).       <br />
              <br />
       (2)  la campaña electoral debe por ello adaptarse a los modos, lenguajes y formatos de la televisión; esta adaptación  implica, según las más elementales estrategias de comunicación y lanzamiento de marca.        <br />
              <br />
       (3) establecer un portavoz “estrella” (el candidato) que responda a esas pautas, que opere como un actor de series y novelas televisivas o en el menor de los casos como un conductor de telediarios, que sea único y por tanto la desaparición de cualquier disonancia y de otros portavoces del mismo nivel en el partido (es la fórmula “star system” o “branded house”, de productos diversos con una sola marca –Sony-, considerado más eficaz en productos masivos de opción única: el caso de las elecciones es prototípico, porque los votantes eligen una única opción en un único día, sin posibilidades de corregir hasta dentro de cuatro o cinco años).       <br />
              <br />
       (4) una propuesta inteligible de modo inmediato para todo el mundo, es decir, la unificación a la baja de todos los diferentes targets de votantes, el uso de lo más simple, del “mínimo común denominador”: en las elecciones del 2004 (segundas Bush) K. Rove estableció la norma de “una televisión para sordos” según principios que se le achacan al mismo Rove: “la gente no escucha (a la televisión por supuesto) – los pocos que escuchan no entienden – los pocos que entienden no les interesa – los pocos a quienes interesa se les olvida – hagamos una televisión para sordos”; una televisión para sordos significa unos informativos –la sección más influyente y creíble de las televisiones- sin discurso textual o hablado sino sólo ofreciendo golpes de luz, de color, flashes de imagen –la misma repetida desde diversos ángulos con frecuencia- y ruido.        <br />
              <br />
       (5) naturalmente estas imágenes y contenidos van orientados no a la razón ni a la comprensión sino –de nuevo aquí la unificación a la baja de los targets de votantes- a lo más simple, a los instintos siguiendo la “ley de la espoleta” formulada ya por los propagandistas de la generación mecanicista/conductista de principios del XX: a la gente se la llega por sus puntos más débiles, que actúan como espoleta, y que –perfectos para el lenguaje televisivo- han sido desde siempre tres fundamentalmente, la sangre, el sexo y los grandes escándalos.       <br />
              <br />
       (6) en esa estrategia falta sólo la capacidad para “llegar primero”, ocupar el interés de la opinión, convertirse en el “tema del día”, “marcar la agenda”, abrir los telediarios –gana las elecciones quien abre los telediarios-; a esta estrategia se llega por dos caminos desde el momento que no es posible tener sangre, escándalos o  sexo todos los días ni menos aún que vayan a “nuestro favor”  (y aquí fue fundamental para K.Rove su experiencia de “juego sucio” con los equipos republicanos),  uno es la invención del escándalo diario, otro es la creación de un enemigo a quien a diario culpar escandalosamente de todo –naturalmente, el “malo” es el contrincante político, la oposición, que se convierten así en alguien a quien hay que mantener al borde del exterminio pero nunca acabar con ellos como sucede en los seriales televisivos-.        <br />
              <br />
       <b>Círculo cerrado</b>       <br />
              <br />
       Y así tenemos cerrado el círculo: Karl Rove como una gran maestro del “spin doctor” no define la polarización como una estrategia de base para unificar su partido, romper la coalición contraria, etc.; tampoco utiliza la estrategia de la polarización como punto de arranque a partir del cual desarrollar el resto de la estrategia completa; tampoco se preocupa de utilizar las contradicciones en  una posible oferta lógica de soluciones políticas que satisfagan las necesidades de sus votantes y consigan nuevos votantes.        <br />
              <br />
       Lo  que le interesa y busca es marcar la agenda abriendo los telediarios, operar con seguridad en la cadena Fox como cadena más popular de los Estados Unidos, “destruir” al malo en modo controlado –el suficiente para que llegue al día electoral sin importar lo que después suceda- tal como se hace en los seriales de la televisión, tener a los votantes pendientes de un espectáculo que les atraiga y arrastre hacia conclusiones vitales –miedo al terrorismo, seguridad-  que, a corto plazo, les induce en la decisión  del voto.  Lo que le importa es el trabajo y juego de “spin doctor” que por esencia supone comunicación basura y con concordancia política basura. La polarización es consecuencia más que base y una “herramienta” parte de la estrategia general más que objetivo inicial. Lo que le importa es LA MERCADOTECNIA.       <br />
              <br />
       <b>El caso de Berlusconi</b>       <br />
              <br />
       Un caso aún más evidente y conocido aún es el de Berlusconi. En su situación nadie pone en duda –reiteradamente lo ha afirmado él mismo- cómo sus modos de hacer en política responden a los modos de hacer del marketing, la publicidad, la organización empresarial y la televisión.         <br />
              <br />
       Cuando en 1993 decide Berlusconi dar el salto a la Presidencia del Consejo de Ministros en Italia, recurre a grandes profesionales: encarga un Manifiesto (“Alla Ricerca del Buongoverno”) al  profesor G. Urbani, la organización de la campaña a A.Gorla máximo dirigente de Fininvest (la financiera de Berlusconi) quien cuenta con toda Publitalia (la propia agencia de publicidad del grupo) pero también con las mayores agencias europeas de publicidad como Saatchi  (su director para Italia , R.Lasagna se integrará en el equipo de campaña) o encuestas como Sofres.        <br />
              <br />
       No era un equipo despreciable. Sabían lanzar marcas y productos al mercado, contaban con  experiencia en grandes campañas.  Así crearon un partido nuevo, un “flash party” (lo montan en menos de seis meses) y un “catch all party” o partido horizontal, antitético de los “partidos iglesia” convencionales.        <br />
              <br />
       Desarrollaron una estrategia de penetración del mercado manejando con precisión tanto la “espiral del silencio” de Noelle-Neumann como la actualizada creación de opinión mediante estímulos y respuestas de Katz . Así lo hizo a principios de los 90´  y lo continúa haciendo en la actualidad cuando espera recuperar la Presidencia del Consejo de Ministros.        <br />
              <br />
       En este reciente mes de Agosto de 2007, uno de sus preferidos “managers”, Michela Vittoria Brambilla, crea y registra como marca una red/movimiento denominado “Circulos de la Libertad”. Esta acción sigue, sin ningún género de dudas, la estrategia de creación clásica de una “segunda marca” o marca dependiente de la marca madre ( “Forza Italia”, el Partido de Berlusconi y su oferta denominada “Casa de la Libertad”).        <br />
              <br />
       Los “Círculos” de Brambilla son una “segunda marca” que busca (objetivo estratégico) rejuvenecer la clientela de votantes  (“svecchiare il partito principale”), crear una competencia al naciente (también en Agosto) “Partito Democrático” como nueva creación de la izquierda italiana y alcanzar en torno a un 4%  del electorado a sumar a la marca principal.         <br />
              <br />
       Se dirigen a votantes desilusionados de los partidos conservadores (Alianza Nazionale  o la propia Forza Italia)  o abstencionistas dentro del electorado moderado. Se “empaquetan” (“packaging”) con los mismos colores de “Forza Italia”, con logos y referencias a la marca principal. Se distribuyen por los mismos canales de la marca principal y aprovechan las redes mediáticas de la misma .        <br />
              <br />
       <b>Situaciones parecidas en Occidente</b>       <br />
              <br />
       Situaciones similares se han vivido en todas las grandes campañas de Occidente desde la primera de Clinton (1992/93) hasta hoy: Berlusconi, Blair, Schroeder,  Bush, Zapatero… En todas ellas ha dominado la mercadotecnia, la televisión y las técnicas “spin” y basura como instrumento prioritario en el triunfo electoral  sobre cualquier otro principio de bien común, interés colectivo, buengobierno y similares . La política es mercadotecnia, el marketing político se ha elaborado y desarrollado desde 1992 hasta hoy con técnicas de “spin doctors”, es decir, comunicación “basura”, política “basura”.        <br />
              <br />
       No es la política que utiliza la televisión como una herramienta al servicio de objetivos “basura” sino es la televisión quien sodomiza la política obligándola a ser espectáculo y pantalla, a pasar por los formatos de tiempo, forma, color y sonido que los terminales en cada hogar imponen, a convertirse en “basura”. Es la  “comunicación basura” quien ha creado la “política basura”.        <br />
              <br />
              <br />
              <br />
       <b>Bibliografía:</b>       <br />
              <br />
       -BAUER,H., HUBER,P.M., SOMMERMANN,K.P.,  Demokratie in Europa, Mohr Siebeck, Tubinga, 2007.        <br />
       - SOSA WAGNER,F., SOSA MAYOR,I., El Estado fragmentado: modelo austro-húngaro y brote de naciones en España, Ed. Trotta, 2007.       <br />
       - RIZZO,S., STELLA,G.A., La Casta: cosí i politici italiani sono diventati intoccabili, Rizzoli, Milán 2007: 14 ediciones en tres meses con más de 125.ejemplares vendidos.       <br />
       - MOORE, J, SLATER,W., Bush´s Brain. How Karl Rove made George W.Bush Presidencial, Video-Libro, 2007       <br />
       - BALDINI,G., LAZAR,M., (eds), La Francia di Sarkozy,  Il Mulino, 2007       <br />
       - SCRUTON, R., The Meaning of Conservatism, St.Augustin Press, 2002, 3ª ed. rv       <br />
       - RIZZO,S., STELLA,G.A., La Casta…. O.c., pgs 34-35.       <br />
       - TIMOTEO ALVAREZ,,J.,  Gestión del Poder Diluido, Pearson, Madrid, 2005       <br />
       - ALMEIDA SANTOS, J., Media e Poder: O poder mediático e a erosao da democracia representativa. Tesis Doctoral. Universidad Complutense de Madrid. Otoño 2007 (inédita).         <br />
       - SLATER / MOORE,  Bush´s Brain…. o.c.        <br />
         Farenheit 9/11       <br />
       - TIMOTEO ALVAREZ, J., Gestión… o.c. ; ALMEIDA SANTOS, J., Media e Poder…o.c.        <br />
         (www.circolodellaliberta.it).       <br />
       - DALTON,R.J., WATTENBERG,M.P., P
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/De-como-la-television-y-la-basura-han-terminado-con-el-sistema-politico-parlamentario_a8.html" />
  </entry>
  <entry>
   <title>Desconcierto y autodestrucción en la actual clase política</title>
   <updated>2007-09-16T19:25:00+02:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/Desconcierto-y-autodestruccion-en-la-actual-clase-politica_a7.html</id>
   <category term="Bitácora" />
   <published>2007-09-16T19:11:00+02:00</published>
   <author><name>Jesús Timoteo</name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
Hace 15 años que la actividad política está marcada por la mercadotecnia. Aunque se pueden encontrar antecedentes (el más notables es la campaña Reagan de 1980, pero también las campañas de Ross Perot en los 80’ y probablemente otros ) es la Campaña Clinton de 1992/93 la que se plantea y desarrolla sometida a una definida estrategia de mercadotecnia (Newmann, The Marketing of the President). Establece unos modos de hacer liderados por consultores externos ( James Carville, G. Stephanopoulos, Stanley Greemberg, S. Blumenthal, Dick Morris) que fueron inmediatamente imitadas y perfeccionadas por las grandes campañas siguientes: Berlusconi, Blair/Brown , Schroeder, Bush en el 2000 y sobre todo en el 2004 con Kart Rove como director, Zapatero, Sarkozy, etc.. Esta estrategia de marketing político, propia de una “sociedad mediática” , la conocemos como “comunicación spin”, técnicas “spin doctors”, “comunicación basura” (“fast”) o “política basura”.  
  
 Lo que aquí pretendemos analizar es el resultado y las consecuencias que esta actividad de comunicación política durante todos estos años de “spin”, “fast” o “basura” han tenido sobre todo el sistema político. La conclusión y resumen es que la política spin está terminando, bajo el dominio de la pantalla y el espectáculo, con el sistema político de democracia parlamentaria creado hace más de 200 años en Inglaterra y Estados Unidos, pero al mismo tiempo, están también terminando con los fundamentos teóricos modernos (Maquiavelo) y liberales (Milton y Montesquieu) de ese mismo sistema. La televisión, los políticos de la democracia mediática y el espectáculo están con esfuerzo enterrando a Maquiavelo y a Montesquieu. Y están al mismo tiempo provocando el nacimiento de nuevas demandas colectivas, de nuevos derechos y exigencias, las más notables de las cuales son el derecho individual al conocimiento, a recibir información objetiva y de calidad garantizada, y paralelamente, la imprescindible exigencia de crear organismos de garantía,  a similitud de los existentes en el sector y mundo financiero, que persigan e impidan la manipulación masiva y el uso de estrategias anuladoras de la capacidad individual de opción y decisión. 
  
 Para el blog presentamos estas reflexiones en una serie de cuatro textos, a saber: 
  
 1. ¡!Qué Imagen¡¡: desconcierto y autodestrucción de la clase política 
 2. De cómo la televisión y la basura han terminado con el sitema político parlamentario 
 3. El logrado esfuerzo por enterrar a Maquiavelo y a Montesquieu 
 4. Después de la Política (“Beyond Politica”): Dónde encontrar una nueva credibilidad y Confianza.     <div>
             <br />
              <br />
              <br />
       <span class="u">¡Que imagen! Desconcierto y autodestrucción en la actual clase política</span>       <br />
              <br />
              <br />
       <span style="font-style:italic">Lo que un ciudadano normal percibe,  a través de los medios fundamentalmente, es que los grandes políticos occidentales son idiotas (no piensan por sí mismos y dependen en todo de consultores externos), son cínicos (culpan a otros, sobre todo  a los medios, de los problemas que ellos debieran resolver), son aprovechados (dan  la impresión de que han desarrollado todo un largo currículo al servicio del país sólo con el objetivo de poder trabajar más tarde al servicio de  los más ricos de la tierra) o son histriones (se dedican a desconcertar a la opinión y al enemigo más allá de cualquier programa, proyecto o ideología).         <br />
              <br />
       Paralelamente los ciudadanos no dejan de intuir, tal vez conservan de su memoria histórica, que no es este el único modo de hacer política, que no todo consiste en “ganar a cualquier precio las próximas elecciones” (objetivo exclusivo de las estrategias spin), sino que , según conservamos por memoria histórica, existe otra política posible en la cuál lo importante es el bien común y no la supervivencia, enriquecimiento y satisfacción de los políticos. </span>       <br />
              <br />
              <br />
       1. <b>Externalización de Cerebros</b>.        <br />
              <br />
       El pasado 13 de Agosto (2007) Kart Rove ha dimitido como “senior advisor”  en el gabinete de la Presidencia de G.W.Bush. Las interpretaciones sobre esta dimisión atienden todos los gustos, pero en general los politólogos presentan a Rove como el “estratega”(“Bush´s Brain”) de toda la actividad política de Bush. En el libro disco de James Moore y Wayne Slater , K.Rove es presentado como un perfecto “Maquiavelo” y “Richelieu” adecuado al siglo XX (“boy genius”) capaz de utilizar en cada momento el truco perfecto para ganar.       <br />
              <br />
       Republicano desde niño, implicado en la estructura del Partido desde joven, aprendiz de trucos sucios en política desde los tiempos del Presidente Nixon y del Watergate (1973), alcanzó notoriedad ya en aquellos años,  con poco más de 20 años,  “colándose” en la sede de la campaña electoral del demócrata Alan Dixon, robando papel timbrado e imprimiendo una invitación que prometía “cerveza, chicas y diversión gratuita” en un miting del candidato. La repartió  en un concierto rock y logró hundir el acto de los demócratas. Según Moore/Slater ha utilizado trucos sucios en todas las campañas en las que ha intervenido desde aquella fecha Nadie le niega inteligencia, preparación, habilidad, astucia.         <br />
              <br />
       David Frum  opina que K.Rove ha dado respuestas muy brillantes a una pregunta equivocada, mal planteada, porque Rove nunca se preocupó de las necesidades de la gente ni del interés de la nación sino de cómo ganar las próximas elecciones. Ganar las elecciones dejando en segundo lugar los problemas del buengobierno. En esa estrategia se dedicaba, en las últimas elecciones presidenciales del 2004, por ejemplo, a contentar y cortejar determinados “targets” de la base electoral cuidadosamente elegidos a los que ofrecía leyes y promesas capaces de romper a su favor  los sondeos. Reducciones fiscales para conservadores convencionales, apoyo a la infancia (“No Child Left Behind”) para moderados suburbanos, descuentos en medicinas prescritas por el médico para jubilados ansiosos, facilidades en la inmigración para los hispanos, programas basados en la religión y la fe para los evangelistas y católicos…etc..        <br />
              <br />
       No importaba si estos programas se contradecían unos a otros (reducir por ejemplo los impuestos y crear un subsidio importante para las medicinas con receta) porque el objetivo del “conservadurismo compasivo” no era resolver problemas sino  “marcar la agenda”, tener argumentos que justificasen  el estar presente en la opinión. Insiste Frum en cómo Rove ha conseguido exprimir al máximo los restos de un filón en recesión y decadencia, el mercado de votos republicano: es evidente desde hace años que la base demócrata crece a mayor velocidad que la republicana, que el número de votantes que dejan de ir a  las iglesias aumenta muy por encima de los que se casan por la iglesia, que la población no blanca e inmigrante tiene una tasa de crecimiento vegetativo muy superior a la de los blancos, que las clases medias –tradicionales votantes de los republicanos- están perdiendo presencia, poder y fuerza social.        <br />
              <br />
       En esa situación Rove consiguió ganar utilizando, siempre según Frum, la estrategia de la polarización, consiguiendo unir su base electoral y romper la contraria. Polarización es radicalización y destrucción del contrincante. Opinan lo mismo Slater y Moore: Rove ha destruido –enviado a la carcel, hundido moralmente, acabado con la carrera política- de sus principales contrincantes. Como “buen discípulo de Maquiavelo”,  dicen, sin reparar en medios.        <br />
              <br />
       Con sus trucos y estrategias se va de la Casa Blanca después de ganar las del 2004 pero perder las del 2006, de salir indemne durante años pero verse ahora implicado en dos escándalos de grueso calibre, acusado de estar en el origen de “ciagate”, el reconocimiento público como agente de la Cia de Valerie Plame y acusado de estar en el origen de la expulsión de los procuradores de tribunales despedidos por el ministro de Justicia González, también recientemente dimitido.        <br />
              <br />
       <b>2. Cinismo.</b>        <br />
              <br />
       El 12 de Junio de 2007 Tony Blair tiene una intervención en el “Instituto Reuters para el Estudio del Periodismo” en la sede londinense de la agencia. Lo dedica a las relaciones entre Media y Políticos y aunque lo presenta como un “argumento y no un lamento”, el discurso forma uno de los capítulos de exculpación y penitencia de la epoca Blair. Se trata por ello de un discurso absolutamente político y de enorme interés teórico.        <br />
              <br />
       Indica Blair cómo las relaciones entre políticos, agentes de la vida pública y medios han cambiado de un modo muy radical a consecuencia de las transformaciones habidas en el sector de la comunicación. Se trata de un hecho del cual nadie es culpable pero cuyos efectos son extraordinariamente negativos en el desarrollo de la vida pública.        <br />
              <br />
       Será necesario debatir en serio sobre la actuación de los medios, sobre cómo se informa a la gente y a la opinión con objetividad, cuidado y precisión (“properly and accurately”). Los medios son hoy más fragmentados, diversos y autónomos que nunca, cientos de televisiones con capacidad técnica para llegar a todas las consciencias, con capacidad de actuación de 24 sobre 24 horas, con capacidad tecnológica y de gestión para influir por encima de lo que la gente normal es capaz de controlar.        <br />
              <br />
       Un actor público, un político, se ve así obligado en esa situación a responder en tiempo real a las exigencias crecientes de los medios. Con frecuencia es más acuciante para un político ordenar la secuencia inteligible de los hechos y de lo que intenta hacer que llevar a cabo un programa de buengobierno. Porque si se equivoca en la presentación y exposición de sus procesos, si rompe con la lógica visual y televisiva, la situación saltará inmediatamente a ser dramática y a la crisis.        <br />
              <br />
       Un político es en primer lugar y ante todo un creador de notas de prensa y sólo en segundo lugar un gestor público. Por eso cada día hay más gente convencida de que pagamos a nuestra clase política y dirigente (jueces ,directores generales… )no para hacer política, no para resolver problemas,  sino para salir en televisión, para hacer comunicación y desarrollar trucos sucios en ello.       <br />
              <br />
       Ese sometimiento de los políticos a la cámara y a la pantalla producen un sofisticado cinismo entre los políticos y entre la propia gente. Para salir en los telediarios no interesa una buena gestión, no interesa un buen discurso de sentido común y lógica en el Parlamento, no interesa el bien común ni la  puesta en marcha de programas con objetivo a medio o largo plazo.        <br />
              <br />
       Para abrir los telediarios interesa sólo el escándalo, la noticia llamativa, la exclusiva que atraiga la atención y rompa la atonía de la vida normal. Para ello medios, agentes y políticos compiten incluso entre sí con creciente crudeza. Todos tienen necesidad del IMPACTO. El impacto domina toda la actividad pública. No es de despreciar la calidad o la credibilidad pero todo ello sometido a la inmediata exigencia del impacto, de ocupar el primer puesto en la atracción de la audiencia y en la ocupación casi física del espacio público y de opinión.        <br />
              <br />
       Tal lógica televisiva y de impacto sobre la opinión produce efectos letales sobre la acción de los políticos y sobre la actitud de la opinión pública y de los votantes. El primero de ellos está en  que se impone, como técnica dominante de relación en la vida pública, el ESPECTÁCULO: la actividad política es sobre todo un juego teatral, de actores que operan en seriales televisivos con capacidad de cambiar de registro a cada instante y de adecuarse en modo inmediato al “prime time” y al escándalo siguiente, que en horas y a veces en menos, entierra el escándalo y la primera (portada y noticia) anterior.       <br />
              <br />
       El segundo efecto tiene que ver con la construcción del discurso televisivo y con la construcción inmediata de una opinión y de una posición mental de la gente ante esa “noticia” que es el espectáculo y el escándalo último: un constructo mental simplón e inmediato exige que los problemas o los errores no sean nunca casuales o producto de una mala gestión sino conspiracionales, producto de una historia negra y llamativa, mejor mientras más absurda, irreal y alejada de la realidad en la que las causas y los culpables –normalmente siempre la oposición o la parte contraria- son más importantes que los acontecimientos y las opiniones y comentarios elementales más importantes que los hecho.       <br />
              <br />
       El tercer efecto consiste en empujar a la opinión a posicionarse de modo abierto y definitivo, en una estrategia de continua controversia (“wedge-politics”) y polarización, una retórica inspirada en y por solemnes promesas que no es necesario cumplir: la política de controversia  y de polarización establece una agenda con temas que buscan actuar como material de conjunción y unión en las propias bases electorales y como cuña que dividen la coalición de las bases contrarias.       <br />
              <br />
       El cuarto efecto tiene que ver con la reputación mutua: los políticos consideran a los votantes y a la opinión como un material amorfo de fácil manipulación, la banda de imbéciles que desde siempre han sido conducidos al sacrificio con humo, fuegos artificiales, colores y poco más mientras que los votantes –y sobre todo una inmensa mayoría de abstencionistas, votantes en blanco, dudosos y vacilantes- consideran a los políticos como una banda de inútiles  de quien  nadie se puede fiar, una enfermedad social de la que no conocemos la forma de cura.        <br />
              <br />
       Blair lanza, como epílogo a esta situación, su propio titular y material para la primera: “para los medios actuales, el miedo a perder impacto significa quedarse sin alimento, fallar en la operación diaria de caza: en esa situación los media operan como bestias salvajes capaces de destruir cualquier persona y reputación antes de quedar fuera de un titular o  una apertura de informativos”.       <br />
              <br />
       Por eso la reputación y el prestigio público de los periodistas no es muy superior al de los políticos: la gente piensa casi igual de ambos colectivos y no tiene ninguna confianza en que los nuevos medios –los “postmedia” individuales: pantalla en teléfono movil, televisiones digitales…- sirvan como bypass a la situación y la resuelvan sino todo lo contrario, sean nuevos medios y tecnologías para una mayor manipulación de la opinión y del voto. “Estamos bastante desmoralizados en cómo interactuarán medios y vida pública. La confianza de la gente en los periodistas no es mayor de la poca que tienen en los políticos.        <br />
              <br />
       Existe sin duda un mercado para las informaciones serias y equilibradas como existe un anhelo de imparcialidad. Tal vez están cambiando las formas en que la gente accede a la información –online frecuentemente- pero no parece que estén cambiando ni el formato ni las fórmulas en que las noticias se ofrecen…porque lo medios están convencidos de que cualquier cambio de marcha en relación a los modos de conseguir impacto significarán una caída de audiencia y ventas”.        <br />
              <br />
       <b>3. “Hedge Funds” o el CV del político con futuro. </b>       <br />
              <br />
       El 15 de junio de 2007 salta la noticia de que el expresidente español Aznar ha sido “fichado” por la  firma “Centaurus Capital” con sede en Londres, que maneja en bolsa y valores más de 4.500 millones de dólares aunque es conocida y definida sobre todo por su habilidad en capital riesgo y “hedge fund”. Si uno busca cuáles sean las características de estos “hedge funds” y del “capital riesgo” se encuentran con que se trata de sociedades siempre privadas que tienen como objetivo exclusivo una alta rentabilidad a partir de inversiones  muy diversificadas, aprovechándose de la opacidad regulatoria de los diversos países y con cobro de altas comisiones.        <br />
              <br />
       El reciente ejemplo de la crisis de las bolsas mundiales a partir de los impagados inmobiliarios en los USA explica con bastante claridad como actúan: los bancos ofrecen préstamos hipotecarios a personas sin garantías suficientes; acumulando activos –deuda de miles de compradores de casa a riego- los bancos crean paquetes que ofrecen a fondos de inversión quienes a su vez los colocan a otros agentes –también bancos con frecuencia- que terminan el ciclo prometiendo a inversores una rentabilidad atractiva; cuando, por la subida de intereses, sucedió que la banca en origen tuvo problemas de impagados, la rentabilidad de los ahorradores e inversores finales se viene abajo. Es un juego perfecto donde la banca gana siempre, nunca pierde. Seguro que es legal pero es basura, es manipular los deseos de beneficio de los inversores, es  engañar a la gente.       <br />
              <br />
       El caso del expresidente Aznar no es único. El también expresidente Felipe González trabaja en funciones de intermediación con Carlos Slim el hombre considerado como más rico del mundo, el ex primer ministro alemán Schroeder hace lo mismo con la super empresa rusa Gazprom, el ex primer ministro inglés John Mayor con “The Caryle Group”, otro operador de “hedge found”, el expresidente BillClinton hace algo parecido con “Yucaipa” una banca privada norteamericana, la ex secretaria de Estado Madeleine Albright ha creado un fondo de inversion libre que lleva su propio nombre, el exsecretario del Tesoro norteamericano John Snow ha sido “fichado” en octubre pasado (2006) por otro fondo “Cerberus Capital”….        <br />
              <br />
       Probablemente hay otros muchos casos y en cualquier modo son suficientes para marcar una tendencia según la cual una carrera política, un poderoso y prestigioso currículo político, es en realidad un itinerario hacia puestos  de intermediación en  grandes negocios, hacia funciones de relaciones externas en grandes compañías financieras o industriales. Por tradición y en los sistemas parlamentarios occidentales los políticos de alto nivel (primeros ministros, presidentes) pasan a desarrollar actividades relacionadas con el interés nacional, situándose en Consejos de Estado o en proyectos especiales al servicio de sus países. Es difícil imaginar a los grandes políticos  del siglo XIX o XX, a Churchill, Eisenhower, De Gaulle, Cánovas, Disraeli…llevando a cabo actividades privadas similares al margen de los intereses de sus  respectivos estados.       <br />
              <br />
       <b>4. Histrionismo para Desconcierto de amigos y enemigos.</b>       <br />
              <br />
       Entre mayo y junio de 2007  Nicolás Sarkozy ha sido elegido Presidente de la República de Francia después de un apasionante duelo con la candidata socialista Segolene Royal. Las interpretaciones en boca de los más afamados analistas franceses sobre los motivos de su victoria y sobre la personalidad de Sarkozy dejan perplejo a cualquiera.        <br />
              <br />
       Bernard Henry Levy dice a los lectores del “New York Times” que Sarkozy es cínico y sentimental, habla de todo como un hombre sin memoria, como caso único entre los lideres franceses admira a los Estados Unidos, es el primer presidente francés que implica en su campaña su vida amorosa y las relaciones con su mujer Cecilia.        <br />
              <br />
       El mismo autor a los lectores del “Internacional Herald Tribune” (17.07.07): “se trata de un político que encarna el fin de las ideologías de quien no puedo fiarme”. Alain de Benoist (Nueva Agencia Radical:20.07.07): “es sin duda un profesional de la política con enorme dinamismo y voluntad pero también con una total carencia de escrúpulos”.        <br />
              <br />
       Marcel Gauchet (“Le Point” 11.01.07): Sarkozy no es gaullista ni ortodoxo ni chiracquiano, es liberal pero no del todo; durante un cierto tiempo encarnó una especie de tatcherismo a la francesa pero parece que después se ha inclinado hacia un gaullismo sociológico; no se sabe realmente qué es; tiene aplomo y tenacidad, sin duda, pero habrá que verlo actuar; en cualquier caso es alguien que provoca y te obliga a situarte, alejado de la autoridad “super partes”,con  un perfil incluso a veces amenazante, con una personalidad que divide más que unir; sus votantes comprenden, a primera vista, tres estratos: uno popular, un grupo importante en las clases medias y un gran apoyo entre los grandes intereses económicos; a las clases más populares les gusta su modo directo de actuar y hablar, su firmeza, a las clases medias el reclamo a los principios de responsabilidad personal y a las élites económicas sus propuestas de reducción del Estado Social.        <br />
              <br />
       Especialmente desconcertados están los intelectuales: Alain Badiou (“Le Monde” 14.07.07) opina que Sarkozy simboliza la posibilidad para intelectuales y filósofos de ser reaccionarios sin complejos ni susurros. Roger Scruton (“La Repubblica delle Donne” 26.05.07) dice que tiene el coraje de decir lo que piensa y afrontar sin complejos el sentimentalismo totalitario de la izquierda europea. Jean Daniel (fundador de “Le Nouvel Observateur” y faro durante décadas de toda la izquierda europea) ha publicado en varios medios “Un viaje con el Presidente” (viaje a Argelia 11.07.07).        <br />
              <br />
       Afirmando reiteradamente su posición de votante y defensor del socialismo francés, J.D. va  encontrando en Sarkozy cosas de Napoleón, de De Gaulle, de Mendes France (“…no se pregunta continuamente si su estrategia persuasiva corre el riesgo de hacerlo aparecer como un bufón o un domador, si su simplicidad está hecha de demagogia y su popularidad de populismo. En realidad hay algo de Bonaparte en Nicolas Sarkozy, el cual, por otra parte, ha conseguido afirmarse en la dirección de una derecha absolutamente bonapartista”). No ve con preción J.D. hacia dónde va el nuevo presidente pero está seguro de que “…ha roto con el estilo, los métodos, el lenguaje, los gestos de sus predecesores en el momento de encarnar la imagen de Francia en el exterior” .        <br />
              <br />
       La impresión general viene muy bien recogida por Josef Joffe, editor de “Die Zeit” : “Who is Nicolas Sarkozy, Napoleón III or Mick Jagger?. “Sarko”, the rock star, strutus his staff with gold Caín and bared chest, hanging out with the high and mighty…”. Sarkozy es omnipresente y “omnipresidente”, ¿es acción o sólo agitación?, está corriendo sin para pero no sabemos bien hacia dónde, utiliza grandes conceptos  de liberalización, globalización y similares que, de momento y en sus primeros cien días, no ha aplicado para nada. Cita Joffe las recientes actuaciones de la fusión Gaz de France/Suez como ejemplo.  Es un “hyperpresidente” que tal vez sueña ¿con el mundo o con las televisiones de todo el mundo?.         <br />
              <br />
       <b>5. La Reputación e Imagen de la Política en Occidente.</b>        <br />
              <br />
       He elegido estas cuatro situaciones por ser muy conocidas y porque definen con claridad cuál es hoy la reputación y la  imagen  de la política en Occidente. En el primer caso la conclusión es “indudable”: el Presidente de los Estados Unidos de Norteamérica, G.W.Bush es un imbécil, con un cerebro prestado que se ha venido llamando K.Rove (han encontrado inmediatamente un sustituto, el nuevo Richelieu responsable de las dimisiones en el equipo Bush, se llama Ed Gillespie). Bush, que por cierto es el primer presidente USA con un título en Harvard, master incluido,  ha venido actuado, sobre todo para los medios europeos y los adeptos a Michael Moore (por cierto,presentado como un falsario y demagogo por Riuk Caine y Debbie Melnyk  como un actor llevando al escenario las estrategias decididas por Rove y su equipo y al servicio exclusivo de la industria del petróleo y del armamento.       <br />
              <br />
       El segundo caso no deja de ser llamativo y extraordinariamente cínico: Tony Blair, que ha sido considerado por los expertos como el indudable “Sultan of Spin”, es  decir, aquel  que,  con la inestimable ayuda de A.Campbell , consiguió ser el más reputado maestro en el manejo masivo de los medios utilizando técnicas basura, expone una justificación en la que culpa a los medios (“fieras salvajes” en inagotable búsqueda de carnaza, los llama nada menos) de la imposibilidad de desarrollar una actividad política eficaz, limpia y al servicio del bien colectivo.        <br />
              <br />
       El tercer caso manifiesta mejor que ningún otro el fin estético y tal vez ético de la democracia parlamentaria: aquellos líderes de repercusión mundial (Clinton, Schroeder, F.González, Aznar…como ejemplos) que establecen como objetivo de sus carreras profesionales y quien sabe si de sus vidas el salto hacia el dinero, hacia el poder y presencia en el mundo de la intermediación económica y las finanzas, como si sus años de representación y defensa de sus propias naciones hubiesen sido algo ocasional y pasajero en sus vidas,  como si no hubiesen podido o tenido el coraje de hacerse ricos y mundialmente famosos en sus anteriores representaciones y necesitasen “sobrevivir” al servicio de los más ricos de la tierra.        <br />
              <br />
       El cuarto caso, la personalidad de Nicolás Sarkozy, es probablemente el más llamativo ejemplo de lo que la política quiere ser, de la “postpolítica”, sin que sepamos aún si su actuación significará la cola final de una época que muere o el inicio llamativo de una época nueva.        <br />
              <br />
       Todas estas situaciones descritas, que han tenido lugar en el  presente año 2007, cuentan al menos con un importante elemento común. Reflejan desconcierto y mucho miedo. El desconcierto de la propia clase política, la consciencia de que están cada día más alejados de la realidad y  de sus votantes, la sensación de ser marionetas de un sistema que no controlan y que les induce a una rueda maldita de poder, dinero, impopularidad y desprecio social, el miedo a terminar expulsados de esa maldita rueda con riesgo de aislamiento,  ruina y hasta cárcel.        <br />
              <br />
       Estos desconciertos y miedos llevan  a la inanición y al sometimiento, fidelidad y obediencia, a los dirigentes del propio partido, aunque haya que renunciar para ello a sus más íntimas convicciones. Llevan a un miedo lejano, a que, el día que se  produzca una “sublevación” que “corte cabezas” (moral más que físicamente) las víctimas no serán como tradicionalmente los reyes, los obispos, los capitalistas… sino ellos, los actuales políticos en activo.        <br />
              <br />
       Son plenamente conscientes los políticos actuales en su mayoría que el actual sistema político de representación parlamentaria, creado hace más de 200 años en Inglaterra y Estados Unidos, con sus posteriores aportaciones de democracia social, está muerto o en vías de extinción y entierro, que los actuales partidos son unas máquinas de acción social que han perdido el sentido institucional, que se han olvidado del bien colectivo –objetivo para el que fueron creados- y se ocupan sólo y exclusivamente de sí mismos y su supervivencia, de ganar elecciones a corto plazo –importan las próximas- y a cualquier precio.        <br />
              <br />
       El propio sistema de democracia mediática y los mismos políticos están sometidos a un incontrolable complejo y síntoma de autodestrucción.  Todos saben muy bien  que es necesario cambiar de modo radical las normas de financiación de los partidos y  las leyes electorales que llevan al parlamento a funcionarios del partido más que a representantes del pueblo, que es necesario romper con una cultura política en la que prevalece el particularismo y  el éxito inmediato como fin en sí mismo.        <br />
              <br />
       Es el discurso casi diario de los Presidentes, Reyes y Primeros mandatarios de todos los países occidentales: el sistema democrático actual ha sido secuestrado por los partidos políticos, magos en falsificar la representación y la voluntad de los ciudadanos y en organizar un clientelismo, un sistema de financiación y un derecho electoral como instrumentos con los que gobierno y oposición falsean las reglas de la competencia y de la democracia más elemental .         <br />
              <br />
       Los políticos son conscientes de que se han convertido en una “casta” de intocables, que manejan sin justificación ni rendimiento de cuentas, sin responsabilidad personal ninguna, ingentes cantidades de dinero en una comparación insufrible para el ciudadano que paga impuestos y ajusta sus días con esfuerzo a la realidad profesional y vital .        <br />
              <br />
       Esta conciencia de fin de época, este desconcierto  y un cierto complejo de culpabilidad está presente en todos los grandes candidatos.        <br />
              <br />
       Como ejemplo el programa de Walter Veltroni, actual Alcalde de Roma,  previsible heredero de Prodi y lider del nuevo “Partido Democrático” (PD) que aglutina todo el centroizquierda italiano. Su programa recoge, entre otros principios, lo siguiente: (1) el nuevo partido establecerá una democracia interna obligatoria para toda la selección de líderes y candidatos a todos los niveles; (2) será un partido federal, una red de partidos territoriales federados que recogerán todas las diversidades y tendencias;  (3) se soportará en una nueva cultura política: “supera la idea de que aquello que importa es ganar elecciones…No, lo que importa es el buengobierno…no es el tacticismo sino “restituir la moralidad a la política…afirmar una visión antimaquiavélica de la política en sí misma, cuya finalidad no está en organizar la fuerzas necesarias para la consquista y conservación del poder… sino la búsqueda del bien común, del interés del país, a través de la creación de un consenso en torno a un programa…”         <br />
              <br />
       15 de septiembre de 2007       <br />
       
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/Desconcierto-y-autodestruccion-en-la-actual-clase-politica_a7.html" />
  </entry>
  <entry>
   <title>Patética, la última campaña</title>
   <updated>2007-06-05T11:05:00+02:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/Patetica-la-ultima-campana_a5.html</id>
   <category term="Bitácora" />
   <published>2007-06-05T11:04:00+02:00</published>
   <author><name>Jesús Timoteo</name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
La reciente campaña electoral –en cuanto a sus técnicas de comunicación y marketing se refiere- ha sido una campaña patética, capaz tal vez de agitar vehementemente el ánimo de los votantes pero con motivos y formas antigüas, tristes, decadentes, fuera de contexto, ilógicas y suicidas.     <div>
             <br />
       Al Sr. Sebastian, candidato a la Alcaldía de Madrid por el Psoe en las elecciones de Mayo del 2007, le han votado varios cientos de miles de personas.  La motivación  de ese voto parecen bastante evidente: no fue con toda seguridad el conocimiento de su curriculum político, inexistente hasta el momento y  es poco probable que fuese la fuerza de su programa o sus habilidades dialécticas según puede deducirse de un elemental seguimiento de sus actividades electorales. Entonces ¿por qué le voto tanta gente?. A cualquiera se le ocurre que lo que la gente en realidad voto fue al Partido Socialista (Psoe) o en contra del Partido Popular (Pp). Es decir, los votantes se movieron en torno a conceptos –aquello que la gente espera y desea de un partido político-, a banderas, a siglas, a imágenes, a marcas en definitiva.        <br />
              <br />
       La gente ha votado siglas, símbolos, conceptualizaciones, un “partido iglesia” (“church-parties”) o ha votado contra otro partido, otros símbolos, otras siglas similares. Los equipos de campaña ( la “máquina de guerra” de los partidos) son muy conscientes de ello: por eso fue una campaña  sobre “asuntos generales”, como primaria de las próximas “elecciones generales”, de macropolítica nacional mucho más que una campaña municipal o pegada a problemas, gestión y servicios próximos. Los responsables de las campañas han hecho por ello una “campaña de marca”, se movieron en promoción, afianzamiento, fidelización y defensa de  símbolos, siglas, líderes, igual que cualquier corporación en  circunstancias smilares.       <br />
              <br />
       Si admitimos esta premisa mayor, que en este caso concreto parece irrefutable, podemos desarrollar algunas curiosas consideraciones que convierten la reciente campaña electoral –en cuanto a sus técnicas de comunicación y marketing se refiere-  en una campaña patética, capaz tal vez de agitar vehementemente el ánimo de los votantes pero con motivos y formas  antigüas, tristes, decadentes, fuera de contexto, ilógicas y suicidas como veremos.        <br />
              <br />
       <b>Campañas corporativas de reputación y marca</b>       <br />
              <br />
       Las campañas “de marca” de las corporaciones reunen desde hace años algunas características comunes. Por ejemplo,  se dedican a presentar sus propias cualidades, a manifestar valores específicos y propios, a identificarse con símbolos y conceptos respetados, de prestigio personal y social, morales: “imposible is nothing” reza Adidas. Nunca hablan de las compañías de la competencia como ley elemental del marketing. La publicidad negativa e incluso la publicidad comparativa es poco frecuente y nunca se ha hecho de modo directo y ofensivo para los contrarios. Audi, a modo de ejemplo, jamás se refiere a la competencia ni a otros  coches  colíderes en el mercado.        <br />
              <br />
       ¿Por qué Coca Cola, siempre como ejemplo, no habla mal de Pepsi Cola?. Por varios e importantes motivos. El primero de ellos es el de “posicionamiento”, el espacio en que el nombre, los símbolos y la identidad se sitúan, el cómo la opinión percibe lo que hace, es decir, la reputación. Un nombre considerado y prestigioso lo es ante todo por cualidades morales del tipo de fiabilidad, honorabilidad, respeto y cumplimiento de los compromisos, dignidad en los comportamientos.  Es impensable que una marca consolidada se enfangue con basura de cualquier tipo, que entre en “peleas callejeras”, en disputas de vecindad, en algaradas chulescas (“…y  tu más!), en acusaciones, en debates sin sentido. Porque las marcas son en la actualidad el mayor valor contable de todas las grandes corporaciones y porque, colgados de ese afianzado prestigio y reputación,  es posible y fácil mantener en el mercado viejos productos y colocar nuevos productos. Se fian los compradores, funciona la red de distribución, son conocidos sus formatos de relación, servicio y cobro, ofrece garantías, una calidad al menos estándar y además es respetable, civica, educada y preocupada por la sociedad que la rodea y los consumidores a los que se ofrece.       <br />
              <br />
       Un segundo motivo es de inteligencia estratégica, la suficiente para conocer con precisión dónde se encuentran los enemigos de verdad. Continuando con el ejemplo,  Coca Cola no ataca a Pepsi Cola porque Pepsi Cola no es su enemigo real. En mercados afianzados y consolidados, la conquista de un uno por ciento contra el segundo competidor tiene esfuerzos y costes que no merecen la batalla. Porque la pérdida de territorios y cuotas de consumo no viene actualmente del competidor oficial sino de actores nuevos. Quienes hacen perder cuota de mercado a Coca Cola, a Pepsi Cola  y a refrescos similares no son otras colas sino alternativas reales y poderosas como la cerveza, el agua, la leche o el vino. Ahí se encuentran sus reales “enemigos”. Frente a ellos las dos marcas dominates deben ser y operar como “aliados” y defender sus valores intrínsecos que son comunes frente a los valores que los “enemigos” proclaman como propios: recuérdense las enormes campañas relacionadas con la leche, el vino o la cerveza por ejemplo.       <br />
              <br />
       Un tercer motivo está en la conquista y ocupación de nuevos nichos de mercado, que son natualmente mercado intermedios (“centristas”): leche mezclada con naranja, tinto de verano, aguas con específicas cualificaciones, refrescos “light”, sin azucar, sin cafeina, etc.  Estas ofertas penetran en una primera fase sobre la fiabilidad profesional y la reputación de la gran marca, se ganan el apoyo de los puntos de venta o de la distribución, ganan posiciones en ofertas y lineales, utilizando el prestigio garantizado de sus sistemas de todo tipo, de su logística, de sus facturaciones regularizadas, de los contactos y las relaciones personales y en una segunda fase, si consiguen superar la primera, pasan a ser presentados como “joyas” de marca, como integrantes de aquello que entre los usuarios y consumidores es lo más importante, lo que conviene por encima de todo preservar, el nombre y la marca.       <br />
              <br />
       Por todo ello un observador imparcial percibe y tiene la impresión de que las marcas son en la actualidad las mayores propagadoras de los valores morales: unas proclaman el valor del esfuerzo y el que “nada es imposible”, otras se identifican con lo ecológico que viene “más allá del petroleo”, otras con los espacios libres. Ninguna se dedica a excluir, ridiculizar, agredir a la competencia de su mismo sector industrial o de servicios       <br />
              <br />
       <b>Campaña  política “spin” y basura</b>       <br />
              <br />
       Saltemos ahora a lo más visible de la última capaña política, la municipal y regional de mayo de 2007 en España.  Es imposible que los políticos responsables de la misma y los expertos en marketing electoral que les han acompañado no conozcan los formatos profesionales a que nos hemos referido. Y sin embargo sus tácticas y procedimientos no han tenido nada que ver con lo descrito, con los modos de hacer de las grandes corporaciones. Se trata de otro mundo donde las retóricas dominantes parecen no estar interesadas en  la reputación de sus propias banderas y simbologías, sino más bien empeñadas en arrastrarlas por la indignidad, las exageraciones, las formas “spin” y basura de comunicación, preocupados en propagar y defender la “sutileza del atontamiento” (“subtility of illaqueation” según F. Bacon), mecanismos y trucos que neutralizan la desilusión del elector. Todo ello con la creación de un ambiente agresivo, excluyente y duro condicionado por la manufacturación del consenso a través de una política y de una comunicación  llena de trucos y modos sucios de hacer.       <br />
              <br />
       La mayoría de esos trucos son muy anticuados y se desarrollaron en el comunismo y en el nazifascismo de los años 20 y 30 del siglo pasado aunque reciban en la actualidad una enorme potenciación con el uso de las televisiones generalistas y masivas. Es lo viejo potenciado por un punto de venta en cada hogar, por las pantallas y su  predominante técnica, el espectáculo. Algunos ejemplos.       <br />
              <br />
       El más recurrente se denomina “indexing” y consiste en conseguir establecer el índice en los telediarios ( es la fase desarrollada del  “agenda setting”). El objetivo es colocarse el primero, “abrir el telediario” y a ese objetivo se somete todo, especialmente lo que sea útil para la descomposición y destrucción del contrincante, aunque se tenga para ello que rebuscar entre su más impertinente basura. Otro frecuente se llama “fencing” y consiste en encerrar el contrario, expulsarlo fuera del campo, crear un muro con pactos, silencio o medios de comunicación que deje al enemigo político fuera del recinto de debate en modo que la opinión pública no pueda conocer sus argumentos, someter al contrario a “fuego de cobertura” en modo que no consiga ni tan siquiera “asomar la cabeza” y decir lo que piensa.  Un tercer y  común truco es el de la “polarización” de la oferta y del mercado en amigo-enemigo, el “cogitare per inimicos”, buscar un culpable, un “malo” responsable de todo lo despreciable y negativo y proponer la solución en un “carismático lider”, en el bueno, el salvador, el que impondrá el orden a pesar de todo.        <br />
              <br />
       Esta táctica necesita más que ninguna otra del apoyo de los medios de comunicación para lograr la “canalización” de opinión, para crear circuitos y mercados separados de información y fidelización, trincheras, campos ideológicos. Otro truco muy simplón es el definido como “efecto bocadillo” y consiste en presentar a la opinión (siempre en los telediarios) varios “defensores” contra un solo “atacante”; por ejemplo, el presidente o un ministro presentan una versión, el lider de la oposición la versión contraria, el portavoz parlamentario del gobierno propone la versión primera y un lider de un partido menor aliado del gobierno la misma; la conclusión es que están todos de acuerdo menos un tipo aislado y solitario que se opone       <br />
              <br />
       <b>Campañas políticas suicidas</b>       <br />
              <br />
       Esos trucos, útiles sólo a muy corto plazo, tienen además un poderoso componente suicida, conducen hacia la destrucción misma de los políticos que los practican y, lo que es más letal, del actual sistema de democracia parlamentaria, llevan a un salto en el vacio hacia el totalitarismo y hacia la descomposicón social y la implantación de sistemas contrarios y dinamitadores de la actual democracia parlamentaria. Intentaré exponerlo brevemente con mayor claridad.       <br />
              <br />
       Los modos “spin” y basura utilizados en el marketing político en esta última campaña desarrollan en la gente y entre los votantes  la capacidad de convivir con contradiciones esenciales, obligan a convivir con  un conflicto íntimo entre la oferta pura de la mercadotecnia para los propios valores (“paz”, “solidaridad”, “patria”…), la radical demonización de los contrarios (“corrupción”, “mentira”…), y la realidad de los comportamientos de la propia facción que frecuentemente las contradice, porque todos los políticos “mienten”, en todos los partidos hay “corrupción”, etc. Técnicamente se denomina ese estado de ánimo como “disonancia cognitiva” . Esa disonancia sólo puede soportarse –un individuo normal solo puede “tragar varios sapos” al día- con una identificación absoluta con la causa (la “fe del carbonero”), con el dejarse arrastrar de modo inevitable hacia la ideologización radical, hacia la simpatía por una propias posiciones de facción, de partida, la impermeabilidad a las objeciones, la anulación de la capacidad de reacción, la aceptación sin respuesta crítica de todo lo que la propia facción propone, la pendiente acelarada hacia el  totalitarismo en definitiva. La anulación de la capacidad crítica es la antesala del totalitarismo.        <br />
              <br />
       Y en la vertiente contraria, cuando uno no es capaz de entrar en el engranaje ni aceptar la comunión con “ruedas de molino”, se huye del absurdo por una pendiente acelerada hacia el más absoluto desprecio por todo lo que tiene que ver con la política y los políticos, hacia el abstencionismo, hacia la búsqueda de soluciones personales o colectivas fuera del sistema, hacia el desarrollo de alternativas paralelas, antisistema tanto en el sentido de la izquierda radical (“no-global”) como en el sentido de entrar en grupos que operan al margen de lo legal y oficial, mafias organizadas, grupos radicales, sistemas clandestinos fuera de la ley, exterminadores todos de la democracia vigente.       <br />
              <br />
       Es decir, el “enemigo” primero de los partidos que compiten en unas elecciones no son los otros  partidos concurrentes sino ellos mismos con el totalitarismo, el abstencionismo y los clanes organizados y mafias parapolíticas que con la comunicación basura están potenciado. Sobre todo cuando, en consonancia con tal radicalización y canalización, grupos de ese tipo se instalan dentro de los propios partidos o se organizan como grupúsculos que  operan de  imprescindibles en el juego parlamentario y en los acuerdos para el mantenimiento del poder y del gobierno.       <br />
              <br />
       <b>Campañas políticas envenenadas</b>       <br />
              <br />
       Los políticos ya han logrado como gremio y sector profesional la peor de las imágenes públicas posibles: están considerados en todo occidente como el grupo profesional más desprestigiado y es muy dificil encontrar  jovenes preparados e inteligentes que tengan como horizonte personal la vida política y las organizaciones políticas. Los partidos, sin embargo, han conseguido mantener como organización y a pesar de todo un cierto élan y prestigio de marca derivado de su pasado, capaz aún de mantener un porcentaje fijo de votantes. En esas circunstancia ¿cómo es posible que políticos y partidos no cuiden por encima de todo  su propia supervivencia y se dediquen por el contrario a desarrollar en su mercadotecnia electoral una estrategia de “tierra quemada”, de victoria inmediata a cualquier coste, “como sea”?. Es muy probable que en lo que tiene que ver con la reputación de un  partido político, la opinión pública y el mercado de votantes no se muevan en las alternativas con que aburren los actuales políticos profesionales. Es muy probable que a muy poca gente interesen, por ejemplo, campañas basadas en  la dicotomía entre conservadores y progresistas, liberalismo y socialismo, comunismo y fascismo, monarquía o república.        <br />
              <br />
       Es muy probable que buena parte de los ciudadanos se sientan socialista-liberal-conservadores según el momento del día y la actividad concreta que estén realizando. Es muy probable que, por propio espíritu de supervivencia, los partidos y sus equipos de campaña debieran atender y cuidar otras  dicotomías más de hoy y de futuro como  democracia y postdemocracia, partidos y democracia directa, sistema democrático parlamentario y grupos radicales y  mafiosos que buscan descarada y directamente su destrucción, oligopolios y grupos de presión que la falsean y eliminan, manipulación “spin” o basura y derechos individuales a la información objetiva, función social de los medios de masas y de los medios individuales o postmedia. Si ahora tuviese lugar una revolución como las del siglo XIX, los supuestos revolucionarios no buscarían para la guillotina a los reyes, ni a los nobles,  ni a los obispos, ni a los capitalistas, ni a los generales, sino  a los políticos en activo de todos los signos políticos. Los terroristas asesinan y manifiestan el mismo núlo respeto por políticos conservadores y socialistas: sólo mantienen al margen a aquellos que les ayudan a destruir el sistema, nacionalistas, nacionalsocialistas o radicales de extrema izquierda en el caso de España.           <br />
              <br />
       Por eso, las “máquinas de manipular” de los partidos, las “máquinas de guerra” de las campañas debieran cuidar su marca en el medio plazo, el territorio común donde ellos y su copetencia se desarrollan y viven, debieran preocuparse por lo que hay más allá  de las próximas  elecciones al igual, por ejemplo, que las corporanciones energéticas se están ocupando del “beyond petroleum”, debieran tener la capacidad de “pensar en grande”, por ejemplo en la reputación y en el prestigio dentro de un mundo globalizado del país a quien representan, de la reputación de la sociedad –en nuestro caso España- de quien tienen la obligación de cuidar y a la que deben estar supeditados, de la recuperación del prestigio de la propia clase política, del prestigio y modernización de sus propios partidos y los valores simbólicos que significan. Debieran en definitiva dejar el pasado, las frases del pasado, las banderas del pasado, los trucos del pasado  y dedicarse a organizar el futuro porque en un mundo global de incertidumbres lo único cierto es la voluntad, es querer y decidir y  es  obligación de la política marcar el camino del futuro.        <br />
              <br />
       Creo que cada día hay mas gente convencida de que pagamos a nuestra clase política dirigente no para hacer política sino para salir en la televisión y desarrollar trucos sucios en ella. Se presentan nuestros políticos muy seguros de si mismos, satisfechos de su propio éxito, pero intrínsecamente provisionales, capaces de hacer todo por complacer al “populacho”, convencidos de que los españoles somos una sociedad con inteligencia y cultura de primero de bachiller y que basta por ello con  recurrir en el momento preciso, que es siempre el de las urnas, a viejos chistes y frases  simplonas y baratas, del tipo de fascistas, libertad, progresismo y similares para volver a conquistar sin esfuerzo el poder y los presupuestos.        <br />
              <br />
       O peor aún, se generaliza la sospecha de que los actuales políticos han perdido el tren, el espíritu de los tiempos y que, en la duda entre añorar las cosas perdidas y esperar que vuelvan,  no son capaces de otra cosa que de organizar las elecciones de siempre, los mítines de siempre, las manifestaciones de siempre, los espectáculos de siempre, las disputas de siempre, los círculos viciosos de siempre en un síndrome incurable, el del gato que se muerde la cola.
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/Patetica-la-ultima-campana_a5.html" />
  </entry>
  <entry>
   <title>Periodismos sin alma, sociedad sin futuro</title>
   <updated>2007-03-04T15:37:00+01:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/Periodismos-sin-alma-sociedad-sin-futuro_a4.html</id>
   <category term="Bitácora" />
   <published>2007-03-04T15:35:00+01:00</published>
   <author><name>Jesús Timoteo</name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
     <div>
             <br />
       La década de los 1990 ha  consolidado  la Sociedad Mediática o de la Información y todos  los viejos diarios,  radios y  televisiones han convergido en un poderoso sector económico en el cual, mezclados con las telecomunicaciones y la informática, se configuran grandes grupos industriales. Hasta conocieron a caballo del año 2000 su primera y rápida crisis cíclica, la recordada como la de los “punto com”.       <br />
              <br />
       En ese exuberante crecimiento, sin embargo, los medios han perdido su alma. Digamos que, aún manteniéndose hoy en forma de diarios, cadenas magazinizadas de radio o televisiones generalistas luchando con desespero contra la llegada de lo digital, son en realidad espíritus sin alma, ensimismados en su propia entropía, dinosaurios incapaces de generar toda la hierba que necesitan para sobrevivir.        <br />
              <br />
       La razón está en que fueron concebidos y vivieron en una época y para un mercado de masas. Y esa era y mercado, simplemente, han muerto. Y con ella han sucumbido también las viejas tradiciones y valores de la prensa libre, la responsabilidad social de los medios, el ser “perros guardianes” de la vida pública y de la democracia parlamentaria, defensores de los intereses  de sus seguidores frente a los poderosos, organizando cuando era necesario duras campañas de acusación y desprestigio en contra de la administración, de los empresarios, los sindicatos o quien fuese,  responsables de tener informados a sus lectores de modo feaciente, etc.        <br />
              <br />
       No es fácil encontrar hoy lugares que permitan trabajar a profesionales con el ánimo y el perfil del “reportero” Jack Lemmon o de su “director” Walter Matthau en “Primera Página” de Wilder.        <br />
              <br />
       <b>Manifestaciones de una defunción</b>       <br />
              <br />
       Las manifestaciones de esa defunción son varias. La más evidente tiene que ver con la comunicación basura. Los medios y en especial las televisiones se han dedicado a llevar a la sociedad hacia el funanbulismo y lo más nauseabundo del espectáculo, la degradación del ser humano capaz de desnudar su intimidad por unos minutos de estrellato en la pantalla.        <br />
              <br />
       Desde un punto de vista profesional, sin embargo, son mucho más tristes las transformaciones de los medios de calidad y de opinión, quienes, impregnados también del mismo espíritu fin de época, han derivado hacia la magazinización y la tabloidización haciendo de algo tan sacralizado por la tradición periodística como las noticias o el editorial un espectáculo, la escenificación del ditirambo, la charlatanería, la agresividad y el hablar por hablar.        <br />
              <br />
       Los norteamericanos hablan de “media bias”  para indicar la tendenciosidad y los prejuicios  con los que muchos medios de los llamados de calidad actuan.  E. Alterman (“What liberal media?. The truth about bias an the news”. 2003) culpa a la derecha neoliberal y a los neocom de la distorsión de la realidad y del ajuste de la misma a estrategias decididas de acción sobre la economía y la política mundial.        <br />
              <br />
       Ann Coulter (“Slander: Liberal lies about the American Right”.2003) culpa a la izquierda de lo mismo o, mas exacto, de la reconocida y casi popular creencia de que nadie mejor que un extroskista o exmaoista para desarrollar estrategias de intervención pública desde cualquier vertiente política.        <br />
              <br />
       En realidad se trata de nuevo de los medios y de su función en la vida pública y política.   Hace más de diez años que se estableció el principio de que lo importante era desarrollar una rapidísima agenda donde la cosmética es más importante que la realidad y donde “abrir los telediarios” se convierte en objetivo predominante, siguiendo en consecuencia mucho más los intereses e ideas de los agentes sociales (políticos, económicos o mediáticos) que las necesidades de la gente.        <br />
              <br />
       <b>Periodismo de convalidación</b>       <br />
              <br />
       Una tercera actitud de los medios, similar a la anterior pero aún más grave y dolorosa es lo que conocemos como “periodismo de convalidación”.  En 2002, Le Monde fue acusado con pruebas contundentes en un conocidísimo libro escrito por dos exredactores  de buscar sobre todo los intereses económicos del propio diario, el afianzamiento ideológico de su sector de opinión, la gratificación de sus lectores, aunque para ello no dudase en engañar y en ocultar la verdad.        <br />
              <br />
       A lo largo de los últimos años se han vivido situaciones similares de mentira y engaño en diarios del calibre del New York Times y del Washintong Post. Es notoria la tendenciosidad de El País, quien el día 17 de septiembre de 2004 pedía perdón a sus lectores por una campaña de su edición electrónica en que utilizó la tragedia del 11 de septiembre como material promocional. La revista Times de la semana del 21 de septiembre del 2004 recoge el escándalo de la cadena CBS que basó una exclusiva contra el Presidente Bush en documentación falsa o no suficientemente probada, todo ello nada menos que en sus informativos estrella capitaneados por Dan Rather.        <br />
              <br />
       Aún peor, la misma cadena negoció con el equipo de campaña de J.Kerry acuerdos de apoyo decidido a los demócratas. El que fuese director de Le Monde durante diez años, E. Plenel,  acaba de publicar un libro demoledor y lleno de pesimismo para la vieja prensa de élite ( Procès, 2005).  Asegura que su querido Le Monde ha muerto para convertirse, después de la entrada en su accionariado de Hachette y de El País, en un “periodismo de convalidación”, un periodismo de comentario, que no busca  ni la información ni los hechos sino ofrece paquetes cerrados y estables de ideas previsibles, “vende” mercancía ideologizada y sometida a intereses comerciales y políticos.        <br />
              <br />
       El análisis que hace del prestigioso diario francés se puede extender a muchos de los grandes diarios de calidad del mundo occidental y explica, por encima de cualquier otro motivo, la continuada pérdida de lectores e influencia de todos los grandes.       <br />
              <br />
       Todo ello manifiesta una dura realidad y es el alejamiento de los medios respecto al mercado, la falta de sintonía entre los intereses de los invidividuos y los intereses de los medios que sólo es superado por el paralelo alejamiento de la realidad que viven los políticos.        <br />
              <br />
       <b>La libertad individual no es gratuita</b>       <br />
              <br />
       Escribió A. Minc  (La Borrachera Democrática, 1995 ) que este siglo XXI será el siglo de Tocqueville como el pasado lo fue de Marx. Y es que Tocqueville intuyó muy bien cómo la libertad individual no es gratuita. La libertad conlleva importantes exigencias en responsabilidad  individual al igual que la soberanía participada implica conflictos, confrontación de intereses y opiniones y el establecimiento de reglas de juego.        <br />
              <br />
       Tuvo claro que era condición humana el que libertad no era sinónimo de bondad y mucho menos de bondad colectiva y que la opinión pública podía ser orientada y organizada a favor de intereses inconfesables y contrarios al bien social.        <br />
              <br />
       Sus seguidores, Lippmann sobre todo en su “Public Opinión” y a principios del siglo XX cuando el sufragismo llevaba en directo hacia el voto universal, insistieron en la incapacidad del hombre masa para entender y pensar el bien colectivo, para ver más allá de su propia nariz y de sus cutres intereses y, peor aún, para dejarse arrastrar hacia el efectismo y la farándula y considerar como asuntos públicos dominantes fenómenos de feria.        <br />
              <br />
       Para que los individuos puedan ser libres necesitan tener a su alcance y disponer de información y comunicaciones objetivas, no engañosas, no dominadas por intereses de los agentes que operan en el campo del poder diluido. Estamos por tanto ante una nueva frontera de libertad.        <br />
              <br />
       Estamos ante un sistema informativo y de comunicación sometido a tantas tensiones, empujado por agentes políticos y de consumo, por medios, por tecnologías de enorme capacidad de sugestión,  que lo hacen no sólo confuso sino inviable para sus fines sociales. Necesita por tanto ser equilibrado y regulado.        <br />
              <br />
       Es imprescindible alcanzar una nueva frontera de libertad, establecer una regulación totalmente nueva del sistema social de información, como se ha hecho con el sanitario, el educativo, o el financiero a lo largo del siglo XX. El problema no está en resolver la deuda de las televisiones públicas sino que va mucho más allá. Es necesario crear una horma nueva, porque totalmente nuevas son los medios y las estructuras y las tecnologías de la información y comunicación social, radicalmente distintas de las de hace apenas veinte años.       <br />
              <br />
       ¿Quién está obligado a responder a ese reto?¿Qué instituciones tienen que facilitar la libertad individual de información, evitar los abusos y el engaño estructural, determinar un sistema informativo responsable  y garante del bien colectivo?. La sociedad civil lo terminará haciendo por necesidad, pero de momento sólo contamos con el Estado.        <br />
              <br />
       <b>Garantías no politizadas</b>       <br />
              <br />
       Aunque la idea no concuerde con el pensamiento dominante  NECESITAMOS MÁS ESTADO como defensa última de los débiles contra los fuertes (recuerdo que esta expresión es de Aristóteles), necesitamos ORGANISMOS DE GARANTÍA NO POLITIZADOS, civiles e independientes,  de control de la información, todo lo contrario de los comités de comisarios creados en los Parlamentos por los grupos políticos que sirven sólo para vigilar a los periodistas.        <br />
              <br />
       Es una continuación de las arengas de Milton al Parlamento inglés en el XVII y de Wilkes en el XVIII. Hemos conseguido y tenemos afianzadas viejas y añoradas libertades, la de reunión, la de imprenta, la de expresión, la de opinión, la de distribución, la de comercio, la de empresa.        <br />
              <br />
       Necesitamos conquistar ahora la libertad individual y colectiva  de información, el derecho a estar informados a la hora de tomar decisiones sobre nuestra opción política y nuestro voto tanto como sobre nuestra opción de consumo y nuestros gastos. No pueden existir sociedades de futuro sin individuos informados con objetividad y limpieza.         <br />
              <br />
       No puede existir  futuro mientras exista o pueda existir el engaño organizado y la comunicación basura no esté controlada como nuestros antepasados controlaron el libelo y exigieron el derecho al honor.        <br />
              <br />
       No podemos aspirar a un mundo que mire hacia delante, hacia la justicia y la belleza mientras impongan su pauta y ocupen el espacio social la zafiedad, la basura, el populismo, los epígonos demagógicos del comunismo y del nacionalsocialismo y los afectados por el síndrome de las pantallas, del espectáculo, del mínimo común denominador, de las “palabras simbolo” (“Word-cluster”, “Mot-mensogne”) o de los efectos de feria, “animales de tres patas” en expresión de Lippmann.       <br />
       
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/Periodismos-sin-alma-sociedad-sin-futuro_a4.html" />
  </entry>
  <entry>
   <title>La “mentalidad potaje”: lastre vomitable de la sociedad mediática</title>
   <updated>2007-01-12T19:17:00+01:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/La-mentalidad-potaje-lastre-vomitable-de-la-sociedad-mediatica_a3.html</id>
   <category term="Catatonía" />
   <published>2007-01-12T19:13:00+01:00</published>
   <author><name>Jesús Timoteo</name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
PREMISA: La realidad se interpreta a diario desde varias perspectivas. Predominantemente se hace desde modelos y referencias de orden económico y político. Con frecuencia desde enfoques ideológicos o sociales y demográficos. Pero ¿qué sucedería si los interpretadores no buscansen entender la realidad sino orientar la opinión, crear banderías, ocupar espacio público imponiendo ideas, hábitos de vida, modelos políticos o de consumo? . Sucede que la realidad se “manipula” en el sentido literal del término en cuanto su interpretación se somete a objetivos y no se pretende entender sino orientar. Por eso, lo que en este blog intentamos es analizar los trucos –ellos lo llaman estrategias- que los analistas –los llamamos prescriptores- utilizan para hacer ver una realidad que la gente percibe como no propia, como algo no real, la realidad presentada por los medios, los tertulianos y los periodistas.     <div>
             <br />
       La Sociedad Mediática y de Poder Diluido, popularizada como “Sociedad de la Información” (desde Bell a Castell ) y  referencialmente dominante en occidente entre 1979 y 2005,   ha resultado ser  el principio de un mundo nuevo pero cargado en exceso del  lastre del viejo, operando de hecho como el epígono de la Sociedad y Mercado de Masas.  Se ha desarrollado sobre factores pensados y elaborados para grandes programas generalistas y para mercados masivos con manifestaciones de decadencia que han alcanzado límites vomitables.         <br />
              <br />
       En su rápida evolución la Sociedad Mediática no está resultando tan luminosa como la tecnología apunta –sin negar las excelsas novedades y realidades técnicas y mecánicas que ya han cambiado el mundo- sino que terminan por brillar y sobresalir manifestaciones de decadencia en elementos muy esenciales,  niveles preocupantes de degradación de las características y valores entendidos como propios de occidente y que fueron ennoblecidos incluso por la propia sociedad y medios de masas durante los ciento cincuenta años anteriores.        <br />
              <br />
       La Sociedad Mediática ha alcanzado notables éxitos. Ha logrado crear  un muy poderoso sector de negocio de la InfCom o de los Media convergido y nuevo de en torno al 3% del PIB de los principales países. Ha integrado en torno a las pantallas (televisión, computador y movil)  industrias culturales clásicas (libros, discos, cine) con industrias nuevas (digital, videojuegos), medios convencionales de información y entretenimiento (prensa, radio, televisión, cine) con medios nuevos ( internet, digitales, electrónico). Ha conseguido aunar en una productiva fórmula el ocio y el consumo masivo con la gestión empresarial y con las noticias convencionales. Ha establecido formatos totalmente nuevos en tiempo, espacio y movilidad (“on time”, “on line” “on mobile”).         <br />
              <br />
       Pero todo ello lo ha hecho en torno a soportes pensados prioritariamente  para grandes masas y mercados, en torno a la pantalla de las televisiones generalistas y  lo ha hecho sobre todo en una evolución  de contenidos a la baja, a la búsqueda desesperada de mercados y audiencias, de la “cultura basura” televisiva, de la magazinización o tabloidización de las informaciones en radio y prensa,  del cine “bluckbuster”, de los libros “bestsellers” o  del periodismo de “convalidación” en los antes reputados diarios de élite, etc..       <br />
              <br />
       <b>Contradicciones lógicas</b>       <br />
              <br />
       En su misma evolución y crecimiento esta sociedad nueva lleva implícitas contradiciones lógicas como, por ejemplo, la existente entre las muy ampliadas capacidades de  descubrimiento, seguimiento y  control de la información a todos los niveles (personales, empresariales, de sistema) con el derecho casi  imposible a la privacidad, el cambio de todos los sistemas clásicos de creación y distribución de la información con un posible fin del periodismo y  de la publicidad  convencionales en la medida en que cualquiera está en condiciones de captar y emitir información política, comercial o noticias casi sin límites.        <br />
              <br />
       Pero estas contradiciones propias del desarrollo no justifican como imprescindible la pujanza y exhaustividad del espectáculo, el dominio social y político de la superficialidad (de mínimo común denominador), el movimiento de las audiencias, votantes y consumidores  en torno a golpes de luz y sonido de unos medios “para sordos”  que  rompen todos los valores convencionales de la intelección.        <br />
              <br />
       Se han conseguido cotas inimaginables de decadencia intelectual: los grandes conceptos (paz, progreso, verdad, solidaridad…)  convertidos en  “word-cluster”, “mot-mensogne”, “palabras-cajón” que carecen de identidad objetiva y se interpretan por cada oyente según sus necesidades y gustos;  la calidad dada no por el valor intrìnseco de los bienes, ideas o productos sino por la rapidez con que se accede a ellos y por las mayorías que los identifican como tales, la calidad y la verdad son calidad y verdades “google”, definidas por el volumen de seguidores  y  sometidas a la encuesta y a la “espiral del silencio” social. Todo consiste en “abrir los telediarios” a cualquier coste, en empujar las fonteras del sentido común, en pantallas y espectáculo.        <br />
              <br />
       <b>Causas múltiples</b>       <br />
              <br />
       Las causas de esta rapidísima degradación son como siempre múltiples. Una es la aceleración, la rapidez con que los cambios se han producido y en la que la pauta ha venido establecido por los vendedores de herramientas e instrumentos tecnológicos y por estrategias de ocupación de mercado, es decir, por un agresivo e inteligente marketing de producto y sistemas. Otra es la obligada rentabilidad económica, las exigencias a corto de beneficios y de unas cuentas de resultados generosas a las que ha sido necesario someter cualquier estrategia: ¿quién se atreve a pensar en el largo plazo y en el bien común cuando la  “vida” (la carrera) pende de accionistas exigentes, de la bolsa, de resultados semestrales?.        <br />
              <br />
       Otra puede ser la incrementada demanda social de innovación y la generalización del ocio electrónico y virtual. Todas esas y otras probables exigencias han sido atendidas –y aquí está en mi opinión la clave de la cuestión- con una mentalidad no preparada, con unas estructuras de respuesta y estrategias acomodadas a conceptos de un mundo de masas. No era fácil saltarse el círculo.       <br />
              <br />
       Porque no son culpables últimos ni estrategas ni técnicos, ni el marketing, ni la publicidad, ni la comunicación. La razón última de la situación de nuestro mundo occidental está  en la inadecuación de las mentalidades, en la lentitud evolutiva de las inteligencias y de las conciencias en relación con la rápida evolución de la tecnología, del consumo y de las fórmulas de gestión.       <br />
              <br />
       <b>Una sociedad moribunda</b>       <br />
              <br />
       El marketing o mercadotecnica nace como herramienta de venta a finales del siglo XIX con los mercados urbanos y la masificación de las grandes ciudades, cuando era necesario abastecer de productos básicos (luz, calor, alimentos) a inmensas multitudes que no paraban de crecer. El marketing es impensable fuera de esa sociedad de masas y es por ello una herramienta de un mercado de masas.  La publicidad responde al mismo parámetro y se desarrolla convencionalmente ligada a grandes concentraciones de gente, a los puntos de paso y encuentro de las multitudes, a la sociedad de masas. Lo mismo sucede con la propaganda y comunicación política que evoluciona de la mano del sufragio universal. Lo mismo con la comunicación corporativa, nacida y crecida en la misma mentalidad y entorno.        <br />
              <br />
       Así es como todo en comunicción, estrategias, medios, herramientas, mercado, toda la comunicación convencional y dominante estaba y aún está pensada y definida para una sociedad hoy moribunda, la sociedad de masas. Todas esas percepciones e instrumentos se han quedado, en consecuencia y por esencia, inútiles, obsoletos, anticuados. Todas han atravesado los mismos rápidos caminos y han llegado al mismo estado catatónico y moribundo, incluyendo en él la estrategia, la definición, la imaginación de futuros y líneas de desarrollo. La sociedad característica del siglo XX está muriendo y se lleva con ella los modos de hacer que le fueron propios.        <br />
              <br />
       <b>Agotamiento colectivo</b>       <br />
              <br />
       Parece normal en esa situación de catatonía que nuestras sociedades se encuentren al borde del agotamiento colectivo. Pero la clave y el gozne del asunto está en la inadecuación mental de las últimas generaciones de masas. La caida del muro  de Berlín (1989), arrastrando entre sus bloques de cemento los grandes mitos sociales de la era de la razón, pilló a contrapié a demasiada gente. Rompió de modo imprevisto el acomodo neuronal de un par de generaciones y dio lugar, como subproducto intelectual, a una MENTALIDAD Y CONCIENCIA POTAJE.         <br />
              <br />
       Ese POTAJE mezcla una fresca y reciente memoria histórica confusa, formada de militancia cristiana o fascista o comunista o golpista –a veces todo incluido- y da lugar –especialmente en España- a un subproducto entre “neocom” (de conservador ¡!) y “progre” (de “progreso” ¡!) con el desorden mental como premisa, como si la prioridad estuviese en redimir los propios fantasmas, es decir, enterrar muy profundamente al reciente padre franquista. Con ese entierro y la consecuente búsqueda de una autojustificación, ser troskista o maoista como ser cristiano progresista ha servido de  plataforma para cualquier acomodo.        <br />
              <br />
       No hay problema en ser cristiano y comunista, comunista y nacionalista, de un “partido iglesia”  y laico militante, radical y socialista, nacionalista y socialista (¡¡ que reminiscencias!!). Un ciudadano que es al mismo tiempo laico, militante, radical, socialista, progresista, conservador… (como el partido “La rosa nel pugno” de M.Panella en las últimas elecciones italianas). Unos cerebros aferrados aún a las mitologias dominantes del siglo de las masas que en el magma de esa MENTALIDAD POTAJE se han convertido en “profesionales”.        <br />
              <br />
       Ser profesional es dominar las últimas técnicas de establecimiento y control ideológico, saber jugar hoy en modo nuevo (pura mercadotecnia) con los mitos de siempre, entrar en el juego de los sondeos, los medios, el marketing de expectativas, los “issues”,  el fin de la historia, el nacimiento de otra nación, el conflicto o la alianza de civilizaciones,  el “minimo común denominador”,  los “spin doctors”, el “pensamiento alicia” y, sobre todo,  la decadencia  moral.        <br />
              <br />
       <b>Subproductos del 68</b>       <br />
              <br />
       Nos movemos entre mentalidades que son subproductos del  68,  incapaces hoy de separar las estrategias de comunicación de la actividad pública y política de peor especie, de la que  “aburre y  disgusta, (la que) ha terminado por ser un oficio, (la que) coincide perfectamente  con los negocios, (la de) las manos a la pasta, al dinero, (la que)  cuando no apañan dinero para ellos mismos, … hacen de mediadores y procuradores de negocios para otros” (P.Bellocchio, La Reppublica, 14.08.05)        <br />
              <br />
       Esta MENTALIDAD POTAJE se manifiesta de modo particular en los medios impresos otrora referente cualificado del pensamiento y lo valores sociales. Los medios privados tienen la obligación de vender ejemplares (o programas televisivos) así como espacios publicitarios. Están obligados a mantener e incrementar seguidores y audiencia. Para ello han oficializado el entretenimiento, la magazinización o tabloidización de la información y, aún peor, el desarrollo del “periodismo de convalidación”, especializado en generar cortinas de humo, en no atacar nunca a los poderes fuertes y derivar hacia “la basura” las primeras páginas y el diseño de la agenda.        <br />
              <br />
       Así ha sucedido que la vieja objetividad (la “accuracy”, precisión, de Pulitzer) ha simplemente desaparecido a favor de la tendenciosidad y los prejuicios (“media bias” lo definen en Usa). Ann Coulter sostiene que la distorsión es cosa de la izquierda: “Slander: Liberal lies about the American Right”, New York 2003. Eric Alterman acusa sin embargo a la derecha: “What liberal media? The truth about bias and the news” New York 2003.        <br />
              <br />
        “Slanting” es para los norteamericanos el modo de construir una historia tendenciosa, el proceso de selección de detalles que favorecen o desfavorecen la línea argumental prefijada. Prejuicios, tendenciosidad, manipulación, construcción de una historia o noticia con objetivos ideológicos, económicos o políticos. Y todos haciendo lo mismo, causando una constante distorsión de la realidad y elaborando la pota de comida basura que es la política y  la realidad  en nuestros días (“Political Polarization and the Electoral Ëffects of Media Bias”, Cefiso WP, agosto 2006). 
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/La-mentalidad-potaje-lastre-vomitable-de-la-sociedad-mediatica_a3.html" />
  </entry>
  <entry>
   <title>“Todo son mentiras”,  resulta</title>
   <updated>2006-09-28T14:23:00+02:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/Todo-son-mentiras--resulta_a2.html</id>
   <category term="Bitácora" />
   <published>2006-09-27T20:57:00+02:00</published>
   <author><name>Jesús Timoteo</name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
La realidad se interpreta a diario desde varias perspectivas. Predominantemente se hace desde modelos y referencias de orden económico y político. Con frecuencia desde enfoques ideológicos o sociales y demográficos. Pero ¿qué sucedería si los interpretadores no buscansen entender la realidad sino orientar la opinión, crear banderías, ocupar espacio público imponiendo ideas, hábitos de vida, modelos políticos o de consumo? . Sucede que la realidad se “manipula” en el sentido literal del término en cuanto su interpretación se somete a objetivos y no se pretende entender sino orientar. Por eso, lo que en este blog intentamos es analizar los trucos –ellos lo llaman estrategias- que los analistas –los llamamos prescriptores- utilizan para hacer ver una realidad que la gente percibe como no propia, como algo no real, la realidad presentada por los medios, los tertulianos y los periodistas.     <div>
             <br />
       Es doctrina común que la actual sociedad tiende a una enorme segmentación tanto en el mercado de votos como en el de consumo. Por eso hace ya más de diez años que se ha desarrollado el “marketing 121”(“one to one”) individualizado, a gusto de cada usuario.        <br />
              <br />
       Al ser técnicamente muy dificil esta mercadotecnia cuando se intenta aplicar en grandes multitudes y masas, los estrategas de la venta y el voto han evolucionado hacia ofertas de “mcm” (“mínimo común denominador”), es decir, a utilizar aquellos pocos y elementales factores que pueden unificar el mayor número posible de tales segmentos.        <br />
              <br />
       De modo natural dicha unificación se hace a la baja, buscando unificar a las gentes en lo visceral, en los instintos primarios, en el “cerebro de la serpiente” que existe al parecer biológicamente en cada uno de nosotros, por debajo incluso del sensacionalismo y de los sentimientos.        <br />
              <br />
       Es el principio uno de las técnicas “spin” en comunicación política, por ejemplo, que operan por ello fundamentalmente con imágenes (pantallas) y sobre elementos primarios como los golpes de luz y sonido, la velocidad de imágenes, una “televisión para sordos” así definida por Karl Rove en la última campaña Bush, y sobre slogans, titulares, repeticiones elementales y simplistas (de la jerga del futbol, del tipo “nación”, “país”, p.e.) o de palabras símbolo (“word cluster”, “mot mensogne”) del tipo de “paz”, “progreso”, “seguridad” “vanguardia” o similares.        <br />
              <br />
       Como el campo, la arena, en que tales técnicas se aplican son fundamentalmente los medios, es lógico que sea también doctrina común el cómo las decisiones de voto (y compra) no se tomen hoy de modo fundamental atendiendo a las razones convencionales, a los viejos antagonismos que estructuraron las representaciones políticas y sociales como izquierda/derecha, capital/trabajo,  ideología, clase social,  etc.,  sino atendiendo a criterios fijados por la televisión muy ligados a tales instintos viscerales y a palabras símbolo, vacias en significado pero aplicables por cada receptor según su propia simbología (P.Beaud).        <br />
              <br />
       Así interpretaba M.Friedman las últimas elecciones USA: el resultado electoral no hubiese variado si la gente hubiese votado sobre preferencias entre la cadena Fox y la cadena CBS o el N.Y Times en lugar de votar por Bush o Kerry. Así interpretaba Hobsbawn la última y “sorprendente” victoria electoral de T. Blair: no tiene que ver con los sindicalistas sino con los seguidores del Guardian o del Times o de las cadenas de televisión.       <br />
              <br />
       Por eso no es fácil entender y la mayor parte de la población no puede identificar su vida diaria con la crispación y arrebatos a que diariamente es sometida por los agentes de la vida pública empeñados por encima de todo en ocupar espacio de opinión, crear seguidores, fidelizar votantes, modos de vida y consumo mucho más que en corregir y mejorar la sociedad o la economía.         <br />
              <br />
       <b>La realidad como representación mediática</b>       <br />
              <br />
       Sólo si observamos a los políticos como actores de televisión, capaces de representar hoy una actitud y mañana, sin ruborizarse lo más mínimo, la radical actitud contraria, sólo si observamos a los agentes económicos, sociales y políticos como “personajes públicos”, capaces de hacer cualquier cosa y “como sea” para lograr objetivos muy simples (ganar las próximas elecciones, subir posiciones en bolsa, incrementar beneficios, resolver la inmediata junta de accionistas), sólo si entendemos la realidad como una representación mediática estamos en condiciones de comprender lo que sucede y su evolución.       <br />
              <br />
       Estas prácticas de mercadotecnia serán pasajeras con todo seguridad pero es probable  que esta competitiva y elementalizada situación esté afectando en alguna media los más consagrados y primigenios valores de occidente, aquellos principios, acuerdos de base y “mandamientos” consagrados por milenios, sobre los que se ha soportado y evolucionado nuestra civilización y todos nosotros.        <br />
              <br />
       Un ejemplo y demostración de esta tesis la estamos viendo a diario en el caso del concepto de MENTIRA. Los medios  han generado  un nuevo concepto de verdad/mentira. Una verdad era durante siglos un universal, algo comprobable de modo directo por cualquiera y por tanto válido siempre (en verano hace calor, en invierno frio, el sol luce de día….) o algo acordado y convertido en convención común por el aval de siglos de experiencia humana positiva (el lenguaje, las plantas medicinales, el matrimonio…).        <br />
              <br />
       Las cosas han tenido “esencia”, una verdad era verdad la dijese Agamenon o su porquero y a la verdad van unidos conceptos-verdad como el honor, el respeto, el cumplimiento de la ley, el bien, el orden, lo socialmente positivo. La sociedad se soporta y mejora sobre ellos. La mentira era lo antitético: decir lo contrario de lo que uno ve, sabe o piensa con la intención de engañár (en definición del P.Astete), o para obtener un beneficio o para hacer mal a alguien. Mentira era el mal y va unida a conceptos negativos como daño, dolor, perjuicio.       <br />
              <br />
       Los medios (los periódicos) comenzaron a ocuparse de los conceptos de verdad o mentira muy a finales del siglo XIX,  relacionándolos directamente con tecnicas propias de venta. Desde siempre los impresos informaron a su manera como instrumentos que eran de otros poderes  políticos y económicos: monarcas absolutos, estado, partidos políticos, empresas con valores en bolsa, constructores de ferrocarriles....        <br />
              <br />
       Sólo a medida que la prensa está en condiciones de alcanzar una libertad económica autónoma a través de la venta y la publicidad masivas, cosa que  sucede en Nueva York en la década de 1880 (con alguna excepción anterior, por supuesto), comienza a preocuparse por el interés de sus compradores y lectores y a ocuparse entonces de los conceptos de verdad y mentira. Son para la prensa diaria conceptos y valores de carácter técnico-comercial.        <br />
              <br />
       Suele aceptarse como inicio de esta relación prensa-verdad el reporterismo en torno a la Guerra de Secesión y sobre todo los modos de hacer del gran Pulitzer en “The World”. Pulitzer estableció como norma inquebrantable para sus reporteros y editores el “accuracy”, la exactitud, la precisión en lo que se informase y opinase.        <br />
              <br />
       Equivale con toda exactitud al concepto de “no mentir”: el diario no puede nunca engañar a sus lectores y la fórmula para no engañar es  no decir jamás lo contrario de aquello que uno sepa que es verdad. Sobre esa confianza, la misma que en los mismo años comenzaban a ofrecer las que se convertirían en marcas estrella (como la Coca Cola p.e.), se cimentó el éxito y respeto inigualable que Pulitzer merece.        <br />
              <br />
       <b>Al menos dos fuentes</b>       <br />
              <br />
       El New York Times a partir de 1892 establece un segundo escalon. Para Ochs, su refundador, la esencia del periódico era la oposición a cualquier sensacionalismo, incluido el moderado del World, y establece como valor de nicho el concepto de objetividad siempre con una caracterización técnica: objetividad es para el viejo NYT toda información comprobada al menos con dos fuentes fiables, es una verdad ocasional pero demostrable y avalada externamente, “objetiva”.        <br />
              <br />
       El concepto atravesó a lo largo del siglo XX otras dos etapas o generaciones. La primera fue en la década de los 30 y estaba ligada a la propaganda blanca. Las informaciones “blancas” son informaciones objetivas que dan a conocer la identidad de quienes las avalan –salvo las necesarias excepciones de confidencialidad de las fuentes-.        <br />
              <br />
       En plena segunda Guerra Mundial la BBC de Londrés asentó su credibilidad y éxito internacional sobre esta práctica de informaciones soportadas por fuentes en abierto. La segunda etapa tiene que ver con el periodismo llamado “de precisión” en plena Guerra Fría y en las décadas de 1960/70. Esa valoración técnica de las informaciones se soporta aquí sobre una objetividad avalada por cifras, datos y estadísticas.        <br />
              <br />
       Los medios de élite (“elite press” definida por Merrill) de todo el mundo afianzaron su prestigio  y su “responsabilidad social” sobre este concepto de verdad técnica, es decir, de informaciones objetivas y fiables en cuanto estaban garantizadas por fuentes creibles, con frecuencia expuestas, y con cifras y datos comprobables.       <br />
              <br />
       <b>Cuatro novedades</b>       <br />
              <br />
       Hoy y como indicábamos más arriba hemos saltado otro escalón. Intervenidas por la pantalla y el espectáculo, las informaciones miden su veracidad técnica, más que por las fórmulas convencionales referidas, por cuatro nuevas características: (1) por la rapidez y agilidad con que ocupan el espacio público (quien da primero imprime carácter); (2) por el impacto que alcanzan (manda quien abre el telediario); (3) por la radicalización de su formato  (el “mínimo común denominador”); (4) por el número de visitantes o seguidores (audiencia) que la información provoca, consigue y atiende.        <br />
              <br />
       Mucho más que los datos o que la calidad de la fuente cuenta la primicia y el seguimiento. Hoy la verdad es una verdad “google” y una verdad “informativos tv”,  siempre coloreada (magazinizada), en la que basta la aproximación, la apariencia y la posibilidad de que pueda ser cierto, sin ser necesaria para nada la exactitud ni la precisión.        <br />
              <br />
       De las técnicas mediáticas para lograr audiencias o mercados no es dificil el trasvase a técnicas electorales. Los “spin doctors”, desde mediados de la década de 1990 y hasta hoy, se han acostumbrado a esos manejos. La verdad es siempre relativa: depende del momento, de los objetivos, de los “targets”.        <br />
              <br />
       No existe discurso sino palabras-simbolo o “palabras-mentira” capaces de aglutinar en torno a simbología elemental, de mínimo común denominador,  a los diversos grupos o segmentos de población diversa. Los formatos de estos “no discursos” son “para sordos”, es decir, montados en golpes de luz, de color, de ruido, de movimiento y acción, estructurados y ofrecidos en pantalla.        <br />
              <br />
       De una además brevísima duración, la misma que pueden durar las primeras impresiones: son de usar y tirar. Necesitados cada vez de lograr impresiones e impactos más fuertes para poder llamar la atención y romper en rapidez y efectos la pantalla (abrir los informativos).       <br />
              <br />
       <b>La mentira como ejemplo</b>       <br />
              <br />
       El concepto “mentira” es a este respecto un ejemplo perfecto. ¿Desde cuando preocupó a nadie en España que los políticos mintiesen?. Era connatural a su oficio. Todo el mundo conoce la anécdota del cacique que trasladado en la Restauración de un distrito del norte a otro del sureste repetía el mismo discurso: “si me votais…os haré un puente”; “pero si no tenemos rio” le indicaron un dia; “y qué importa…os haré también un rio”.        <br />
              <br />
       Todo el mundo conoce la anécdota más reciente del profesor y alcalde de Madrid, Tierno Galván, que afirmaba cómo los programas electorales se hacen para no ser cumplidos. Desde siempre se daba como una exageración protestante eso de tener que dimitir por haber engañado en una declaración pública.        <br />
              <br />
       El “usted miente”, “España no se merece un gobierno que miente”, el acusarse todos unos a otros de mentir, es recientísimo: probablemente de la última campaña electoral. En la anterior campaña, el “vayase Sr. González” no utilizaba aún este concepto de mentira como motivo sino otros más convencionales (corrupción, mal gobierno…).        <br />
              <br />
       La “mentira” llega a los estrategas del actual gobierno importada de los EEUU como  casi toda su estrategia electoral y se engloba en el uso “spin” de los téminos-símbolo que les ha dado excelentes resultados.        <br />
              <br />
       “Mentira” es como “paz”, como “progresista” una “word-cluster”, una “palabra-cajón” o palabra-simbolo; golpea un instinto primario, el del engaño, humillación, desprecio, “hacer de menos”  y puede alcanzar un gran número de público; es abierta en el sentido que cada cual la interpreta a su manera y en relación a posiciones primarias: para unos es el engaño del novio/a, del hermano, el compañero de trabajo, del abogado una vez requerido… tratándose siempre de una connotación bien definida como algo negativo; no es un término íntimo ni de uso confidencial o de rumor (la gente no va preocupada ni deja de dormir por los “engaños” del gobierno) sino de uso exclusivamente televisivo, ligado a actuaciones (teatrales) de portavoces o primeros líderes en posición de mitin o de declaración; va propuesta en forma declamatoria, afirmativa, radical, sin matices, de “slogan”.        <br />
              <br />
       Cumple en definitiva una función dentro de una estrategia de comunicación electoral y política.       <br />
              <br />
       El concepto y término “mentira” (dense cuenta que nadie utiliza con las mismas formas el contrario de “verdad”) es pues una “píldora” , una inyección de negatividad concentrada contra el “enemigo” político, que forma parte de un “relato” o suma en constante acción de golpes de efecto en los informativos de la televisión generalista (por lo que es imprescindible contar con el mayor número de ellas) y “para sordos”, sometido todo ello a unos objetivos concretos y a muy corto plazo (ganar las próximas elecciones en meses o en un par de años).        <br />
              <br />
       <b>“Spin doctors”</b>       <br />
              <br />
       “A cualquier precio”, “todo vale”, es una estrategia que puede o no que tenga que ver con la personalidad de los líderes. Esta estrategia se conoce como de los “spin doctors”, se comenzó a definir en las campañas de Clinton en los l990´, la perfeccionó Berlusconi hasta sus máximos límites posibles, la convirtió en modelo Karl Rove para Bush de modo especial en su segunda campaña y ha mantenido a T. Blair durante tres elecciones. Son por tanto los modos dominantes de hacer mercadotecnia política en los últimos 20 años.        <br />
              <br />
       Sólo muy recientemente comienzan a verse sus efectos negativos (negativos siempre en perspectiva electoral) y dos recientes campañas (la de Merkel en Alemania y la de Prodi en Italia) están recurriendo a estrategias distintas (“más pensamiento, menos mercadotecnia” lo ha definido Prodi). Merkel y Prodi se han enfrentado a “spin doctors”.        <br />
              <br />
       Ambos han ganando, por “los pelos” pero han ganado. Veremos por tanto en Francia y en los próximos meses una dura pelea entre equipos de estrategas. De momento los dos candidatos previstos dicen imitar a T.Blair y a una de ellos la llaman –no se sabe aún si como elogio o acusación- “la zapatera”.
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/Todo-son-mentiras--resulta_a2.html" />
  </entry>
  <entry>
   <title>El poder diluido, nueva fase de la democracia</title>
   <updated>2006-06-16T08:02:00+02:00</updated>
   <id>http://www.tendencias21.net/comunicacion/El-poder-diluido-nueva-fase-de-la-democracia_a1.html</id>
   <category term="Bitácora" />
   <published>2006-06-16T07:58:00+02:00</published>
   <author><name>Jesús Timoteo</name></author>
   <content type="html">
    <![CDATA[
Estamos en un estadio superior de la democracia occidental, de Poder Diluido. Se trata de una mentalidad nueva según la cual las gentes son conscientes de que tienen en sus manos, de alguna manera, sus propios destinos, dependiendo de la capacidad de presencia mediática y de ocupación de espacio público. En esta nueva fase de la democracia occidental manda aquel que consigue abrir los telediarios porque desde ahí arrastra a quienes toman las decisiones. No importa ser mayoritario o minoritario. Importa tener presencia mediática. De esta forma, los medios de comunicación reorganizan la sociedad en torno a su actividad y presencia, definen una era histórica que nace y que es en consecuencia y por encima de cualquier otra apreciación, de una sociedad y era mediática, de pantallas y espectáculo.     <div>
      En apenas 20 años todo el mundo occidental ha llevado a cabo una transformación radical, un salto de era en la evolución histórica. Esa transformación ha sido formalmente establecida entre la caída del muro de Berlín en 1989 y los atentados de Nueva York (2001) y de Madrid (2004).        <br />
              <br />
       En muy pocos años hemos vivido un cambio drástico de mentalidad individual y colectiva, forzado más que por cualquier otro factor por los mercados de medios. La adecuación de la economía a una realidad nueva de pantallas como terminales estables de venta de productos, servicios y política, y cuya característica dominante es el espectáculo, ha sido el detonante de este cambio.        <br />
              <br />
       Hacia 1980 los medios (prensa, radio y televisión entonces) no constituía ni siquiera un sector. Dependían del Estado (primer propietario de medios en cualquier país europeo), perdían dinero año tras año y operaban como herramientas para la acción política de los gobiernos y un poco para la actividad comercial de las empresas.        <br />
              <br />
       Hacia el año 2004 y en torno a las pantallas (televisión, ordenador y móvil) ha quedado organizado un poderoso sector de información y comunicación en el que convergen todas las viejas y nuevas industrias culturales (libros, cine, música, videojuegos) además de los medios convencionales y nuevos (prensa, radio, televisión, Internet), de la telefonía convencional y nueva (llamadas, sms) y de una creciente oferta de servicios en red (acceso y proveedores de internet) y de servicios audiovisuales a la carta para las pantallas (guías, películas, música). Es un hipersector de InfCom de acelerado crecimiento y que supone en España en torno al 3% del PIB con porcentajes superiores en otros países occidentales.        <br />
              <br />
       Esta realidad así presentada es innegable. Es innegable por el evidente peso de las pantallas en la vida individual y colectiva, por el peso económico manifiesto de los sectores de la información, el entretenimiento, la cultura convencional, los videojuegos, la producción televisiva, por la presencia de las pantallas como terminales de una red mundial y local capaz de establecer una relación directa entre usuarios, consumidores o votantes y agentes sociales de toda condición. Pues bien, esta innegable realidad ha provocado en tan pocos años un amplísimo número de transformaciones y efectos de los que recogemos las más importantes.        <br />
              <br />
       <b>El dominio de las pantallas </b>       <br />
              <br />
       La televisión se situó ya a finales de los años 70 en cada hogar estableciendo una relación diaria de más de tres horas con cada familia. El ordenador hizo lo propio durante los años 90 en el trabajo primero y en casa después, con un importante porcentaje de población.        <br />
              <br />
       El teléfono móvil universalizó formas originales de comunicación a través de una pequeña pantalla personal especialmente entre los adolescentes y más jóvenes. La suma de las diferentes pantallas suponen el sueño de la mercadotecnia, porque permiten el acceso directo y muy personalizado a todo tipo de usuarios, consumidores y votantes.        <br />
              <br />
       Permiten asimismo un retorno e interactividad más controlable que nunca y una relación directa y horizontalizada con los diferentes segmentos de mercado.        <br />
              <br />
       <b>El individuo como poder</b>        <br />
              <br />
       Se trata de un salto cultural análogo al que se produjo en el Renacimiento con la reforma religiosa (luterana) y la implantación de la imprenta: los individuos pudieron entonces prescindir de intermediarios, tanto en su relación con Dios como en su dependencia intelectual y emotiva con predicadores y maestros.        <br />
              <br />
       Algo similar sucede ahora. Más del 60% de la población europea ha asistido a la escuela hasta los 18 años y casi un cuarto de la población adulta más joven ha conocido las aulas universitarias, según datos CEOE para 2003. Más del 90% ve diariamente la televisión y porcentajes altísimos de población construyen su entorno y reaccionan al mismo en el teléfono móvil, se transportan a realidades virtuales en los videojuegos, provocan y reciben todo tipo de ofertas y respuestas “en tiempo” y “en línea”.        <br />
              <br />
       Nada que ver con relaciones lineales (un agente emisor, un canal con ruidos, unos receptores) ni siquiera con un sistema circular plano (en esquema) de relación y venta (el marketing convencional), sino con una realidad en red en la que cada cual puede ser emisor y receptor al mismo tiempo y en cuya intelección y organización (“targetización”) hay que partir casi del uno más uno hasta formar grupos cada vez más minoritarios o con un mínimo común denominador cada vez más ancho e indefinido (la sociedad “soft” ).        <br />
              <br />
       <b>Un mercado que no es de masas</b>        <br />
              <br />
       Es en parte consecuencia de la lógica anterior, pero es mucho más. Tiene que ver con el fin de una sociedad que se ha movido teniendo como referente a modelos teóricamente formulados para ceder dicha referencia a individuos no unívocos ni monocordes sino multifacéticos.        <br />
              <br />
       Durante más de cien años, la sociedad occidental fue socialista o comunista o capitalista o conservadora. Una vez fijado el sistema y en plena lógica con el pensamiento matriz contemporáneo (liberal y jacobino), los individuos quedaban supeditados a un racional y duro interés colectivo uniformado y unívoco que culminó en una primera versión en el estalinismo y el nacionalsocialismo y en una segunda versión con mucho más éxito en el consumo masivo.        <br />
              <br />
       Al final y en esos modelos (capitalismo o comunismo) todos eran masas. Pero la realidad rompió los moldes. Resultó que esas “masas” no tenían ni los mismos intereses ni los mismos sueños que sus programadores, fuesen estos promotores de paraísos de la igualdad o promotores de un hiperconsumo basura. Resultó que cada individuo se comportaba como varios individuos en uno y era capaz de reaccionar de forma diferente según el momento del día (trabajo, salud, familia, ocio), el lugar o la situación, no tenía por qué ser socialista o conservador todo el tiempo y podía variar de intereses y gustos según el entorno, podía un individuo ser socialista-liberal-conservador todo en uno.        <br />
              <br />
       El mercado ha resultado así una superposición en estratos de derechos adquiridos, de convicciones consagradas, de posibilidades e ilusiones. En cada individuo y en el mercado no masivo nos encontramos con “genes” sociales de los viejos ciudadanos censitarios, de los viejos socialistas uniformadores, de aspirantes a ilustrados y vividores en mundos virtuales, de consumidores hiperactivos y de ociosos aislados u organizados.        <br />
              <br />
       <b>Democracias mediáticas y postparlamentarias</b>        <br />
              <br />
       Es evidente a cualquiera que la política y el consumo se hacen hoy en y para la televisión –lógico desde el momento que se trata del terminal de una red de relaciones directas donde no hacen falta intermediarios- pero dicha constatación es sólo una evidencia a primer nivel. El efecto es mucho más amplio.        <br />
              <br />
       Vivimos un estadio político donde han cambiado los fundamentos mismos de la democracia, a saber, la legitimización del poder y la justificación del poder. En los principios de una sociedad parlamentaria y democrática enunciados por Aristóteles y consagrados por Montesquieu y los padres del liberalismo, esta legitimización y justificación arranca del individuo como fuente del poder y se plasma en la elección de representantes que personifican en consecuencia los intereses y voluntades de la mayoría y ejercen en su nombre el poder dividido como fórmula de control entre el gobierno, el parlamento y la justicia.        <br />
              <br />
       Pero ¿qué representación y por tanto qué poder puede tener un parlamentario o un gobierno elegido cada cuatro años frente a un periodista, conductor de programas o grupo mediático que diariamente se somete a la aquiescencia de sus seguidores y diariamente recibe mediante la audiencia o mejor aún mediante sondeos y encuestas, la opinión mutante de la calle y puede con ello actualizar tales intereses y voluntades de esa mayoría?.        <br />
              <br />
       ¿Quién está más legitimado por las fuentes de poder, un pobre ministro o un pobre juez o en cambio un conductor de multitudes que micrófono o cámara en mano puede, sin coste ninguno, destrozar o divinizar las decisiones de los primeros y hacerlo en nombre de una mayoría más o menos relativa de individuos que le siguen y aplauden?.        <br />
              <br />
       ¿Cómo se justifica la presencia social de los agentes políticos o de los agentes sociales y de consumo si no es a través de su presencia mediática, de la implantación en el imaginario colectivo de marcas, símbolos, referentes, factores corporativos?.        <br />
              <br />
       <b>La operativa del poder como Poder Diluido</b>        <br />
              <br />
       La omnipresencia de los medios en la realidad pública y en el espacio público hace imposible una toma de decisiones que responda a una lógica directa o a modelos consolidados. Es imposible ejecutar decisiones por muy sagradas que se consideren sin tener en cuenta a agentes sociales de todo tipo interesados en el objeto mismo de tales decisiones. No es pensable una industria que instale un parque industrial sin tener presente la reacción de los mediambientalistas o de las organizaciones vecinales próximas.        <br />
              <br />
       No es imaginable un gobierno que decida en cuestiones de importancia siguiendo sólo una lógica pura de beneficio social o económico y no lleve a cabo una larga preparación de la opinión pública a través de los medios y no tenga en cuenta y presentes los intereses y voluntades de las agrupaciones interesadas en el mismo objeto.        <br />
              <br />
       Porque estamos en un estadio superior de la democracia occidental, de Poder Diluido, una mentalidad nueva según la cual las gentes son conscientes de que tienen en sus manos, en alguna manera, sus propios destinos, de que tienen capacidad de acción a través de los medios de comunicación y de que la democracia existe como reparto de poderes y juego de partidos, pero sobre todo existe como capacidad de protesta, de acción social, de influencia de la calle, de capacidad organizada de alteración de las decisiones políticas o económicas dependiendo de la capacidad de presencia mediática y de ocupación de espacio público.        <br />
              <br />
       Manda aquel que consigue abrir los telediarios porque desde ahí arrastra a quienes toman las decisiones. No importa ser mayoritario o minoritario. Importa tener presencia mediática.        <br />
              <br />
       <b>El derecho al conocimiento</b>        <br />
              <br />
       La presencia y capacidad de los medios en la línea señalada va acompañada naturalmente del desarrollo de técnicas novísimas de persuasión, promoción y marketing. Tales técnicas presentadas como de última generación y definidas como “spin” (agitar) o “basura”, están pensadas para públicos “sordos”, imágenes, color, golpes de luz y movimiento desarrollados para gentes que “no oyen, no escuchan, no entienden y no les interesa”.        <br />
              <br />
       Están así los medios y quienes los saben utilizar en condiciones de romper la esencia misma de la nueva democracia, la capacidad individual de decisión, falseando la primera de las premisas, a saber, la información suficiente para que esa decisión pueda tener lugar.        <br />
              <br />
       Por eso, el derecho a estar suficiente y objetivamente informados, el derecho al conocimiento será el principio y la libertad prioritaria por el que la sociedad civil tendrá que luchar en las próximas décadas.        <br />
              <br />
       <b>La recuperación del Estado </b>       <br />
              <br />
       En una realidad como la descrita, los deteriorados estados occidentales están obligados a recuperar prestigio y capacidad de acción. Para mantener aquellos derechos y libertades hasta ahora conquistados por los ciudadanos (seguridad, sanidad, educación, expresión, comercio, etc.) pero sobre todo para poder afianzar las nuevas libertades y derechos a la información y al conocimiento.        <br />
              <br />
       Los retos nuevos de la sociedad y de un Estado representativo están en impedir la información manipulada, en asegurar la pervivencia del poder diluido, en garantizar la distribución del conocimiento y resguardar su valor. Las “guerras” son ya y girarán cada día más en torno a redes informátizadas, a mundos virtuales y “spin”, a la seguridad económica, a realidades nuevas apenas sospechadas hace unas décadas.        <br />
              <br />
       <b>Nueva clasificación social</b>        <br />
              <br />
       “Las clases medias en el Reino Unido se dividen según la lectura de los diarios: existe la clase Times y la clase Daily Telegraph, que generalmente están compuestas por conservadores; están después los demás, los lectores del Guardian, del Independent….” (J.Hobsbawn, La Repubblica: 21.07.2004). Respondía Hobsbawn a la pregunta de por qué T.Blair volvería a ganar las elecciones por tercera vez a pesar de tener en contra a buena parte de su partido laborista y de los sindicatos.        <br />
              <br />
       Argumentaba que la sociedad británica actual no se estructura en torno a los viejos parámetros de clase, partido, nivel adquisitivo, sindicatos, etc., sino en torno a “targets” de mercado identificados mejor que por cualquier otra cosa por las cabeceras de los medios de comunicación. Lo mismo opina T.Friedman explicando la victoria de G.Bush en las últimas elecciones políticas en USA: “me apuesto lo que sea a que si las papeletas electorales no hubieran llevado los nombres de Bush y Kerry y, en su lugar, sencillamente hubiesen preguntado: “¿Ve la cadena Fox o lee The New York Times?”, el Colegio Electoral habría resuelto exactamente lo mismo” (T.Friedman, El Mundo: 06.11.2004).        <br />
              <br />
       Estas citas y enunciaciones recogen el fenómeno a que nos referimos: los medios de comunicación reorganizan la sociedad en torno a su actividad y presencia, definen una era histórica que nace y que es en consecuencia y por encima de cualquier otra apreciación, de una sociedad y era mediática, de pantallas y espectáculo.        <br />
              <br />
              <br />
       Artículo publicado originalmente en <a class="link" href="http://www.tendencias21.net/El-poder-diluido,-nueva-fase-de-la-democracia-occidental_a688.html">Tendencias21</a>
     </div>
     <br style="clear:both;"/>
    ]]>
   </content>
   <link rel="alternate" href="http://www.tendencias21.net/comunicacion/El-poder-diluido-nueva-fase-de-la-democracia_a1.html" />
  </entry>
</feed>

